Esquema editorial sobre o Linux 7.2, USB4STREAM e escalonamento consciente da cache
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Linux 7.2 já saiu e permite transferir dados diretamente entre computadores por USB4

O Linux 7.2 já está disponível. A nova versão estável do kernel foi lançada a 16 de agosto de 2026 e traz melhorias para processadores modernos, sistemas de ficheiros, memória, gráficos e vários componentes de hardware.

Uma das novidades mais invulgares chama-se USB4STREAM. O protocolo permite transferir dados diretamente entre dois computadores ligados por um cabo USB4 ou Thunderbolt, através de dispositivos expostos pelo kernel como /dev/tbstreamX. A comunicação pode coexistir com a rede Thunderbolt tradicional e não exige um switch ou uma ligação Ethernet entre as máquinas.

Esquema de dois computadores ligados diretamente por USB4 ou Thunderbolt

Esquema explicativo do USB4STREAM no Linux 7.2. A ligação é conceptual: o funcionamento real depende do suporte de hardware, da compatibilidade dos controladores e da configuração do sistema.

Na prática, isto pode ser útil para copiar grandes volumes de dados entre computadores, fazer uma transferência rápida para um servidor ou ligar diretamente dois sistemas quando não existe uma rede preparada. O Linux disponibiliza a interface através de operações normais de leitura e escrita, o que permite utilizar ferramentas como dd ou cat.

O processador passa a ter em conta a cache

O Linux 7.2 introduz também o cache-aware scheduling, uma alteração ao escalonador que tenta manter tarefas relacionadas em núcleos que partilham o mesmo domínio de cache de último nível.

Em processadores com vários chiplets ou vários grupos de núcleos, uma tarefa pode perder desempenho quando os seus dados têm de circular repetidamente entre caches diferentes. Ao considerar a topologia da cache, o kernel pode reduzir parte desse movimento e diminuir os chamados cache misses. O benefício não é igual em todos os computadores: depende do processador, da carga e da forma como as aplicações distribuem o trabalho.

Esquema com dois domínios de cache e quatro CPUs

Representação simplificada da ideia de escalonamento consciente da cache. As topologias reais variam entre processadores e o ganho de desempenho não é garantido.

A nova versão inclui ainda melhorias na gestão de memória, no acesso a sistemas de ficheiros como ext4 e Btrfs e no desempenho de várias operações de I/O.

Mais suporte para hardware recente

O kernel 7.2 acrescenta suporte inicial para algumas plataformas Apple M3, melhorias para processadores e gráficos AMD e Intel, suporte inicial para HDMI 2.1 FRL no controlador AMDGPU e novos controladores para portáteis, adaptadores e periféricos.

Também há alterações no suporte de armazenamento, USB, Wi-Fi e sistemas de ficheiros. Ao mesmo tempo, algumas tecnologias muito antigas foram removidas ou deixaram de ser mantidas no núcleo principal.

Imagem editorial do Linux 7.2 com USB4STREAM e escalonamento consciente da cache

Imagem editorial do Linux 7.2. O desenho resume as duas alterações destacadas no artigo e não representa uma captura do kernel em execução.

O lançamento não significa que todos os utilizadores devam instalar imediatamente o kernel manualmente. Distribuições como Ubuntu, Debian, Fedora, Arch Linux e openSUSE terão de integrar, testar e distribuir os seus próprios pacotes. Em sistemas de produção, a compatibilidade dos módulos, dos controladores e do arranque seguro deve ser validada antes da atualização.

O Linux 7.2 é, assim, uma atualização menos visível para o utilizador comum, mas importante para quem utiliza hardware moderno, servidores, estações de trabalho ou sistemas que dependem de transferências rápidas e de uma gestão mais eficiente dos recursos do processador.

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