Cartaz do desafio Deep Space Food Challenge: Mars to Table sobre uma representação artística de Marte.

Imagem do desafio Mars to Table: NASA. Representação artística de Marte; não mostra os conceitos vencedores.

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NASA premia conceitos para alimentar astronautas em Marte

A NASA anunciou a 24 de setembro os cinco vencedores de Mars to Table, a edição de 2026 do seu desafio de alimentação espacial. Os prémios monetários totalizam 650 mil dólares, mas o concurso reconheceu planos e conceitos — não sistemas escolhidos para uma missão real.

O que a NASA premiou foram desenhos de sistemas alimentares, não tecnologia já testada em Marte ou seleccionada para voar.

Uma missão alimentar, desenhada no papel

O desafio pedia propostas de sistemas integrados para fornecer refeições seguras, nutritivas e variadas a uma tripulação em Marte, com pouco tempo disponível para operar e manter a infraestrutura.

Tripulação do cenário15 pessoas
Duração500 sóis marcianos (cerca de 513 dias terrestres)
Submissões113
Origem das equipas33 países e 28 estados dos EUA

Cada equipa devia entregar a disposição do sistema, um plano de refeições, um conceito de operações e um vídeo de apresentação. Estes requisitos descrevem o trabalho avaliado; não significam que as propostas tenham sido construídas ou testadas em condições espaciais.

O conceito vencedor e as restantes equipas

A proposta de Chinyere Ukeje, chamada Adaptive Nourishment Infrastructure (ANI), combina agricultura em ambiente controlado, fermentação, cultivo de fungos e reciclagem de nutrientes por biorreatores. O desenho propõe produzir fora da Terra metade dos alimentos necessários; é uma meta do conceito, não um resultado medido.

A proposta Fresh, Ferment, Reserve, da Cislune, prevê culturas seleccionadas, conversão de parte da colheita em alimentos familiares em cassetes de cultura instrumentadas e uma reserva alimentar trazida da Terra. A NASA descreve essa reserva como resposta a variações biológicas, limitações de recursos ou lotes rejeitados.

DistinçãoEquipa e conceitoPrémio
PrincipalChinyere Ukeje — Adaptive Nourishment Infrastructure (ANI)300 000 USD
Segundo prémioCislune — Fresh, Ferment, Reserve200 000 USD
Applied Frameworks AwardʻOhā Kanu — An Ahupuaʻa-Inspired Food System for Mars50 000 USD
Mission Simulation AwardOrbital Health Systems — New Lunar Settlers Cookbook (Mars Edition)50 000 USD
Human-Centered Design AwardAutonomic Resilience Collective — AEGIS Mars50 000 USD

A NASA reconheceu ainda a Astrofood, equipa de Ellezelles, na Bélgica, como vencedora internacional pelo conceito Food Resilience Ecosystem for Space Habitats (FRESH). A página não indica um valor monetário para esse reconhecimento.

Um sistema completo, não uma experiência isolada

Mars to Table surgiu em janeiro de 2026 como continuação do Deep Space Food Challenge. A NASA descreve o desafio anterior como centrado em métodos de produção alimentar prototipados; nesta edição, pediu que as equipas conceptualizassem o sistema completo, em vez de uma tecnologia isolada.

A diferença é importante: um sistema alimentar para uma missão longa teria de articular produção, preparação, variedade e manutenção. O anúncio descreve os resultados como pontos de partida para sistemas futuros, não como uma solução operacional.

O que fica por demonstrar

Nas páginas consultadas, a NASA não anuncia contrato de aquisição, teste em ambiente espacial ou escolha de uma proposta para uma missão. O dinheiro corresponde aos prémios do concurso; não é prova de que algum dos sistemas esteja pronto para operar.

A Mars to Table deixa, por isso, propostas para responder a um problema de engenharia — manter uma alimentação variada e segura sem sobrecarregar a tripulação. Até surgir uma validação concreta, os vencedores são conceitos para uma missão possível, não tecnologia alimentar marciana operacional.

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