A SiPearl entregou à Bull as primeiras amostras do processador Rhea1. A Bull diz ter começado a integrá-las na sua plataforma BullSequana XH3000, destinada ao módulo de CPU do JUPITER, o supercomputador europeu instalado no centro de investigação de Jülich, na Alemanha.
| Amostras entregues | 22 de Setembro de 2026; integração iniciada na BullSequana XH3000 |
|---|---|
| Processador | 80 núcleos Arm Neoverse V1, 4 stacks HBM e 4 interfaces DDR5 |
| Destino | módulo Cluster/CPU do JUPITER |
| Lançamento indicado pela SiPearl | final de 2026 |
| Orçamento da EPI SGA2 | até 70 milhões de euros para o projecto conjunto |
| Financiamento global do JUPITER | metade EuroHPC JU; restante dividido igualmente entre Governo federal alemão e Renânia do Norte-Vestefália |
Da amostra ao supercomputador
O Rhea1 é uma unidade central de processamento (CPU) concebida pela SiPearl para computação de alto desempenho. Cada processador combina núcleos Arm com memória de alta largura de banda; as interfaces DDR5 permitem também ligar memória convencional. Estes componentes destinam-se a cargas de trabalho que beneficiam de uma CPU com acesso rápido a grandes conjuntos de dados.
O anúncio descreve amostras e uma integração em curso, não a instalação de todos os processadores previstos. Os resultados de desempenho divulgados pela empresa são preliminares e, segundo o próprio comunicado, ainda serão consolidados.
O Rhea1 é apenas uma parte do JUPITER
O JUPITER foi concebido como um sistema modular. O módulo Booster, com aceleradores NVIDIA, já atingiu 1 exaFLOP/s FP64 no benchmark HPL, um teste de desempenho para supercomputadores. Esse resultado pertence ao módulo acelerado, não ao Rhea1. O módulo Cluster, pensado para tarefas de uso mais geral, deverá combinar Rhea1 e processadores AMD.
Vista aérea do campus do Forschungszentrum Jülich. À esquerda fica o centro modular de dados que alberga o JUPITER.
Crédito: Forschungszentrum Jülich / Sascha Kreklau
A aquisição do JUPITER foi contratada pela EuroHPC JU ao consórcio Eviden-ParTec em 2023. O financiamento público descrito na ficha acima refere-se ao supercomputador como um todo e não revela o preço dos Rhea1 nem o valor da primeira encomenda à SiPearl.
O desenvolvimento do processador enquadra-se na European Processor Initiative (EPI). A segunda fase, coordenada pela Bull e financiada pela EuroHPC e por Estados participantes, apoiou investigação em processadores e tecnologias de computação. O valor indicado na ficha é do projecto conjunto, não o custo destas amostras.
O trabalho português foi medir e vigiar
O INESC-ID identifica uma equipa portuguesa liderada por Leonel Sousa, com investigadores e estudantes de doutoramento e mestrado. O trabalho descrito na EPI centrou-se em desenvolver equipamento para monitorizar o funcionamento dos sistemas e avaliar a qualidade do desempenho; o relato institucional não atribui à equipa o desenho ou fabrico da CPU.
A notícia do INESC-ID de 8 de Setembro descreveu uma demonstração de um Rhea1 funcional; o anúncio posterior da SiPearl e da Bull refere a entrega de amostras para integração industrial. São marcos diferentes: um protótipo funcional pode anteceder a validação, a instalação e a entrada em serviço de uma configuração completa.
O que ainda não está fechado
A integração no BullSequana XH3000 é o passo concreto agora anunciado. O comunicado não quantifica a encomenda, não apresenta resultados finais de benchmarks e não indica uma data para a entrada em serviço do módulo de CPU do JUPITER. A SiPearl afirma que publicará os valores de desempenho depois de os consolidar.
A SiPearl é uma empresa fabless, sem fábricas próprias, e a ficha do produto identifica a TSMC, em Taiwan, como fabricante do Rhea1. «Europeu» descreve aqui o desenvolvimento do processador e o programa que o enquadra, não uma cadeia de fabrico integralmente europeia.
O marco é relevante porque leva um processador desenvolvido no âmbito de um programa europeu até à fase de integração num sistema de exaescala já contratado. Ainda assim, a amostra entregue não prova, por si só, disponibilidade comercial em volume, desempenho competitivo ou autonomia europeia em toda a cadeia de fabrico.
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