Ilustração conceptual de um registo de cuidados ligado a símbolos de locais.

Ilustração conceptual gerada por IA para o Portugal Binário.

🔬 Ciência

Classificação de Coimbra ajuda a comparar dados sobre locais de morte

Uma classificação desenvolvida num projeto da Universidade de Coimbra procura tornar comparáveis os registos sobre os locais onde as pessoas recebem cuidados no fim da vida e onde morrem. A proposta permite descrever mais do que a divisão entre casa e hospital: inclui, por exemplo, diferentes instituições de cuidados, veículos e espaços exteriores.

A Comissão Estatística das Nações Unidas aprovou a Classificação Internacional de Locais de Morte na sua sessão de março de 2026. A Universidade de Coimbra divulgou agora o resultado num comunicado. A aprovação estabelece uma referência internacional; a sua utilização concreta depende da adoção e implementação nos diferentes países e serviços.

Por que razão a classificação importa

Os locais de morte são registados de formas diferentes entre países. Uma categoria como «casa» ou «instituição de cuidados» pode abranger situações distintas, tornando difícil comparar estatísticas e perceber se as pessoas receberam cuidados onde preferiam.

A ficha da Divisão de Estatística da ONU descreve uma linguagem comum que pode ser usada em certificados de óbito, registos clínicos e inquéritos. Também permite estudar os locais preferidos, além dos locais reais, quando essa informação é recolhida. A comparação entre preferência e realidade exige ambos os dados; o local de morte, sozinho, não revela a vontade da pessoa.

O projeto EOLinPLACE, liderado em Coimbra pela investigadora Bárbara Gomes, reuniu investigação em vários países e contributos de pessoas doentes, familiares, cuidadores e profissionais, segundo a universidade. A classificação pretende apoiar investigação e decisões sobre cuidados, incluindo cuidados paliativos.

Uma peça para sistemas de informação

O contributo técnico é uma classificação de dados: categorias e definições partilhadas que podem ajudar diferentes sistemas e estudos a atribuir o mesmo significado a uma informação. A versão inicial organiza os locais em grupos e subdivisões. Entre os grupos principais estão habitação, instituições de saúde ou de cuidados, outras instalações, veículos e espaços exteriores; existem ainda situações em que o local é outro ou desconhecido.

A ficha da ONU descreve sete capítulos, 24 categorias e 20 subcategorias, com códigos hierárquicos. Existem ainda qualificadores: por exemplo, para certos locais de habitação ou cuidados pode registar-se se a pessoa os considerava a sua casa, com as respostas sim, não ou desconhecido. Essa distinção mostra por que um lar pode ter um significado diferente para pessoas diferentes.

Um registo clínico pode, em princípio, guardar uma categoria para o local de cuidados e outra para a preferência da pessoa; um sistema de mortalidade pode usar a mesma classificação para o local de morte. Isso pode tornar as comparações mais consistentes, desde que os dados sejam recolhidos e classificados de forma compatível.

A classificação dá aos dados um significado comum. Para que os sistemas de informação a utilizem e troquem dados entre si, é necessário implementá-la e adaptar os registos existentes. As fontes consultadas não demonstram que já tenha sido adotada a nível nacional em Portugal.

Dos dados à escolha

Segundo a universidade, o objetivo é melhorar a informação que apoia decisões de saúde e apoio social. Dados mais comparáveis podem ajudar a identificar diferenças entre o local preferido e o efetivo e a orientar perguntas sobre a disponibilidade de cuidados.

Uma classificação, por si só, não cria equipas de apoio domiciliário nem garante que uma pessoa possa morrer onde deseja. Essa possibilidade depende das necessidades, das preferências e dos cuidados disponíveis, que podem mudar ao longo do tempo.

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