Esquema de redes nacionais interligadas por uma componente europeia, mantendo o controlo nacional.

Ilustração explicativa: Portugal Binário

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UE propõe ligar redes de emergência a partir de 2030

A Comissão Europeia apresentou esta quarta-feira uma proposta para interligar as redes nacionais de comunicações de emergência. O EUCCS pretende permitir que equipas de países diferentes comuniquem durante uma crise, com um arranque gradual a partir de 2030. Ainda não é legislação aprovada: o pacote depende do Parlamento Europeu e do Conselho.

A proposta liga os sistemas nacionais através de uma componente europeia, sem retirar aos países o controlo das suas redes. Não anuncia a substituição do SIRESP nem a entrada automática de todos os serviços de protecção civil.

O problema que Bruxelas procura resolver é prático: uma equipa enviada para ajudar num incêndio ou numa inundação noutro país pode encontrar sistemas de rádio incompatíveis. A Comissão quer tornar possível a cooperação em tempo real, sem depender de ligações improvisadas entre serviços.

Uma ligação europeia, não uma rede única

O desenho escolhido é um «sistema de sistemas». Cada país conserva a sua rede e o controlo operacional; a componente europeia assegura a interligação. A proposta prevê centros de monitorização da rede e de segurança para apoiar essa ligação e acompanhar riscos de cibersegurança.

A mudança também vai além da voz. A Comissão apresenta a passagem do rádio de banda estreita para comunicações de banda larga, como o 5G, como forma de partilhar vídeo, mensagens, dados e localização. São capacidades pretendidas, não serviços que o EUCCS já disponibilize no terreno.

O anexo legislativo exige capacidades próprias de comunicações críticas, incluindo prioridade de acesso à rede, energia de reserva e redundância nas ligações. Ter cobertura móvel comercial, por si só, não demonstra que uma rede esteja pronta para cumprir esses requisitos.

Três fases, sujeitas à negociação

Primeira fase proposta1 de Dezembro de 2030
Segunda fase proposta1 de Dezembro de 2033
Terceira fase proposta1 de Dezembro de 2036
Custo adicional estimadocerca de 3,57 mil milhões de euros, no horizonte de sete anos da avaliação
Estado legislativopropostas por adoptar

O artigo 14.º organiza a interligação por níveis de maturidade técnica. A entrada depende de as redes nacionais cumprirem os requisitos da fase correspondente; não significa que todos os países comecem ao mesmo tempo. O calendário e as obrigações podem mudar durante o processo legislativo.

Três redes nacionais mantêm o controlo local e ligam-se a uma componente europeia comum.

Esquema explicativo da interligação proposta. Ilustração: Portugal Binário.

A avaliação de impacto calcula custos adicionais face à continuação da situação actual, não o preço integral de todas as redes nacionais. O valor da ficha é uma estimativa para o conjunto do sistema, repartida entre os Estados e a componente europeia. Não é uma verba já autorizada nem uma factura atribuída a Portugal.

Protecção civil não entra automaticamente

O pacote inclui uma segunda proposta, dedicada ao uso do sistema pela protecção civil. Nesse texto, a participação das autoridades deste sector permanece voluntária: os Estados podem ligar serviços de combate a incêndios, salvamento e emergência médica.

Essa opção deve distinguir-se da obrigação proposta de interligar os sistemas nacionais acreditados. A lista de profissionais mencionada no anúncio não permite concluir que todos os bombeiros e todas as ambulâncias portugueses tenham de aderir ao EUCCS.

O que isto significa para o SIRESP

Em Portugal, a proposta surge enquanto o SIRESP segue um processo nacional de reforço e evolução. Num esclarecimento de Maio, o Governo separou as medidas urgentes de resiliência da transição tecnológica de médio e longo prazo, para a qual escolheu um modelo híbrido que aproveita infra-estruturas existentes.

O mesmo esclarecimento rejeita a leitura de que a rede actual seria desmantelada: a evolução deve ser gradual, mantendo a continuidade operacional. É uma posição do Governo sobre o percurso nacional, não prova de que o SIRESP já satisfaça os requisitos europeus agora propostos.

A proposta europeia não determina, por si só, o contrato, os fornecedores ou o orçamento dessa evolução portuguesa. Ligar redes de países diferentes e modernizar uma rede nacional são tarefas relacionadas, mas não são o mesmo investimento nem têm automaticamente o mesmo calendário.

A novidade é, portanto, uma proposta de ligação transfronteiriça com requisitos comuns, e não uma nova rede de emergência já em funcionamento. Para Portugal, o efeito concreto dependerá da legislação que for aprovada, da preparação do sistema nacional e das escolhas de participação dos serviços de protecção civil.

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