Cinco empresas anunciaram em Bruxelas a formalização de uma associação europeia para o setor dos semicondutores que concebe chips e entrega o seu fabrico a outras empresas. A iniciativa pretende dar às pequenas e médias empresas uma voz comum junto das instituições europeias e facilitar contactos com clientes, investidores e fornecedores de ferramentas de projeto.
A European Fabless Semiconductor Association (EFSA) foi apresentada a 4 de novembro durante um encontro da aliança europeia ALLPROS. Segundo o comunicado enviado pela SiPearl, os estatutos passaram pela etapa de registo notarial e Paul de Bot, antigo responsável da TSMC na Europa, foi nomeado presidente durante a fase inicial. Os objetivos anunciados são ainda um plano de trabalho: não representam, por si só, novas fábricas ou encomendas garantidas.
O que significa desenhar sem fábrica
Uma empresa fabless concentra-se no desenho dos seus circuitos e contrata uma fábrica especializada para produzir as pastilhas de silício. Isso evita que tenha de construir e operar uma fábrica própria, mas mantém desafios como o custo das ferramentas de desenho, o acesso à produção, o financiamento e a conquista de clientes.
O comunicado identifica Axelera AI, Quside, Semidynamics, SiPearl e VSORA como fundadoras. A associação diz que pretende representar o setor perante as instituições da União Europeia, reunir informação sobre programas e mercados, aproximar empresas de investidores e clientes e negociar serviços comuns, incluindo licenças de ferramentas de desenho eletrónico.
Existe, porém, uma diferença por esclarecer na identificação dos fundadores. A página do projeto VOICES, que apoia a criação da associação, apresenta seis empresas e inclui a italiana Inventvm. O comunicado de 4 de novembro refere cinco e não explica essa diferença. Sem confirmação adicional, não é possível concluir por que motivo as listas divergem.
Um projeto europeu com objetivos próprios
A criação da associação é apoiada pelo VOICES, projeto de coordenação financiado pelo Horizonte Europa. A ficha da Comissão Europeia indica uma contribuição da UE de um milhão de euros para o projeto entre maio de 2026 e abril de 2029, coordenado pela Quside. Este montante refere-se ao projeto no seu conjunto; não é um prémio atribuído a cada empresa nem uma verba anunciada para construir uma fábrica.
Segundo a SiPearl, a associação pretende chegar a mais de 50 empresas em três anos. O resultado dependerá da adesão efetiva e da capacidade de transformar representação em acesso a clientes, capital e ferramentas. A página do VOICES também refere uma reunião de fundadores em junho; a relação exata desse encontro com a formalização anunciada em novembro precisa de ser esclarecida.
A iniciativa junta-se a outros esforços europeus na área dos semicondutores, mas incide num elo particular da cadeia: o desenho dos chips. A sua eficácia terá de ser avaliada pela atividade e pelos resultados concretos que vier a produzir.
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