Composição CAF Urbos a circular numa rua urbana de Montpellier
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Paris encomenda 15 tram-trains à CAF por mais de 150 milhões de euros

A autoridade de transportes da região de Paris adjudicou à CAF um contrato superior a 150 milhões de euros para fornecer 15 tram-trains destinados à extensão da linha T13 até Poissy e Achères. A nova ligação terá cerca de 10,5 quilómetros e deverá entrar em serviço em 2028.

O interesse desta linha está na forma como combina dois sistemas que normalmente funcionam separados. Na primeira parte do percurso, o veículo circula como um comboio convencional. Mais à frente, entra numa zona urbana e passa a comportar-se como um elétrico, sem que os passageiros tenham de mudar de composição.

Composição CAF Urbos a circular numa rua urbana de Montpellier

Uma composição CAF Urbos em serviço urbano. A imagem é uma fotografia oficial da CAF em Montpellier e serve para contextualizar a plataforma; não mostra uma das futuras unidades da linha T13.

A T13 já liga Saint-Germain-en-Laye a Saint-Cyr-l’École, nos Yvelines. Entre Saint-Cyr e Lisière-Pereire, percorre uma secção ferroviária de 15 quilómetros, eletrificada a 25 kV e 50 Hz, com velocidade máxima de 100 km/h. Depois, durante cerca de 3,8 quilómetros, funciona como elétrico urbano, alimentado a 750 V em corrente contínua, com limite de velocidade de 70 km/h.

Há ainda outra diferença pouco habitual. Na parte ferroviária, os veículos circulam pela esquerda, como é normal na rede francesa convencional. Na secção urbana, passam a circular pela direita, seguindo as regras da circulação rodoviária. A T13 foi concebida para fazer esta transição entre ambientes sem obrigar o passageiro a interromper a viagem.

Sete módulos e dois sistemas de circulação

As novas composições terão por base a plataforma Urbos, da CAF. Cada unidade será formada por sete módulos articulados, assentes em cinco bogies, terá 42 metros de comprimento e 2,65 metros de largura.

A capacidade anunciada é de 86 passageiros sentados e espaço para 170 passageiros de pé. Cerca de 75% do piso será rebaixado, uma configuração que facilita o acesso a passageiros com mobilidade reduzida e acelera a entrada e saída nas estações.

Edifício da CAF France com instalações fabris e portas de acesso para material ferroviário

A instalação da CAF France em Bagnères-de-Bigorre, onde está previsto o fabrico das novas composições. A fotografia oficial mostra o edifício fabril, não uma composição da T13 já concluída.

As carruagens terão ar condicionado e sistemas de informação dinâmica junto às portas e nas plataformas. A identidade visual será adaptada às normas da Île-de-France Mobilités, de modo a integrar os veículos na frota que já circula na linha.

A extensão pretende reduzir os tempos de viagem e aumentar a frequência para aproximadamente um comboio a cada dez minutos em hora de ponta. Também deverá melhorar as ligações a outros serviços da região, incluindo o RER A, o RER E e a linha L do Transilien.

Uma encomenda, não uma linha já em serviço

O contrato inclui peças sobresselentes e opções para a aquisição de mais unidades. O desenho será desenvolvido entre as instalações da CAF em França e Espanha, enquanto o fabrico está previsto para Bagnères-de-Bigorre, na região francesa dos Altos Pirenéus.

A T13 abriu em 2022 e é operada pela RATP Cap Île-de-France. Com a extensão para Poissy e Achères, Paris aposta numa solução que tenta aproveitar a mesma composição em dois mundos: a velocidade e a infraestrutura do caminho-de-ferro suburbano, mas também a capacidade de entrar no tecido urbano como um elétrico.

Composição CAF em circulação numa avenida urbana com paragens de passageiros

Outra composição CAF fotografada em contexto urbano. A imagem ilustra a utilização da plataforma do fabricante e não representa uma unidade da futura frota da linha T13.

Por agora, os novos tram-trains ainda não estão em serviço. O que existe é um contrato adjudicado, com produção e extensão da linha previstas para os próximos anos. A maturidade desta notícia é, portanto, estágio 2: contrato confirmado, não uma operação já disponível aos passageiros.

O modelo mostra por que razão o tram-train continua a interessar às grandes regiões urbanas europeias: permite utilizar uma linha ferroviária existente durante parte do percurso e entrar depois na cidade como um elétrico, evitando uma mudança de transporte no limite entre o subúrbio e o centro.

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