A Starship da SpaceX alcançou pela primeira vez a órbita terrestre no 14.º voo de teste, como a empresa anunciou no X. Um motor do estágio superior desligou-se antes do previsto; depois de avaliar a situação, a equipa de controlo decidiu tentar a manobra de inserção orbital — e conseguiu-a.
Entrar em órbita exige mais do que subir ao espaço: o veículo tem de ganhar velocidade lateral suficiente para continuar a contornar a Terra, em vez de regressar logo à atmosfera. É a diferença entre uma trajectória suborbital e uma nave capaz de prosseguir à volta do planeta.
| Órbita | cerca de 269 km |
|---|---|
| Carga | 26 satélites Starlink V3 libertados |
| Duração efectiva | cerca de 3 horas |
| Duração prevista | cerca de 10 horas |
Uma anomalia não cancelou o objectivo
Segundo o despacho da Reuters publicado pela RTÉ, o motor desligou-se durante a subida e a equipa chegou a considerar não prosseguir para a órbita. Minutos depois, uma avaliação de engenharia indicou que a nave ainda podia tentar a queima de inserção; os controladores mudaram a decisão e a manobra resultou.
O avanço está também na forma como a equipa geriu o risco: avaliou o estado do veículo antes de continuar, em vez de tratar o plano inicial como garantido. A falha não prova que o sistema seja imune a problemas; mostra que, neste voo, a anomalia não impediu o objectivo orbital.
Diagrama esquemático da subida, inserção orbital e libertação da carga; não está à escala. Os símbolos são esquemáticos, não fotografias dos veículos.
A carga chegou; a reutilização continua por provar
Já em órbita baixa, a Starship libertou com sucesso os 26 satélites Starlink V3. Elon Musk disse no X que todos estavam a funcionar normalmente.
O contraste com o voo 12, em Maio, ajuda a medir o salto: na estreia da versão V3, a Starship largou 20 simuladores de satélite e o booster perdeu-se. Agora, além de entrar em órbita, a nave levou satélites destinados à constelação — um avanço concreto, mas ainda não uma demonstração de serviço comercial rotineiro.
Starship na plataforma; marca Global Snap.
Crédito: Imagem cedida pelo editor.
O primeiro estágio Super Heavy regressou ao Golfo do México numa descida controlada, apesar de alguns motores terem parado durante a descida. Foi um resultado de voo útil, mas não uma recuperação: o booster não foi capturado nem voltou a terra para ser inspeccionado e reutilizado.
A nave superior teve um desfecho mais duro. Depois da reentrada, chegou ao Pacífico, tombou e explodiu ao tocar nas ondas, segundo a cronologia da Space.com. Nenhum dos dois veículos foi recuperado; o voo não demonstrou que a Starship possa regressar pronta para uma nova missão.
A missão foi encurtada após a anomalia, deixando por executar parte do perfil inicialmente previsto. Isso não apaga os marcos alcançados, mas impede confundir «chegou à órbita» com «completou todo o plano»: a duração, a recuperação e a reutilização continuam a ser testes separados.
Um primeiro passo, não a linha de chegada
A SpaceX desenvolve a Starship para transportar carga e apoiar futuras missões lunares, mas este voo não testou uma aterragem recuperável, uma segunda utilização ou uma transferência de combustível em órbita. Cada uma dessas capacidades exige novas demonstrações; nenhuma decorre automaticamente da primeira entrada orbital.
Há razões objectivas para entusiasmo: depois de uma falha de motor, a equipa ajustou a decisão e atingiu um marco que a Starship ainda não tinha alcançado. O passo seguinte é repetir o feito.
A reutilização continua por conquistar: os veículos terão de regressar, ser recuperados e voar outra vez. A esperança é grande — e, desta vez, assenta num resultado concreto.
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