No final de julho, numa reunião executiva presidida pelo primeiro-ministro Li Qiang, o Conselho de Estado chinês aprovou a construção de oito novos reatores nucleares, distribuídos por quatro projetos em quatro províncias costeiras: Jinqimen (Zhejiang), Taipingling (Guangdong), Zhuanghe (Liaoning) e Laiyang (Shandong). O investimento estimado supera os 160 mil milhões de yuan — cerca de 24 a 25 mil milhões de dólares.
O lote confirma duas tecnologias que a China quer exportar. Seis dos oito reatores são Hualong One (HPR1000), o reator de água pressurizada de terceira geração desenvolvido em conjunto pela CNNC e pela CGN. Quatro deles — as unidades 3 e 4 de Jinqimen e as unidades 5 e 6 de Taipingling — são os primeiros projetos de demonstração da versão 2.0, que promete melhorias na segurança passiva e maior potência por unidade (1.217 MW cada em Taipingling). Os outros dois Hualong One vão para a fase inicial de Zhuanghe, no nordeste do país.
Esquema do circuito primário de refrigeração do Hualong One (HPR1000): vaso de pressão a vermelho, três geradores de vapor e pressurizador a azul (CC BY 4.0)
O reator que a China quer exportar
Os dois reatores restantes são Guohe One, o reator de terceira geração da estatal SPIC, derivado do CAP1000 (que por sua vez evoluiu do AP1000 da Westinghouse) mas com propriedade intelectual totalmente chinesa. Cada unidade de Laiyang terá 1.543 MW. O projeto marca o início da construção padronizada e em série do Guohe One — e, quando as seis unidades planeadas estiverem completas, Laiyang tornar-se-á a maior central nuclear da China em capacidade instalada, com um investimento total de 128,3 mil milhões de yuan.
Diagrama de corte da central CAP1400/Guohe One: edifício de contenção do reator ao centro e sala de turbinas à direita (CC BY 4.0)
Um ritmo sem precedentes
O ritmo é sem precedentes. Desde 2022, Pequim aprovou 49 reatores, num total de quase um bilião de yuan (cerca de 128 mil milhões de euros). Em abril de 2026, a China tinha 60 unidades em operação comercial e 36 em construção — 125 GW no total, a maior frota nuclear do mundo, à frente da França (57 reatores). A meta oficial é chegar aos 110 GW de capacidade operacional em 2030, um salto de 80% face aos 62,5 GW atuais, e a indústria aponta para 200 GW em 2040. Quando as seis unidades de Taipingling estiverem completas, a central deverá gerar mais de 55 TWh por ano e evitar cerca de 50 milhões de toneladas de CO₂ anuais.
A aprovação é o primeiro passo de um processo que demora anos — a China leva normalmente cerca de cinco anos entre a luz verde e a entrada em serviço de um reator. Mas a decisão do Conselho de Estado, tomada com exigência de "padrões de segurança elevados" em todas as fases, mantém o país no caminho de ser, sozinho, responsável por grande parte da nova capacidade nuclear mundial da próxima década.
💬 Comentários
Nenhum comentário ainda. Sê o primeiro a comentar!