Portugal assinou esta segunda-feira, em Atenas, um acordo com a Grécia para vender três aviões de transporte militar KC-390, num negócio de cerca de 590 milhões de euros. A primeira aeronave é entregue em 2027 e as restantes em 2029 e 2031. Além dos aviões, o contrato inclui equipamento de missão e apoio à entrada em serviço, e Portugal fica responsável por formar em Beja as tripulações e os mecânicos gregos.
O KC-390 é um avião de transporte militar da brasileira Embraer, com dois motores a jacto e capacidade para levar tropas, carga e veículos, além de poder ser configurado para reabastecer outras aeronaves em voo. A Força Aérea Portuguesa opera o modelo e a configuração que lhe é própria — a chamada configuração NATO — é a que vai para a Grécia, o que faz de Portugal o vendedor e não apenas um cliente da fabricante.
No acordo assinado pelo director-geral de Armamento e Património da Defesa Nacional, António José Batista, e pelo homólogo grego, major-general Ioannis Bouras, Portugal assegura a supervisão da produção, o apoio à aceitação e entrega, a transição operacional e o apoio logístico. Foi também assinado um acordo de cooperação bilateral entre as duas forças aéreas. Segundo o comunicado do Ministério da Defesa, o entendimento transforma a cooperação em defesa que existe desde Abril de 2025 numa parceria operacional de longo prazo.
| Aeronaves | 3 KC-390 |
|---|---|
| Valor do contrato | cerca de 590 milhões de euros |
| Retorno para a indústria nacional | 33 milhões (11 milhões por aeronave) |
| Entregas | 2027, 2029 e 2031 |
| Formação das tripulações gregas | Base Aérea n.º 11, Beja |
| Acordo de cooperação em defesa entre os dois países | em vigor desde Abril de 2025 |
O ministro da Defesa, Nuno Melo, descreveu o acordo como um passo de uma «parceria estratégica de longo prazo, e não um simples programa de aquisição», e apontou a formação, a manutenção, a logística e o apoio operacional como áreas de cooperação. O seu homólogo grego, Nikos Dendias, destacou a experiência portuguesa na operação do KC-390, segundo o ECO.
A frota que dá argumento a Portugal
Portugal tem seis KC-390 encomendados e um simulador, operados pela Esquadra 506 «Rinocerontes» na Base Aérea n.º 11, em Beja. O quarto chegou a 24 de Janeiro, trazendo o kit de reabastecimento aéreo — depósitos de combustível no interior da fuselagem e equipamento de reabastecimento sob as asas — e deu à Força Aérea, pela primeira vez, a capacidade de reabastecer outras aeronaves em voo. É esta experiência acumulada que Portugal apresenta como credencial a quem compra.
Um sistema de artilharia HIMARS é carregado num KC-390 da Força Aérea Portuguesa em Ramstein, na Alemanha, em Julho de 2024. Fotografia da Força Aérea dos Estados Unidos, em domínio público.
Drones e satélites: intenções, ainda sem contrato
Na mesma visita, Nuno Melo disse que os dois países querem aprofundar a cooperação na produção de drones, em satélites, sistemas de defesa e aeronaves. Dendias falou em alargar parcerias à construção de aeronaves e embarcações, dando como exemplo os «porta-drones». São declarações de intenção: não foi anunciado nenhum programa, calendário ou financiamento para estas áreas.
O que continua em aberto
Não se sabe que empresas portuguesas recebem os 33 milhões de euros de retorno nem como será calculado esse valor. O comunicado também não confirma opções para mais aeronaves e o valor global inclui equipamento e apoio, não apenas as três células. E, como as entregas vão até 2031, o negócio só estará completo dentro de cinco anos.
Para já, o que fica assinado é isto: três aviões, um calendário de entregas e uma ligação entre duas forças aéreas que partilham o mesmo modelo. O próximo marco é 2027, com a primeira aeronave grega — e, até lá, a formação em Beja será o teste prático à ideia de que o centro de treino português pode ser uma referência internacional.
💬 Comentários
Nenhum comentário ainda. Sê o primeiro a comentar!