A Google Research descreve o uso, com a parceira Nexus AI, de um sistema que analisa radiografias do tórax para assinalar possíveis casos de tuberculose. A empresa diz que a solução já é usada em clínicas e numa mina sul-africana; a triagem ajuda a encaminhar pessoas para avaliação e testes.
O que faz a triagem
O programa da Nexus AI analisa imagens digitais do tórax. Segundo a Google, uma função procura alterações pulmonares e outra assinala padrões que podem ser compatíveis com tuberculose; os profissionais de saúde decidem o seguimento.
Na mina Mponeng, na África do Sul, foram instalados kits portáteis de radiografia com análise por inteligência artificial a cerca de quatro quilómetros de profundidade. A Google diz que os kits podem funcionar sem ligação à Internet. Pessoas assinaladas como casos suspeitos podem ser encaminhadas para um teste molecular, que procura material genético do agente infeccioso.
A publicação de 23 de Outubro atribui à Nexus AI mais de 25 mil radiografias avaliadas por mais de 90 profissionais, em cerca de 40 unidades de saúde. A Google identifica operações na África do Sul, Serra Leoa e Costa do Marfim e diz que a expansão para outros países está em curso.
O que mostra um estudo anterior
Um estudo prospectivo publicado em 2024 avaliou sistemas de inteligência artificial para radiografias em três locais clínicos na Zâmbia. Foram recrutados 1.978 adultos com sintomas, contacto próximo com pessoas com tuberculose ou diagnóstico recente de VIH; 1.910 entraram na análise. Os resultados do sistema não foram usados para orientar os cuidados dos participantes.
No limiar escolhido para favorecer a detecção, o sistema identificou 87% dos participantes com tuberculose e classificou correctamente como negativos 70% dos que não tinham a doença. A sensibilidade ficou abaixo do objectivo de 90% usado pelo estudo.
Estes valores pertencem ao ensaio feito na Zâmbia: não medem os resultados das instalações descritas pela Google em 2026. A publicação actual não apresenta dados de exactidão nem quantos casos suspeitos foram confirmados nesses locais.
Modelos abertos são uma iniciativa separada
A Google também apresentou os modelos abertos MedGemma e MedSigLIP, destinados a equipas que desenvolvem aplicações de saúde. São pontos de partida que exigem adaptação e validação para cada tarefa; a empresa diz que não devem, sem essa preparação, orientar directamente diagnósticos ou tratamentos. A publicação não os identifica como o sistema usado pela Nexus AI.
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