O primeiro contrato do cluster de defesa Industrial Portugal Gateway foi anunciado a 25 de setembro, na apresentação do projeto em Portalegre. Uma empresa da Malásia ligada à aviação e à produção de drones está a estudar uma unidade no distrito, com um investimento estimado entre 10 e 20 milhões de euros.
O nome da empresa, o concelho e o financiamento continuam por definir. «Acabámos de celebrar um contrato com uma empresa da Malásia», disse aos jornalistas o presidente da NERPOR, Tiago Braga; o valor, explicou, ainda não está fechado e depende de um estudo de viabilidade.
Um contrato para estudar, não para construir
Segundo o ECO, o contrato serve para desenvolver e estruturar o projeto de instalação. Não há, por agora, decisão de construir, e o local não está escolhido.
A NERPOR diz que o projeto é «para os 15 concelhos do distrito» e que a escolha — a ser trabalhada com a Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo e os municípios — dependerá de terrenos, acessos, infraestruturas e trabalhadores disponíveis.
O nome da empresa não foi divulgado, por confidencialidade comercial. Esta semana, a CEO do promotor, Mafalda Colaço Marques, disse ao ECO que «seria prematuro especificar se a operação abrangerá produção integral, componentes, montagem, manutenção ou desenvolvimento tecnológico».
| Investimento estimado | 10 a 20 milhões de euros |
|---|---|
| Horizonte invocado | cerca de dois anos até à primeira peça |
| Contrato | anunciado a 25 de setembro de 2026 |
| Empresa | da Malásia, nome não divulgado |
| Localização | por escolher entre os 15 concelhos do distrito |
| Empresa promotora | Luso Defense Group, constituída em agosto de 2025 |
Quem promove o cluster
O Industrial Portugal Gateway é promovido pela Luso Defense Group, uma empresa portuguesa com sede no Parque de Feiras e Exposições de Portalegre, em parceria com a NERPOR, que cede as instalações como base operacional.
A plataforma acompanha as empresas no licenciamento, no enquadramento jurídico, no financiamento e na construção, prevendo uma fase de incubação antes da instalação. De acordo com o registo comercial consultado, a Luso Defense Group foi constituída em agosto de 2025 e tem capital social de 10 mil euros.
O objeto social vai do fabrico de equipamentos com tecnologia laser à «fabricação de veículos militares de combate». A empresa desenvolve também o Fire Sentinel Command, uma plataforma de apoio à decisão contra incêndios que cruza imagens de drones, dados de satélite e meteorologia, e que ainda aguarda a primeira compra municipal.
O dinheiro que existe à volta
O que existe à volta do projeto é um instrumento, não um apoio: o Portugal 2030 tem um aviso dedicado ao investimento empresarial produtivo no setor da defesa no Alentejo, com prioridade para as capacidades industriais de defesa e candidaturas individuais de promotores privados.
Nenhum apoio público a este contrato foi anunciado, e nenhuma das partes falou de candidaturas. A ficha regional apresenta o aviso como previsão, com lançamento entre setembro e dezembro deste ano.
O que foi dito — e o que ninguém prometeu
Na apresentação, o diretor-geral do Armamento e Património da Defesa Nacional, António José Batista, felicitou os promotores e disse que «na área da defesa os salários são pagos acima da média». Não apresentou valores salariais, previsões de emprego, empresas com unidades aprovadas, financiamento ou qualquer acordo da sua direção-geral com a plataforma.
Para a NERPOR, o ganho está nos fornecedores: a associação quer que a metalomecânica, a eletrónica, a construção, a manutenção e os serviços da região entrem nas cadeias de valor. Braga diz que o percurso «do estudo de mercado à primeira peça produzida» leva sempre dois anos.
Não é o primeiro anúncio
Uma semana antes, a 30 de setembro, foi anunciado outro projeto de produção de drones em Portugal: a portuguesa Keydef, do grupo bracarense Sketchpixel, assinou um acordo com a indiana Flying Wedge Defence and Aerospace, com 6 milhões de euros de injeção inicial que poderão chegar aos 50 milhões.
O projeto deverá empregar 50 trabalhadores e a localização também não está fechada: a empresa está a avaliar «terrenos, infraestruturas, incentivos e acesso a talento qualificado» oferecidos por vários municípios.
A própria Luso Defense Group promove uma feira: a Iberian Defense Expo, bienal, está marcada para 22 a 25 de setembro de 2027, em Portalegre. O que muda o estado do projeto é o passo seguinte: o estudo de viabilidade, a escolha do concelho, a identificação da empresa e uma eventual candidatura aos fundos do Portugal 2030.
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