Fotografia de longa exposição de um lançamento nocturno: um arco de luz branca sobe do pad, à direita, atravessa o céu escuro e ilumina nuvens baixas de azul.

Lançamento do New Glenn a 16 de janeiro de 2025, imagem de arquivo. Foto: Senior Airman Samuel Becker / U.S. Space Force, domínio público.

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Blue Origin promete motor a um quarto do custo e adia voo para 2027

A Blue Origin apresentou a 5 de novembro duas novidades para o New Glenn: um motor novo para o primeiro estágio e um terceiro estágio. O objectivo declarado não é voar mais alto — é fabricar mais barato. O anúncio foi feito no Up.Summit, em Cabo Canaveral. No dia anterior, o director-executivo Dave Limp tinha comunicado aos trabalhadores que o regresso ao voo do foguetão passa para janeiro de 2027.

O Northstar é uma versão simplificada do BE-4, o motor que equipa hoje o primeiro estágio: queima metano liquefeito e oxigénio líquido, mantém o ciclo de combustão em etapas com turbobomba de veio único e sobe o empuxo de 640 mil para 715 mil libras, cerca de mais 12%. A empresa diz que tem menos 30% de massa e menos 50% de peças do que o BE-4, e que mais de 65% do motor é produzido por fabrico aditivo — impressão 3D, em linguagem corrente.

Um quarto do preço é, para já, uma expectativa

O número que interessa está no custo. A Blue Origin acredita que consegue fabricar o Northstar por 25% do que custa um BE-4 e chegar a montar um motor em menos de um dia. Os ensaios de fogo já começaram e a empresa diz que passaram 11 meses entre a aprovação do programa e o arranque dos testes. Mas 25% é uma estimativa da empresa, não um preço apurado em produção, e nenhum Northstar voou ainda.

Empuxo do Northstar715 mil libras
Empuxo do BE-4640 mil libras
Massa−30% face ao BE-4
Peças−50% face ao BE-4
Fabrico aditivomais de 65% do motor
Custo pretendido25% do BE-4
Montagem pretendidamenos de um dia por motor

O BE-4 continua a ser produzido para a United Launch Alliance, que usa dois destes motores no Vulcan, e continua a ser o motor do primeiro voo de regresso do New Glenn. O Northstar deverá ser compatível com a versão maior do foguetão, a 9×4, com nove motores no primeiro estágio e quatro no segundo.

O terceiro estágio que dá o empurrão final

A segunda novidade é o GS3, um terceiro estágio que cabe dentro do inter-estágio e por isso não rouba espaço à coifa onde seguem os satélites. É movido pelo BE-7, o motor a hidrogénio e oxigénio líquidos dos landers lunares Blue Moon, e serve para colocar cargas directamente em órbita geoestacionária ou em trajectória translunar: 8 toneladas para órbita geoestacionária e 10 para a translunar na versão 7×2, e 14 e 20 na 9×4.

O hidrogénio é a molécula mais pequena que existe e escapa por qualquer fenda; num tanque composto, os ciclos térmicos podem abrir fissuras. A Blue Origin testou no Texas um tanque composto de 5,5 metros de diâmetro, pressurizado a 100% da pressão máxima prevista durante 2,5 horas e a 150% durante 10 minutos. Se voar, será o primeiro tanque composto de hidrogénio líquido em órbita, segundo a empresa. O primeiro cliente é do governo americano e a estreia está marcada para 2028, numa missão para o espaço cislunar.

O calendário não acompanha

O New Glenn não voa desde 28 de maio, quando explodiu na plataforma 36A, em Cabo Canaveral, durante um teste de fogo estático. A explosão danificou a plataforma e adiou a missão NG-4, que levaria satélites Amazon Leo. Na mensagem interna de 4 de novembro, Limp escreveu que a reconstrução atrasou o calendário, também por causa do mau tempo no Verão, e que o regresso passa para janeiro de 2027 — cerca de dez dias depois do objectivo anterior, segundo a CNBC.

Um motor a 25% do preço é, para já, uma promessa de bancada: o New Glenn não voa desde a explosão de 28 de maio e o regresso está agora marcado para janeiro de 2027.

«Este pequeno ajuste não diminui o que conseguimos nem a importância do trabalho que falta», escreveu o director-executivo aos trabalhadores. «Em apenas seis meses, a equipa fez o que muitos achavam que levaria anos.» O atraso tem custos para terceiros: a Amazon, que conta com o New Glenn para parte da constelação Leo, recorreu à United Launch Alliance e à Arianespace, e a NASA tem contratos com a Blue Origin no programa Artemis, incluindo um lander lunar.

A ambição apresentada no palco foi outra: Limp disse que «nunca houve tanta procura de lançamentos» e a empresa quer chegar a mais de mil lançamentos por ano — mais do que qualquer foguetão faz hoje, e num foguetão que ainda não voltou a voar. O que fica por saber é quando o Northstar voa, em que versão, e se o custo prometido se mantém quando sair da linha de montagem.

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