A Geely apresentou esta quinta-feira, 24 de setembro, a marca em Portugal num evento em Vila Nova de Gaia, nas caves da Real Companhia Velha, um dia depois de a Salvador Caetano celebrar 80 anos. A estreia foi o E2, um compacto elétrico a partir de 21 900 euros.
Uma marca que já vendia e um modelo que é novo
A distribuição pela Salvador Caetano foi anunciada em abril e os SUV E5 e Starray EM-i já estavam à venda desde maio: o lançamento oficial coincide com a chegada do E2. A marca promete 18 modelos em Portugal em dois anos.
Os outros dois modelos são o E5, um SUV elétrico com 60 kWh de bateria, 218 cavalos e até 430 km de autonomia WLTP, desde 28 990 euros, e o Starray EM-i, híbrido plug-in com 192 kW e até 1 055 km de autonomia combinada, desde 28 850 euros — os dois preços sem IVA.
| Preço de entrada | 21 900 € (17 810 € + IVA) |
|---|---|
| Versões | PRO, MAX e ULTRA |
| Bateria (LFP) | 35,35 ou 47,14 kWh |
| Autonomia WLTP | 252 km e 345 km |
| Potência | 80 cv ou 116 cv |
| Carregamento 10–80% | 26 minutos |
| Comprimento | 4,13 m |
| Rede | 13 concessionários, 15 até ao fim de 2026 |
| Objetivo | 18 modelos em dois anos |
O mesmo carro, dois preços
Na China o modelo chama-se Xingyuan e foi o carro mais vendido do país em 2025, com 465 775 unidades entregues. A versão atualizada chegou ao mercado chinês a 28 de maio, com preços promocionais a partir de 61 800 yuan, que a imprensa portuguesa traduz como cerca de 9 000 euros já depois de ajudas locais.
Preço de entrada do mesmo modelo nos dois mercados: cerca de 9 000 euros na China, em valor noticiado já com ajudas locais, 17 810 euros em Portugal sem IVA e 21 900 euros com IVA. Gráfico do Portugal Binário, com dados do Observador (24 de julho de 2026), do Eco, da Razão Automóvel e do Tek (24 de setembro de 2026).
As contas não são diretas: os 61 800 yuan são promocionais e os 9 000 euros já incluem ajudas locais; os 17 810 euros portugueses são preço de tabela sem IVA. As autonomias usam ciclos diferentes — CLTC na China, WLTP na Europa — e não são comparáveis sem conversão.
O que explica a diferença
Desde 30 de outubro de 2024, a Comissão Europeia aplica direitos compensatórios definitivos às importações de veículos elétricos chineses, por cinco anos, ao abrigo do Regulamento de Execução (UE) 2024/2754. A taxa aplicada à Geely é de 18,8%; a BYD paga 17% e a SAIC 35,3%.
Em janeiro, Bruxelas publicou orientações para trocar esses direitos por compromissos de preços mínimos, e as negociações com Pequim continuam. Em paralelo, a Geely escolheu produzir dentro da Europa: formou com a Ford uma empresa comum — 66% da Ford, 34% da Geely — para usar a fábrica de Almussafes, em Valência.
Dessa linha sairão o E2, o E5 e dois modelos da Ford, um deles um crossover desenvolvido com os chineses. Os primeiros veículos começam a sair de Espanha de forma faseada, entre 2027 e 2028 — a via pela qual um carro construído na China deixa de pagar direitos compensatórios.
O que ainda não se sabe
A Geely não divulga a composição do preço português nem diz quantos E2 espera vender aqui. Também não explicou a diferença de calendário: em julho, a imprensa especializada escrevia que o E2 só chegaria a Portugal em 2027, ao mesmo tempo que o colocava em Itália e Espanha ainda em 2026.
A Geely entra num mercado onde o seu argumento é o preço, com um carro que em casa custa menos de metade. O que se seguirá depende de Valência: aí, entre 2027 e 2028, a marca passa a construir na Europa um modelo que hoje chega importado da China.
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