Três robôs autónomos de limpeza apresentados num ambiente com aparência de terminal aeroportuário
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Mais de 200 robôs autónomos já limpam 25 aeroportos nos Estados Unidos

A limpeza autónoma deixou de ser apenas uma demonstração em feira tecnológica. A Flagship Aviation Services e a SoftBank Robotics America anunciaram a expansão de um programa que já utiliza mais de 200 robôs em 25 aeroportos dos Estados Unidos.

A parceria começou em 2024 com 100 robôs distribuídos por 15 localizações. Em menos de dois anos, a frota duplicou e aumentou a cobertura para mais dez aeroportos.

Infográfico com a escala do programa de robôs de limpeza autónomos

Os números divulgados pelas empresas mostram a expansão do programa entre 2024 e 2026.

Robôs diferentes para pisos diferentes

O programa não depende de um único robô com uma tarefa universal. A SoftBank Robotics afirma que a frota combina vários equipamentos para varrer, aspirar carpetes, lavar e esfregar pavimentos duros.

A empresa refere modelos como o Whiz, o Scrubber 50 Pro, o Vacuum 40, o Phantas e o Omnie. Esta combinação permite adaptar a limpeza a terminais de grande dimensão, zonas de circulação intensa e áreas com diferentes tipos de piso.

Interior amplo de um terminal aeroportuário com passageiros sentados numa zona de espera

É neste tipo de terminal, com grandes áreas de circulação e passageiros presentes, que o programa pretende manter a limpeza sem fechar o espaço.

A promessa não é substituir todas as pessoas

A própria Flagship descreve os robôs como uma ferramenta para aumentar a capacidade das equipas, não como uma substituição completa dos trabalhadores.

As máquinas ficam concentradas nas áreas de pavimento e nas tarefas repetitivas. As equipas humanas continuam responsáveis por casas de banho, portas de embarque, zonas com obstáculos e situações que exigem julgamento, adaptação ou contacto directo com passageiros.

“Os nossos trabalhadores continuam no centro” da operação, afirmou Todd Jacobs, director de operações da Flagship. Segundo o responsável, a limpeza autónoma permite que as equipas dediquem mais tempo à experiência dos passageiros e às tarefas que não podem ser facilmente automatizadas.

Quase nove vezes mais horas de operação

A comparação apresentada no estudo de caso da SoftBank Robotics mostra o crescimento do programa: 100 robôs em 2024 contra mais de 200 em 2026; 15 localizações contra 25; 10.000 horas de operação contra mais de 100.000; e 35 milhões de pés quadrados limpos contra quase 500 milhões.

A frota limpa actualmente quase 1 milhão de pés quadrados por dia, aproximadamente 92.900 metros quadrados. A empresa apresenta este crescimento como uma multiplicação de nove vezes nas horas de funcionamento e como prova de que os robôs conseguem passar da demonstração para uma utilização contínua.

Há, contudo, uma ressalva: estes indicadores são dados divulgados pela Flagship e pela SoftBank Robotics. As fontes consultadas confirmam a expansão e repetem os números, mas não apresentam uma auditoria externa independente à área limpa, às horas registadas ou à produtividade comparada com equipas humanas.

O que isto significa para os aeroportos Europeus

Portugal não surge como participante neste programa. A implementação conhecida está concentrada em aeroportos norte-americanos apoiados pela Flagship.

A relevância para a Europa está no problema operacional. Os aeroportos Europeus também precisam de manter grandes áreas limpas durante períodos de circulação intensa e com janelas reduzidas para intervenção. Um robô que trabalhe no meio dos passageiros pode ser mais útil do que uma máquina que obrigue a fechar uma zona inteira do terminal.

A questão decisiva será económica: quanto custa manter a frota, supervisioná-la, carregá-la e intervir quando encontra um obstáculo, comparado com o custo de uma equipa convencional? O comunicado não divulga o investimento, o custo por hora, o número de trabalhadores afectados ou uma comparação independente de produtividade.

Por enquanto, o caso da Flagship prova algo mais limitado — mas concreto: mais de 200 robôs de limpeza conseguem operar em aeroportos reais, em escala significativa, durante dezenas de milhares de horas. Não prova que os humanos tenham deixado de ser necessários, nem que todos os aeroportos estejam prontos para seguir o mesmo caminho.

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