Paisagem do interior do Douro vista de um miradouro: encostas terraçadas com oliveiras e vinha, casais de telha vermelha dispersos, montes cobertos de floresta e serras ao fundo

Fotografia: Vitor Oliveira — Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0). Ervedosa do Douro (São João da Pesqueira), imagem de arquivo, não do projecto.

📡 Telecomunicações

UE financia 5G para 45 municípios do Norte com 7,8 milhões

O 5G.CONNECT foi apresentado publicamente esta sexta-feira no auditório municipal de Carrazeda de Ansiães. O projecto, liderado pela dstelecom e com a NOS como copromotora, prevê 25 antenas novas para 45 municípios de quatro comunidades intermunicipais do Norte e para a via navegável do Douro, com a rede disponível no final de 2028.

A arquitectura é de infraestrutura neutra — uma rede de antenas que vários operadores podem partilhar —, com 5G autónomo e capacidade de processamento junto ao utilizador. À dstelecom cabe a infraestrutura; à NOS, o serviço e a coordenação de parte dos casos de uso.

Vinte e cinco antenas, quarenta e cinco concelhos

Os dois números não medem a mesma coisa. Cada antena terá um raio de três a quatro quilómetros e o objectivo declarado não é cobrir cada município de ponta a ponta, mas tapar entre 25% e 50% das zonas onde hoje o sinal não chega.

«As capitais de distrito já estão muito bem em termos de cobertura 5G e o objetivo é, precisamente, levar a rede 5G àquelas populações que estão mais isoladas, mais dispersas», disse à Lusa Ricardo Henriques, gestor do 5G.Connect. O responsável atribui as falhas de cobertura à orografia e à dispersão da população.

No papel, e sem relevo nem sobreposições, 25 antenas com três a quatro quilómetros de raio dão entre cerca de 700 e 1 250 km². Só duas das comunidades intermunicipais abrangidas — Terras de Trás-os-Montes (5 538 km²) e Alto Tâmega e Barroso (2 922 km²) — somam 8 460 km².

«45 municípios» é o âmbito do projecto; a intervenção física são 25 antenas. O consórcio não diz quais concelhos ficam com antena.
Contribuição da UE7 831 614 €
Custo total declarado10 milhões de euros (75% da UE)
Coordenaçãodstelecom, com a NOS como copromotora
Antenas25, com um raio de 3 a 4 km cada
Municípios45, em quatro comunidades intermunicipais
Douro navegávelcobertura e geolocalização de embarcações
Apresentação pública2 de Outubro de 2026, Carrazeda de Ansiães
Instalação das antenasinício de 2027
Rede disponívelfinal de 2028

Quatro comunidades, 45 concelhos

As comunidades intermunicipais envolvidas são as do Douro (19 municípios), Tâmega e Sousa (11), Terras de Trás-os-Montes (9) e Alto Tâmega e Barroso (6). Somam exactamente 45 concelhos, segundo a composição que cada uma publica — o número anunciado corresponde ao conjunto das quatro.

O que fica ligado

Além da cobertura, o projecto prevê casos de uso em quatro áreas: acção climática, protecção civil, património e acção social. A NOS coordena os de mobilidade sustentável, protecção da natureza, detecção de incêndios e cuidados domiciliários; a innovationPoint, do grupo dst, os de agricultura, comunidades de energia, turismo e gémeo digital.

Os serviços digitais são financiados pelos próprios municípios, disse o gestor do projecto. No Douro há um caso à parte: a APDL, que administra os portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo, entra como parceira associada, ligada à geolocalização de embarcações na via navegável — por onde passam mais de um milhão de turistas por ano.

O calendário

O financiamento europeu foi anunciado pela Comissão a 22 de Janeiro; o projecto foi apresentado em Alijó a 25 de Março, com o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, e a sessão desta sexta-feira serve para o apresentar aos municípios. Os trabalhos já começaram, com reuniões com as autarquias, e as antenas — da NOS — devem começar a ser instaladas no início de 2027.

Vista da vila de Carrazeda de Ansiães, no alto de uma encosta, a partir de um miradouro: pequeno açude em primeiro plano, pinhal e campos secos a meio, casario branco de telha vermelha na linha do horizonte

Carrazeda de Ansiães, onde o 5G.CONNECT foi apresentado esta sexta-feira. A primeira antena só deve chegar no início de 2027.

Crédito: Fotografia: Vitor Oliveira — Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Quem paga

O 5G.CONNECT foi um dos 12 projectos financiados no quarto convite do CEF Digital, o programa europeu para infraestruturas digitais, anunciados a 22 de Janeiro com um total de 106 milhões de euros. Metade do dinheiro foi para «comunidades inteligentes» de 5G, a linha em que ficou o projecto português.

A Comissão fixa a contribuição europeia em 7 831 614 euros. O consórcio fala de um investimento de 10 milhões, 75% cofinanciados pela União Europeia. Os dois números não se contradizem: 7 831 614 euros correspondem a 75% de cerca de 10,44 milhões, ou seja, o «10 milhões» é um arredondamento.

Com o projecto anterior aconteceu o mesmo arredondamento. O 5G.RURAL, que levou rede a zonas remotas do Alentejo, foi noticiado como 5,3 milhões de euros com 75% de cofinanciamento europeu; na lista de projectos da HaDEA, a agência que gere o programa, o custo total é de 5,3 milhões e a contribuição europeia é de 3,9 milhões — 73,6%.

Estes projectos servem a meta da Década Digital de cobertura 5G em todas as zonas povoadas da União até 2030. Com este convite, o primeiro programa de trabalho do CEF Digital chega a 327 milhões de euros e 78 projectos de 5G.

Fica por saber quais concelhos recebem antena e em que locais, e se o prazo de 2027 se cumpre. Por agora, o número publicado com precisão é o da contribuição europeia; o final de 2028 é a data que o consórcio indica.

💬 Comentários

Nenhum comentário ainda. Sê o primeiro a comentar!