Infografia conceptual sobre o uso atual de criptografia de chave pública, o risco de futuros computadores quânticos e a necessidade de identificar sistemas para a transição pós-quântica.

Infografia conceptual original do Portugal Binário, com base em informação do NIST.

🔒 Cibersegurança

Estudantes de Lisboa vencem hackathon com ferramenta para identificar criptografia vulnerável

Uma equipa de cinco estudantes venceu o JunctionX Lisbon 2026 com o QuantumTrace, um protótipo de cibersegurança que procura identificar o uso de criptografia potencialmente vulnerável a futuros computadores quânticos. A competição decorreu a 10 e 11 de outubro, no Campus Oeiras do Instituto Superior Técnico; o projeto foi apresentado pelo Técnico em 26 de outubro.

A equipa No Other Choice reúne David Santos, Miguel Rodrigues, João Teodósio e Tomás Lopes, estudantes do Técnico, e Pedro Silva, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. A vitória dá-lhes a oportunidade de representar Portugal no Junction 2026, previsto para 13 a 15 de novembro, em Espoo, na Finlândia.

Edifício branco do Instituto Superior Técnico no Taguspark, em Oeiras, visto de uma zona arborizada.

O Campus Taguspark, onde decorreu o JunctionX Lisbon. Fotografia de arquivo.

Crédito: Threeohsix / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Porque procurar algoritmos vulneráveis agora?

Parte da segurança das comunicações digitais depende de algoritmos de chave pública, usados, por exemplo, para estabelecer ligações seguras e verificar assinaturas digitais. Um computador quântico de escala suficiente poderá, no futuro, comprometer alguns desses métodos. Essa capacidade não é uma ameaça demonstrada por este projeto: trata-se de uma razão para identificar antecipadamente onde os algoritmos são usados e planear a sua substituição.

Em 2024, o instituto norte-americano NIST publicou os primeiros três padrões de criptografia pós-quântica, concebidos para resistir a ataques de computadores quânticos. A transição implica descobrir que sistemas usam métodos vulneráveis e atualizar aplicações e infraestruturas — um trabalho que pode demorar anos.

O que faz o QuantumTrace

O desafio escolhido pela equipa, proposto pela Inspiring Solutions, consistia em identificar vulnerabilidades criptográficas associadas à evolução da computação quântica. Segundo o Técnico, os estudantes construíram uma plataforma para identificar problemas em algoritmos de encriptação e criaram duas extensões.

Uma delas, para o Google Chrome, procura sinalizar problemas de segurança nas ligações a sites. A outra, para o Visual Studio Code, ajuda a identificar problemas no código e a explorar a sua correção automática com recurso a inteligência artificial. São funcionalidades descritas pelos autores e pelo Técnico; as fontes consultadas não apresentam resultados de testes independentes que permitam medir a precisão ou a segurança da ferramenta.

O QuantumTrace foi desenvolvido para uma competição e apresentado ao júri como protótipo. A vitória reconhece o trabalho da equipa; não demonstra, por si só, que a plataforma esteja pronta para uso em produção ou que substitua uma auditoria de segurança.

Uma próxima etapa na Finlândia

O JunctionX Lisbon reuniu cerca de 150 participantes, segundo o Técnico. Depois de uma apresentação inicial e de uma final perante empresas parceiras, organizadores e público, a equipa recebeu o primeiro lugar. No evento internacional da Finlândia poderá escolher um novo desafio; o anúncio não confirma que o QuantumTrace seja o projeto que levará para essa edição.

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