Aeronave não tripulada branca de asa fixa assente num carril de lançamento, com a rodela da Força Aérea britânica na asa, e um militar fardado de camuflagem agachado ao lado, num campo de erva verde.

Royal Air Force / Ministério da Defesa britânico (OGL 3) — drone StormShroud, baseado no Tekever AR3, em 2025; recorte 16:9

🛡️ Defesa

Tekever abre sede em Munique e tem o primeiro drone na Bundeswehr

A Tekever abriu esta terça-feira, 13 de outubro, uma operação própria na Alemanha, com sede em Munique, que passa a servir a Alemanha, a Áustria e a Suíça. A equipa inicial é de 15 pessoas, maioritariamente engenheiros, e a empresa não divulga quanto vai investir no mercado alemão.

O anúncio tem um argumento concreto: a Bundeswehr já recebeu o primeiro sistema aéreo não tripulado da Tekever. É uma plataforma de carga pesada, que a empresa não identifica no comunicado e que o ECO diz ser o AR6.

O aparelho serve para avaliar, em condições reais, as vantagens de sistemas autónomos com grande autonomia de voo em missões de logística e de apoio às forças. A Tekever diz que a colaboração com as forças armadas alemãs já demonstrou esse valor e inscreve-a na avaliação de conceitos de operação futuros.

15 pessoas e um orçamento de 108 mil milhões

A operação começa pequena e sem números do lado da Tekever: a empresa não indica o investimento previsto nem valores de contratos alemães. Do lado de quem compra, o mercado tem dimensão conhecida — o Bundestag aprovou para 2026 despesas de defesa de 108,2 mil milhões de euros.

Equipa inicial em Munique15 pessoas
Mercado servidoAlemanha, Áustria e Suíça
Ronda Série D580 milhões de dólares, primeiro fecho a 23 de setembro de 2026
Avaliação6,4 mil milhões de dólares (5,5 a 5,6 mil milhões de euros, conforme a conversão)
Orçamento de defesa alemão para 2026108,2 mil milhões de euros

Desse total, 82,69 mil milhões vêm do orçamento regular e 25,51 mil milhões do fundo especial da Bundeswehr, com 47,88 mil milhões reservados para equipamento. É neste mercado, o maior da Europa em despesa de defesa, que a tecnológica portuguesa quer ganhar terreno.

No início de outubro, o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, anunciou que o Exército vai criar durante 2027 o primeiro regimento de drones da Bundeswehr: um corpo autónomo com meios aéreos e terrestres não tripulados, uma companhia de guerra electrónica e cobertura de curta a longa distância.

A mesma receita do Reino Unido e de França

Não é a primeira vez que a Tekever monta estrutura nacional num mercado onde quer vender. No Reino Unido tem centros em Bristol e Swindon e um aeródromo no País de Gales, e assinou em setembro um contrato de 400 milhões de libras com o Exército britânico. Em França inaugurou este ano um centro industrial em Cahors.

O próprio comunicado alemão apresenta o percurso como investimento acumulado: 400 milhões de libras no Reino Unido e 200 milhões de euros em França, antes da Alemanha. A empresa diz ter presença em Portugal, no Reino Unido, em França, na Ucrânia e na Estónia, e abriu um escritório nos Estados Unidos em maio.

Vista sobre o centro de Munique: à esquerda a catedral Frauenkirche, com duas torres de cúpulas verdes, e à direita a torre do novo paço municipal, sobre telhados vermelhos.

Munique, onde fica a sede da operação alemã da Tekever. Fotografia de arquivo, de 2001.

Crédito: Stefan Kühn / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O que a Tekever é hoje

A Tekever foi fundada em 2001 e emprega mais de 1.500 pessoas, segundo a empresa — há um ano seriam cerca de mil.

A ronda de setembro foi o primeiro fecho de uma Série D liderada pela UC Investments e pela Baillie Gifford. Os jornais portugueses descrevem-na como a maior de sempre de uma tecnológica com base em Portugal.

O AR6, que a empresa apresentou em julho no salão de Farnborough, é a aposta na carga pesada: o objectivo declarado é levar 200 quilos a 500 quilómetros, contra os 100 quilos em poucos quilómetros típicos dos quadricópteros eléctricos. Serve usos civis e militares.

A Alemanha tem o maior orçamento de defesa da Europa e vai criar o primeiro regimento de drones em 2027. A Tekever entra nesse mercado com 15 pessoas em Munique e um aparelho já entregue à Bundeswehr — não com uma fábrica.

O que fica por saber

Ficam três coisas em aberto. Quanto vai a Tekever investir na Alemanha; se o aparelho entregue é mesmo o AR6 — a empresa não o nomeia e só o ECO o identifica; e que contratos alemães se seguem, numa altura em que a Bundeswehr ainda está a testar sistemas autónomos.

A sede alemã reúne engenharia, desenvolvimento de negócio e relação com clientes, segundo a empresa. Abrir um escritório não é o mesmo que ganhar uma encomenda: entre o anúncio desta terça-feira e os contratos, o que existe para já é uma entrega e testes em curso.

Fontes: Tekever (comunicados de 13 de outubro e de 23 de setembro de 2026, e do AR6, de 21 de julho); ECO/eRadar (13 out 2026); hartpunkt.de (13 out 2026); Deutscher Bundestag (orçamento de defesa de 2026); Bundeswehr (anúncio do regimento de drones, 1 out 2026); Jornal de Leiria (23 set 2026); PitchBook.

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