Uma equipa da Universidade de Sheffield reproduziu o efeito de mudança de cor da Taça de Licurgo, uma peça romana do século IV: o vidro parece verde quando reflete a luz e vermelho quando é iluminado por trás. O material desenvolvido pela especialista Lisa Hollands foi usado numa escultura contemporânea, cuja apresentação pública está prevista para novembro.
A taça original, conservada no British Museum, é feita de vidro dicroico, assim chamado por apresentar cores diferentes consoante a forma como a luz o atravessa ou é refletida. A peça mostra o rei mitológico Licurgo preso por uma videira.
Ouro, prata e luz
Segundo a universidade, pequenas partículas de ouro e prata formadas no vidro interagem com a luz e estão associadas ao efeito de cor. Essas partículas são muito menores do que o comprimento de onda da luz visível. Conseguir a cor pretendida exige controlar a composição do vidro e as condições de fabrico.
Hollands trabalhou com Caroline Jackson, especialista em vidro romano, para desenvolver um vidro de base com materiais modernos. Depois experimentou ingredientes, fornos e níveis de oxigénio até obter o efeito pretendido. A equipa usou o material numa escultura do artista Elliot Walker inspirada na taça.
A reprodução mostra que é possível obter um efeito semelhante com uma receita moderna. Não prova qual foi exatamente a técnica empregue pelos artesãos romanos. Já tinham existido reproduções anteriores de vidro dicroico; a Universidade de Sheffield destaca a obtenção do efeito de forma consistente e em quantidade para a nova peça.
Uma peça antiga, uma exposição nova
A escultura será apresentada na Millennium Gallery, durante o Festival of the Mind, de 6 a 15 de novembro, segundo a universidade. Depois deverá integrar a coleção do Turner Museum of Glass. O anúncio da universidade é de 26 de outubro; a exposição é o próximo acontecimento público associado ao projeto.
O trabalho aproxima a história do fabrico do vidro da investigação sobre a interação entre materiais e luz. A peça é uma interpretação contemporânea, não uma réplica arqueológica da taça original.
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