Médicos que compararam documentos de alta hospitalar preferiram os textos gerados por inteligência artificial em 57 de 60 internamentos analisados num estudo da Universidade de Stony Brook, nos Estados Unidos. Os dois tipos de resumo continham erros e a investigação não demonstrou que o uso da ferramenta melhore os resultados dos doentes.
Os investigadores analisaram casos anteriores de medicina interna, com internamentos de sete a 21 dias. Compararam os resumos escritos por profissionais durante a prestação de cuidados com versões geradas a partir dos registos clínicos por um modelo de linguagem — um sistema capaz de processar e produzir texto. Médicos hospitalares e de cuidados primários avaliaram os documentos.
Um resumo de alta transmite ao profissional que acompanha o doente depois da hospitalização informações sobre o internamento, tratamentos e necessidades de seguimento. Quando a permanência é longa, reunir esses dados pode implicar percorrer muitas notas clínicas.
O que mediram
Os avaliadores preferiram os resumos gerados por IA em 57 dos 60 casos, ou 95%, e atribuíram-lhes classificações superiores para qualidade, legibilidade, exatidão factual e completude. Assinalaram também menos erros por resumo, sobretudo devido a menos omissões de informação considerada clinicamente relevante. O resultado é uma avaliação dos documentos por médicos, não uma medição de acerto em 95% dos factos.
A diferença no número de inexatidões assinaladas, analisadas separadamente, não foi estatisticamente significativa. Também não houve diferença estatisticamente significativa na gravidade potencial ou na probabilidade de dano estimadas para os erros. Isso não demonstra que os dois métodos sejam igualmente seguros.
A equipa partiu de 400 internamentos históricos; 385 cumpriam os critérios e 60 foram selecionados para avaliação. Os 12 médicos que avaliaram os textos sabiam quais tinham sido gerados por IA, o que pode influenciar a comparação. O estudo foi realizado num único hospital e usou casos de internamentos mais prolongados, pelo que os resultados não devem ser automaticamente generalizados a outros contextos.
O que falta testar
A análise foi retrospetiva: os investigadores compararam documentos, sem medir se a utilização da ferramenta na rotina melhora o seguimento, reduz reinternamentos ou poupa efetivamente tempo aos médicos. A universidade refere que a avaliação em prática clínica está entre os passos futuros considerados.
Os autores sublinham que um profissional deve rever e verificar os rascunhos gerados antes de os incluir no processo clínico. Uma preferência por um documento mais legível não substitui essa verificação.
O estudo foi publicado a 2 de outubro de 2026 na npj Digital Medicine, numa versão aceite após revisão por pares, e divulgado pela universidade a 2 de novembro.
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