O 5G.CONNECT foi apresentado publicamente esta sexta-feira no auditório municipal de Carrazeda de Ansiães. O projecto, liderado pela dstelecom e com a NOS como copromotora, prevê 25 antenas novas para 45 municípios de quatro comunidades intermunicipais do Norte e para a via navegável do Douro, com a rede disponível no final de 2028.
A arquitectura é de infraestrutura neutra — uma rede de antenas que vários operadores podem partilhar —, com 5G autónomo e capacidade de processamento junto ao utilizador. À dstelecom cabe a infraestrutura; à NOS, o serviço e a coordenação de parte dos casos de uso.
Vinte e cinco antenas, quarenta e cinco concelhos
Os dois números não medem a mesma coisa. Cada antena terá um raio de três a quatro quilómetros e o objectivo declarado não é cobrir cada município de ponta a ponta, mas tapar entre 25% e 50% das zonas onde hoje o sinal não chega.
«As capitais de distrito já estão muito bem em termos de cobertura 5G e o objetivo é, precisamente, levar a rede 5G àquelas populações que estão mais isoladas, mais dispersas», disse à Lusa Ricardo Henriques, gestor do 5G.Connect. O responsável atribui as falhas de cobertura à orografia e à dispersão da população.
No papel, e sem relevo nem sobreposições, 25 antenas com três a quatro quilómetros de raio dão entre cerca de 700 e 1 250 km². Só duas das comunidades intermunicipais abrangidas — Terras de Trás-os-Montes (5 538 km²) e Alto Tâmega e Barroso (2 922 km²) — somam 8 460 km².
| Contribuição da UE | 7 831 614 € |
|---|---|
| Custo total declarado | 10 milhões de euros (75% da UE) |
| Coordenação | dstelecom, com a NOS como copromotora |
| Antenas | 25, com um raio de 3 a 4 km cada |
| Municípios | 45, em quatro comunidades intermunicipais |
| Douro navegável | cobertura e geolocalização de embarcações |
| Apresentação pública | 2 de Outubro de 2026, Carrazeda de Ansiães |
| Instalação das antenas | início de 2027 |
| Rede disponível | final de 2028 |
Quatro comunidades, 45 concelhos
As comunidades intermunicipais envolvidas são as do Douro (19 municípios), Tâmega e Sousa (11), Terras de Trás-os-Montes (9) e Alto Tâmega e Barroso (6). Somam exactamente 45 concelhos, segundo a composição que cada uma publica — o número anunciado corresponde ao conjunto das quatro.
O que fica ligado
Além da cobertura, o projecto prevê casos de uso em quatro áreas: acção climática, protecção civil, património e acção social. A NOS coordena os de mobilidade sustentável, protecção da natureza, detecção de incêndios e cuidados domiciliários; a innovationPoint, do grupo dst, os de agricultura, comunidades de energia, turismo e gémeo digital.
Os serviços digitais são financiados pelos próprios municípios, disse o gestor do projecto. No Douro há um caso à parte: a APDL, que administra os portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo, entra como parceira associada, ligada à geolocalização de embarcações na via navegável — por onde passam mais de um milhão de turistas por ano.
O calendário
O financiamento europeu foi anunciado pela Comissão a 22 de Janeiro; o projecto foi apresentado em Alijó a 25 de Março, com o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, e a sessão desta sexta-feira serve para o apresentar aos municípios. Os trabalhos já começaram, com reuniões com as autarquias, e as antenas — da NOS — devem começar a ser instaladas no início de 2027.
Carrazeda de Ansiães, onde o 5G.CONNECT foi apresentado esta sexta-feira. A primeira antena só deve chegar no início de 2027.
Crédito: Fotografia: Vitor Oliveira — Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
Quem paga
O 5G.CONNECT foi um dos 12 projectos financiados no quarto convite do CEF Digital, o programa europeu para infraestruturas digitais, anunciados a 22 de Janeiro com um total de 106 milhões de euros. Metade do dinheiro foi para «comunidades inteligentes» de 5G, a linha em que ficou o projecto português.
A Comissão fixa a contribuição europeia em 7 831 614 euros. O consórcio fala de um investimento de 10 milhões, 75% cofinanciados pela União Europeia. Os dois números não se contradizem: 7 831 614 euros correspondem a 75% de cerca de 10,44 milhões, ou seja, o «10 milhões» é um arredondamento.
Com o projecto anterior aconteceu o mesmo arredondamento. O 5G.RURAL, que levou rede a zonas remotas do Alentejo, foi noticiado como 5,3 milhões de euros com 75% de cofinanciamento europeu; na lista de projectos da HaDEA, a agência que gere o programa, o custo total é de 5,3 milhões e a contribuição europeia é de 3,9 milhões — 73,6%.
Estes projectos servem a meta da Década Digital de cobertura 5G em todas as zonas povoadas da União até 2030. Com este convite, o primeiro programa de trabalho do CEF Digital chega a 327 milhões de euros e 78 projectos de 5G.
Fica por saber quais concelhos recebem antena e em que locais, e se o prazo de 2027 se cumpre. Por agora, o número publicado com precisão é o da contribuição europeia; o final de 2028 é a data que o consórcio indica.
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