Chip sub-1nm da IBM — 100 mil milhões de transístores do tamanho de uma unha. Crédito: IBM Research
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IBM apresenta primeiro chip sub-1 nanómetro do mundo — 100 mil milhões de transístores na arquitetura «nanoStack»

A IBM anunciou esta quinta-feira, 25 de Junho, um marco histórico na indústria dos semicondutores: o primeiro chip sub-1 nanómetro do mundo. Desenvolvido nos laboratórios da IBM em Albany, Nova Iorque, o novo chip utiliza uma arquitetura tridimensional batizada «nanoStack» que empilha transístores verticalmente, permitindo uma densidade sem precedentes — quase 100 mil milhões de transístores num chip do tamanho de uma unha humana.

«Não é apenas um passo incremental, é um salto significativo», disse Jay Gambetta, diretor da IBM Research e IBM Fellow, numa conferência de imprensa avançada. Gambetta descreveu a nova tecnologia como «apontando para um futuro onde a computação se torna significativamente mais poderosa sem um aumento correspondente de energia».

Não é apenas um passo incremental, é um salto significativo. Apontamos para um futuro onde a computação se torna significativamente mais poderosa sem um aumento correspondente de energia.

— Jay Gambetta, diretor da IBM Research, 25 de junho de 2026

O que é o nanoStack?

A arquitetura nanoStack representa uma mudança de paradigma no desenho de chips. Até agora, a indústria evoluiu reduzindo as dimensões dos transístores no plano bidimensional (eixos X e Y). A IBM decidiu explorar a terceira dimensão (eixo Z): os transístores são empilhados e interligados verticalmente, como um prédio de apartamentos em vez de um bairro de moradias.

Cada unidade básica da arquitetura nanoStack consiste em dois transístores empilhados e ligados entre si. Cada transístor é composto por três nanofolhas (nanosheets) com 5 nanómetros de espessura cada — o equivalente a cerca de 15 filas de átomos de silício. O espaçamento entre nanofolhas é de aproximadamente 9 nanómetros. A inovação permitiu à IBM ultrapassar as limitações físicas que há anos travam a indústria.

Imagem de microscópio eletrónico de transmissão (TEM) do nó de 7 ångström. Crédito: IBM Research

Números que impressionam

Os resultados técnicos, publicados no IEEE Symposium on VLSI Technology (VLSI 2025 e VLSI 2026), revelam números impressionantes. O novo nó de 0,7 nm — também designado 7 ångström (1 nm = 10 ångström) — é o primeiro a quebrar a barreira do sub-1 nm, algo que muitos especialistas consideravam cada vez mais difícil de alcançar.

O avanço no SRAM (memória estática de acesso aleatório) é particularmente significativo. Nas últimas gerações, o escalamento do SRAM tinha caído para apenas alguns por cento entre o nó de 3 nm e o de 2 nm. A IBM conseguiu 40% de melhoria — um salto que a indústria não via há mais de uma década — graças a um design de canais desfasados (staggered-channel) que reduz a altura total das células de memória.

Esta conquista de 40% vai industrializar-se nos fluxos de trabalho de IA, que exigem maior largura de banda e alta eficiência.

— Jay Gambetta, diretor da IBM Research

Dos átomos aos produtos

É importante clarificar o que significa «sub-1 nanómetro». Há décadas que os números dos nós de fabrico (3 nm, 2 nm, etc.) deixaram de corresponder às dimensões físicas reais dos transístores. O que a IBM anuncia é que a sua arquitetura nanoStack oferece os ganhos de desempenho e densidade que se esperariam de um processo teórico sub-1 nm, num design fisicamente realizável e escalável.

A IBM não fabrica chips comercialmente — é uma empresa de investigação e licenciamento. O caminho para a produção passa por parceiros como a Rapidus, no Japão, que já está a fabricar os chips de 2 nm da IBM e deverá ser o primeiro a adotar o nanoStack. A IBM estima que a produção comercial possa começar dentro de 5 anos, e no máximo dentro de uma década.

«O nanosheet tornou-se a base da próxima geração de escalamento de transístores. Hoje é adotado por todas as foundries líderes para a maioria dos chips de 3 nm e todos os de 2 nm», explicou Huiming Bu, vice-presidente de I&D Global de Semicondutores da IBM. «O nanoStack vai substituir o nanosheet como arquitetura dominante nas foundries líderes — sejam CPUs ou GPUs.»

Wafer de 0,7 nm da IBM. Crédito: IBM Research

Impacto para Portugal

Embora a IBM esteja sediada nos EUA, este avanço tem relevância direta para Portugal. O país alberga o INL — Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, em Braga — uma referência europeia em investigação na escala atómica. Portugal participa também no European Chips Act, o pacote de 43 mil milhões de euros da União Europeia para reforçar a soberania europeia em semicondutores.

O programa MIT-Portugal, que entrou na Fase 4 este ano, inclui explicitamente semicondutores como área prioritária. Empresas Portuguesas como a CEiiA e a Uninco têm vindo a crescer na fileira dos semicondutores e do design de chips. O nanoStack da IBM mostra que a indústria global dos chips está longe de estagnar — e que Portugal faz bem em manter-se nesta corrida.

Com a arquitetura nanoStack, a IBM garante pelo menos mais uma década de escalamento de silício. Numa altura em que muitos anunciavam o fim da Lei de Moore, a IBM prova que a inovação ainda vive — não em 2D, mas a três dimensões.

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