Um projeto europeu que combina calor solar, eletricidade fotovoltaica e armazenamento está a construir um demonstrador industrial em Valdemoro, perto de Madrid. O INDHEAP estuda também a possível adaptação da solução a uma fábrica em Arouca e a outra unidade em Chipre.
O objetivo é reduzir a dependência de combustíveis fósseis no fornecimento de calor e eletricidade à indústria. Segundo a informação divulgada a 23 de outubro pelo CORDIS, da Comissão Europeia, a preparação do local espanhol terminou e a construção começou; os testes em condições industriais são apontados para o início de 2027.
Como se combinam as tecnologias
O sistema previsto para a unidade de produção de lubrificantes da TotalEnergies junta coletores solares térmicos, que aproveitam a radiação para produzir calor, e painéis fotovoltaicos, que produzem eletricidade. Inclui ainda armazenamento térmico com aquecimento elétrico e ligação à infraestrutura existente.
O armazenamento permite guardar energia sob a forma de calor para utilização posterior. A equipa concluiu o desenho desta unidade e identificou óleo de colza refinado como possível meio de transferência e armazenamento de calor, segundo o CORDIS. A sua utilização faz parte do desenvolvimento do projeto.
O parceiro industrial Absolicon indica que o protótipo planeado terá até 300 quilowatts de potência térmica solar, até 20 quilowatts de potência fotovoltaica e até um megawatt-hora de capacidade de armazenamento. São capacidades previstas, não medições de produção.
Portugal como caso de replicação
A Headgy Helmets, fabricante de capacetes com instalações em Arouca, integra o consórcio como caso de replicação. Isso significa que a equipa analisa como adaptar o conceito às necessidades daquela instalação; as fontes consultadas não indicam que o demonstrador espanhol já tenha sido instalado em Portugal.
Os investigadores caracterizaram perfis de procura de calor nos três locais e avaliaram cenários técnicos e económicos. Nesses cenários, medidas de eficiência e recuperação de calor apontam para uma redução de até 20% da procura térmica; a integração solar e o aquecimento elétrico apontam para até 40% de redução dos custos energéticos. São estimativas para condições estudadas, não poupanças já verificadas em operação comercial.
O INDHEAP decorre entre 2024 e 2027 e recebe cerca de sete milhões de euros do programa Horizonte Europa, de acordo com o parceiro Absolicon. Os ensaios do demonstrador servirão para verificar o desempenho da combinação numa instalação industrial real.
💬 Comentários
Nenhum comentário ainda. Sê o primeiro a comentar!