Painéis solares azuis-escuros montados numa estrutura sobre o telhado plano de um bloco de habitação pública, com as torres brancas do mesmo bairro ao fundo e céu com nuvens.

Deoma12 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0) — painéis solares em telhados de habitação pública em Punggol, Singapura, em 2019

⚡ Energia

Akamai estreia-se nas renováveis na Ásia-Pacífico com solar da EDP

A EDP e a Akamai anunciaram esta terça-feira um contrato de compra de energia virtual — um VPPA — em Singapura, assente em 27 instalações solares de telhado já em operação. É o primeiro acordo de energia renovável da Akamai na Ásia-Pacífico.

O conjunto pode gerar até 17.000 megawatts-hora por ano, o equivalente a 13 MWp, e evitar cerca de 5.850 toneladas de dióxido de carbono equivalente anuais, segundo o comunicado da EDP.

Num contrato destes não há entrega física de electricidade: a energia entra na rede e o comprador fica com os atributos ambientais — os certificados que provam a origem renovável — e liquida a diferença de preço contra o mercado. A própria EDP explica-o assim na sua página para Singapura.

O que está no contrato

Instalações27 telhados, já em operação
Geraçãoaté 17.000 MWh por ano
Capacidade equivalente13 MWp
Emissões evitadascerca de 5.850 t de CO₂ equivalente por ano
ContrapartesEDP APAC e Akamai
Duraçãonão divulgada

Ficam de fora do anúncio três coisas que um contrato desta natureza costuma ter: o preço, a duração — que a cobertura portuguesa dá como confidencial — e a identificação dos 27 locais.

É grande? Depende da régua

A EDP já tinha vendido solar de telhado em Singapura à Microsoft. Em agosto de 2024 assinou um contrato de 20 anos para 100% da energia renovável exportada para a rede do projecto SolarNova 8, até 200 MWdc distribuídos por 1.075 edifícios de habitação pública e 101 edifícios do Estado.

Gráfico de barras horizontais com a geração anual contratada pela Akamai: Singapura 17.000 MWh, Prairie Solar nos Estados Unidos 77.000 e Alemanha 95.000.

Os contratos de renováveis da Akamai com volumes anuais publicados. O de Singapura, agora assinado, é o mais pequeno. Gráfico do Portugal Binário.

O negócio agora anunciado é uma fatia pequena em qualquer das duas réguas: 13 MWp contra os até 200 MWdc do SolarNova 8, e 17.000 MWh por ano contra os 77.000 do Prairie Solar e os 95.000 dos dois contratos alemães da Akamai.

A mesma receita, terceira vez

O padrão repete-se desde 2024: telhados de Singapura, um cliente corporativo, contrato de longo prazo e certificados de origem incluídos. Em maio de 2025 foi a vez da Chanel, com um VPPA de cinco anos sobre um portefólio de telhados e os respectivos certificados.

A EDP APAC tem sede em Singapura e representa 20% do portefólio solar da EDP Renováveis, em números de 2025. O grupo diz ter mais de 16 GW em contratos de compra de energia assinados em todo o mundo — e anunciou em abril um contrato de 28 MWp no Japão com outra tecnológica.

Quem é a Akamai e porque quer isto agora

A Akamai é uma empresa norte-americana de cibersegurança e computação em nuvem, com receita anual acima de mil milhões de dólares na Ásia-Pacífico em 2025. Quer consumir 100% de energia renovável e atingir neutralidade carbónica até 2030.

Mike Mattera, director de sustentabilidade corporativa da empresa, ligou o acordo à procura energética da inteligência artificial: «A IA está a acelerar a procura de capacidade de computação, mas a conversa não pode ser só sobre acrescentar mais infraestrutura», afirmou.

Do lado de Singapura, o acordo encaixa numa política que passou a apostar nos telhados por falta de terreno. Em fevereiro, o Orçamento elevou a meta de solar do país para 3 GWp instalados até 2030, depois de a meta anterior, de 2 GWp, ter sido cumprida antes do prazo.

O primeiro contrato renovável da Akamai na Ásia-Pacífico é modesto: 13 MWp, contra os até 200 MWdc que a EDP já vendeu à Microsoft em Singapura. O que ele mostra é a repetibilidade — é o terceiro cliente corporativo servido com a mesma fórmula de telhados.

O que fica por saber

O comunicado diz que as 27 instalações já estavam em operação: o acordo não constrói capacidade solar nova, canaliza os atributos de energia que já era produzida. No seu portal de sustentabilidade, a Akamai diz que dá prioridade a energia renovável nova em regiões de intensidade carbónica elevada e próximas de onde consome.

O comunicado oficial é da EDP mas não traz uma única citação de responsáveis da empresa; a frase atribuída a Filipa Ricciardi, da EDP APAC, aparece na cobertura portuguesa do anúncio. Sem a duração nem o preço, não é possível calcular o valor do negócio para nenhum dos lados.

Fontes: EDP (comunicado de 13 out 2026; comunicados de 26 ago 2024 sobre o PPA em Singapura e a Microsoft; página da plataforma Ásia-Pacífico; Japão, 8 abr 2026); Akamai (portal de sustentabilidade); Câmara de Comércio Francesa em Singapura (VPPA da Chanel, 13 mai 2025); US EPA; Energy Market Authority de Singapura; ECO e SAPO (13 out 2026).

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