Participantes reunidos à volta de uma mesa durante a COP28, com bandeiras de Espanha e da União Europeia.

Reunião na COP28, no Dubai, em 2023. Foto: Ryan Lim / Comissão Europeia, CC BY 4.0.

⚡ Energia

ZERO e Oikos pedem prazos para deixar os combustíveis fósseis na COP31

A ZERO e a Oikos pedem aos países que apresentem calendários para deixar o carvão, o petróleo e o gás, tanto na produção como no consumo. As organizações portuguesas levam o apelo à COP31, a conferência do clima das Nações Unidas que se realiza de 9 a 20 de novembro em Antália, na Turquia.

Num comunicado divulgado esta quarta-feira, as duas associações defendem que os países desenvolvidos devem avançar primeiro. Pedem ainda que sejam travadas novas explorações incompatíveis com uma trajetória de 1,5 °C e eliminados os subsídios aos combustíveis fósseis. São propostas das organizações, não decisões tomadas pela conferência.

A decisão de 2023 apelou a uma transição para longe dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos. A ZERO e a Oikos querem agora calendários nacionais que concretizem esse compromisso.

Do compromisso aos calendários

Na COP28, realizada no Dubai em 2023, os países acordaram uma decisão que inclui a transição para longe dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos, de forma justa, ordenada e equitativa. A UNFCCC, organismo da ONU responsável pelas negociações climáticas, inclui também nesse resultado a redução gradual do carvão sem sistemas de captura de emissões e a eliminação dos subsídios ineficientes aos combustíveis fósseis.

A ZERO e a Oikos querem que a COP31 acolha o roteiro da presidência brasileira da COP30 e peça aos países planos nacionais de saída dos fósseis. No comunicado conjunto, defendem igualmente a continuação e o reforço do programa de trabalho sobre mitigação, ou seja, sobre a redução das emissões que provocam o aquecimento global.

O fosso entre promessas e cortes

O relatório de 2026 do Programa das Nações Unidas para o Ambiente ilustra a dimensão do desafio. Num cenário que procura limitar a ultrapassagem de 1,5 °C e regressar a esse patamar até 2100, com cerca de 50% de probabilidade, as emissões globais teriam de cair 18% até 2030 e 45% até 2035, em relação a 2025. O cenário pressupõe também uma remoção crescente de dióxido de carbono ao longo do século.

Em contraste, o cumprimento integral dos compromissos nacionais analisados no relatório corresponderia a reduções de 5% a 8% em 2030 e de 11% a 15% em 2035, face a 2025. O programa estima que esses compromissos apontam para um aquecimento de 2,6 °C neste século. São projeções condicionadas a cenários, não previsões exatas.

Financiamento e posição portuguesa

As organizações pedem financiamento climático previsível, em particular para ajudar os países mais vulneráveis a adaptar-se aos impactos das alterações climáticas. Defendem mais subvenções, que não aumentem a dívida dos destinatários, e novas contribuições para fundos climáticos. Pedem também que o mecanismo de transição justa tenha meios, governação e um calendário para funcionar em 2027.

Para Portugal, propõem um plano plurianual de financiamento climático, apoio a um fundo lusófono e um roteiro que inclua uma data para terminar o uso de gás fóssil na produção de eletricidade. As duas associações dizem que acompanharão as negociações em Antália e estarão em contacto com a delegação portuguesa.

A UNFCCC confirma que a Turquia acolhe e preside à COP31, enquanto a Austrália assume a presidência das negociações. A conferência ainda não começou; os resultados dependerão das decisões dos países participantes.

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