A Tesla fechou o segundo trimestre de 2026 com o melhor resultado de sempre: 480.126 veículos entregues entre abril e junho, um aumento de 25% face ao mesmo período de 2025 e uma subida de 34% em relação ao primeiro trimestre do ano (358.023 unidades). O número superou largamente as estimativas de Wall Street, que apontavam para cerca de 403.000 a 407.000 veículos.
Os resultados representam uma recuperação expressiva depois de dois anos consecutivos de quebra nas vendas anuais da marca. E, ao contrário do que aconteceu no primeiro trimestre — quando a produção excedeu as entregas e aumentou os stocks —, no segundo trimestre as entregas superaram a produção em 28.000 unidades, permitindo à empresa reduzir o inventário acumulado. A produção total foi de 451.758 veículos, cerca de 10% acima do ano anterior.
Model 3 e Model Y continuam a dominar
Os dois modelos de entrada da Tesla continuam a ser o motor do negócio. O Model 3 (sedã) e o Model Y (SUV) representaram 467.762 entregas — aproximadamente 97% do total. Para estimular a procura, a Tesla expandiu a oferta de versões de custo mais baixo de ambos os modelos e alargou a disponibilidade do sistema Full Self-Driving (Supervised) a mercados europeus selecionados.
A rede Supercharger da Tesla continua a expandir-se na Europa, suportando o crescimento das vendas. Na Gigafactory Berlin-Brandenburg, a produção semanal do Model Y vai aumentar de 5.000 para 7.500 unidades até outubro de 2026.
Europa é o motor do crescimento
A Europa foi a grande surpresa positiva do trimestre. Na Alemanha, a Tesla registou 5.111 novos veículos em maio, um aumento homólogo de 322%. Na Noruega, a marca tornou-se a mais vendida do país, com 3.222 registos e uma quota de mercado de 16,5%.
Vários fatores contribuíram para esta recuperação europeia: incentivos governamentais aos veículos elétricos, aceleração da eletrificação das frotas empresariais, aumento temporário dos preços dos combustíveis e um desvanecimento gradual da reação negativa de alguns consumidores às posições políticas do CEO Elon Musk, que tinha afetado as vendas em 2025.
Para responder à crescente procura, a Tesla planeia expandir a capacidade da sua Gigafactory Berlin-Brandenburg, em Grünheide, aumentando a produção semanal do Model Y de aproximadamente 5.000 para 7.500 unidades até outubro de 2026.
Portugal: Model 3 foi o carro mais vendido em maio
Portugal foi um dos destaques europeus: o Tesla Model 3 foi o automóvel mais vendido no país em maio de 2026, com 1.047 unidades — um crescimento de 1.616% face ao mesmo mês de 2025.
O mercado português foi um dos destaques europeus. Segundo dados da ACAP (Associação Automóvel de Portugal), o Tesla Model 3 foi o modelo mais vendido em Portugal em maio — não apenas entre elétricos, mas em todo o mercado automóvel, incluindo veículos a combustão. Foram registadas 1.047 unidades, um aumento de 1.616% face às apenas 61 do mesmo mês de 2025. O Model Y também entrou no top 10, com 415 unidades.
No acumulado de janeiro a maio, o Model 3 ocupa o 4º lugar do mercado português, com 2.484 unidades vendidas. Entre os elétricos, a Tesla lidera destacada em Portugal, refletindo a crescente aceitação dos veículos elétricos no país — as vendas de elétricos puros cresceram mais de 10% no primeiro semestre e já representam uma fatia significativa do mercado nacional.
China contribui, América do Norte ainda trava
Na China, as vendas melhoraram após o lançamento do Model Y renovado, apesar da intensa concorrência de fabricantes locais como a BYD. Já na América do Norte, o mercado continua desafiante: os consumidores norte-americanos têm vindo a preferir veículos híbridos num contexto de incerteza económica, e o fim dos incentivos fiscais federais aos veículos elétricos reduziu a procura. O impacto das polémicas políticas de Musk também se fez sentir mais nos EUA do que na Europa.
O futuro: Cybercab, Semi e Optimus
O resultado robusto nas entregas dá à Tesla maior margem financeira para prosseguir os seus planos ambiciosos para o resto de 2026. A empresa planeia gastar mais de $25 mil milhões em investimentos (capex) este ano — quase o triplo do ano passado — para expandir infraestrutura de computação para IA, produção de baterias e capacidade de fabrico de vários produtos futuros.
Entre as prioridades estão o Cybercab (veículo autónomo sem volante nem pedais, com produção a começar ainda este ano), o camião elétrico Tesla Semi, o robô humanoide Optimus e a expansão do serviço de robotáxis após o lançamento comercial inicial em Austin. A divisão de energia também contribuiu com 13,5 GWh de armazenamento de baterias implantados no trimestre, acima dos 9,6 GWh do ano anterior.
A Tesla apresenta os resultados financeiros completos do segundo trimestre a 22 de julho, onde se esperam atualizações sobre margens, rentabilidade e o estado dos programas de condução autónoma e IA. A recuperação europeia e o recorde de entregas dão a Elon Musk o fôlego que precisava para a segunda metade do ano.
Feito por humanos — Portugal Binário
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