Gráfico de barras com a taxa de bit máxima de cada camada física do Bluetooth: LE 1M e LE 2M a 1 e 2 Mbps, e os modos HDT2, HDT3, HDT4, HDT6 e HDT7.5 a 2, 3, 4, 6 e 7,5 Mbps.

Gráfico: Portugal Binário, com dados da especificação Bluetooth Core 7.0 (3 de novembro de 2026).

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Bluetooth sobe para 7,5 Mbps e prepara áudio sem perdas para 2027

O Bluetooth ganhou uma camada de rádio nova. A 4 de novembro, o Bluetooth SIG, a associação que gere a norma, anunciou a adoção do High Data Throughput (HDT), que sobe a taxa de bit máxima de 2 para 7,5 Mbps — quase quatro vezes o modo mais rápido que existia. A funcionalidade é opcional dentro do Bluetooth Core 7.0, a versão da especificação publicada na véspera.

O teto de 2 Mbps durava desde a introdução do modo «LE 2M», e a distância entre esse limite e o que os aparelhos pedem foi aumentando: auscultadores que prometem alta resolução, relógios que descarregam horas de dados de sensores, óculos com processamento a bordo, atualizações de firmware enviadas por ar.

Mais bits por símbolo, não mais largura de banda

O HDT não alarga o canal: mantém a taxa de símbolos fixa em 2 milhões por segundo. O ganho vem de duas alavancas que se somam. A primeira é a modulação — em vez de dois bits por símbolo, transmitem-se três (8PSK) ou quatro (16QAM). A segunda é a codificação: a correção de erros e a pontuação de bits (puncturing) permitem que uma parte maior do que é transmitido seja informação útil, à custa de menos margem contra o ruído.

Daí resultam cinco modos, com 2, 3, 4, 6 e 7,5 Mbps. Um aparelho compatível tem de suportar os três primeiros; o de 6 Mbps é opcional e o de 7,5 Mbps só existe em quem já suporta o de 6. A ligação negocia um intervalo de taxas e o controlador escolhe dentro dele, em tempo real, conforme a qualidade do canal — o que permite recuar sem desmontar a ligação.

O áudio é o primeiro alvo, mas chega em 2027

A SIG diz que a primeira aplicação de referência será áudio premium sem fios, com lançamento previsto para 2027: áudio sem perdas e de alta resolução, som surround multicanal e áudio espacial. É aí que os 7,5 Mbps fazem diferença, mas a velocidade não é a única condição — o codec, o número de canais e a latência dependem de uma norma de áudio que ainda não está publicada.

Estojo de carga fechado de auscultadores sem fios, em fotografia de produto sobre fundo claro.

Auscultadores sem fios: o áudio é a primeira aplicação prevista para o novo modo de rádio, mas só em 2027 e apenas entre aparelhos que suportem HDT. Este estojo de carga é uma imagem de arquivo, não um produto com a norma. Foto: RuinDig/Yuki Uchida, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.

Há limites que não desaparecem com a nova especificação. O HDT exige que os dois lados o suportem: um telemóvel atual continua a falar com auscultadores novos a 2 Mbps, e o contrário também. A taxa de 7,5 Mbps é um teto da camada física, não a velocidade que aparece numa transferência de ficheiros, que desconta cabeçalhos, reconhecimentos e repetições. E as modulações mais densas precisam de melhor relação sinal-ruído: com distância ou obstáculos, o sistema desce para modos mais lentos e robustos.

A compatibilidade com versões anteriores foi mantida, o que significa que a transição é lenta por desenho: os aparelhos antigos continuam a funcionar como antes e nada muda no que já está no bolso. Não encontrámos, até agora, nenhum anúncio de telemóvel, auscultador ou computador com HDT.

A SIG descreve ainda ganhos de eficiência energética: mover o mesmo volume de dados em menos tempo deixa o rádio mais tempo em repouso. É uma afirmação da norma, não uma medição independente, e depende do tipo de tráfego.

O que mais mudou na versão 7.0

Além do HDT, a Core 7.0 acrescenta a possibilidade de alterar os parâmetros de um fluxo isócrono já estabelecido — o tipo usado em áudio — sem o desligar e voltar a ligar; um modo de cifra oportunista, que permite ligações cifradas sem emparelhamento prévio mas sem proteção contra ataques de intermediário; e um mecanismo de informação sobre a qualidade do canal, usado pelo controlador para escolher a taxa.

7,5 Mbps é o teto da camada de rádio, não a velocidade que vai ver no telemóvel: exige dois aparelhos com HDT e, para áudio, uma norma que só chega em 2027.

Para quem compra equipamento agora, a decisão prática não muda. A norma está fechada, os primeiros produtos deverão seguir-se ao áudio de 2027, e a adoção em massa depende de os fabricantes de chips e de telemóveis integrarem a funcionalidade — o mesmo caminho lento que o LE Audio percorreu desde 2020.

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