Técnico de camisa axadrezada vermelha, agachado junto a um bastidor de servidores, com um portátil aberto no chão à sua frente; ao fundo, corredores de bastidores pretos iluminados e feixes de cabos laranja e verdes.

Derrick Coetzee / Wikimedia Commons — CC0 (arquivo: não é infraestrutura da DeepSeek)

🧠 Inteligência Artificial

DeepSeek abre a busca por API e passa a escolher o que os agentes leem

A DeepSeek abriu a 17 de Outubro o seu motor de busca como serviço para programadores. O DeepSeek Search e o Fetch passaram a estar disponíveis na API, documentados e com preço próprio: 0,75 dólares por cada mil pedidos bem sucedidos.

Não são chamadas que o modelo faça sozinho: são dois endereços que qualquer agente pode usar para pesquisar a web e ler uma página sem depender de um motor de terceiros.

A empresa descreve o motor como próprio, «capaz de responder a centenas de milhões de pedidos por dia», com «centenas de milhares de milhões de páginas» indexadas e busca multilingue.

Promete ainda filtrar spam de SEO, manipulação de resultados e conteúdo gerado por IA de baixa qualidade. É uma promessa de qualidade, não um dado verificável: não há forma pública de auditar o índice nem de medir a filtragem.

O que está à venda não é a resposta: é a escolha das páginas que o agente vai ler. Quem fornece a busca passa a decidir a lista, a ordem e o que fica de fora.

O que o agente recebe por cada pesquisa

Cada pesquisa devolve até 50 resultados, dez por omissão. Cada resultado traz título, endereço, um excerto de 100 a 200 caracteres e um resumo de 600 a 800. A chamada aceita operadores como site:, lang:, after: e before:, e quem quiser o texto da página pede-o com o campo need_content.

Traz ainda dois sinais que o agente não produziu: um rerank_score de 0 a 3, em que 1,5 marca «alta qualidade», e um authority de 0 a 4, em que 3 ou mais significa «altamente autoritativa» — e −1 quer dizer desconhecida. O Fetch recebe um endereço de até 8 192 caracteres e devolve o texto da página em Markdown.

Diagrama de blocos com quatro caixas: o agente, as chamadas POST para /v1/tools/search e /v1/tools/fetch, e a lista de campos que volta ao agente; em baixo, uma faixa com o preço, o limite de pedidos por segundo e a data de início da cobrança.

O fluxo documentado, resumido: o agente decide quando procurar, a DeepSeek devolve resultados já ordenados e classificados, e pode recusar uma página no Fetch.

Crédito: Diagrama produzido pelo Portugal Binário, a partir de api-docs.deepseek.com

O preço, o limite e a data que interessa

A conta é feita por pedido, não por palavra: 0,75 dólares por cada mil pesquisas ou leituras bem sucedidas, e o número de resultados pedidos não muda o preço.

Pedido falhado, resultado vazio ou tempo esgotado não é cobrado. Em troca, o limite é estreito — cinco pedidos por segundo por conta em cada uma das APIs, com um limite adicional por domínio no Fetch — e quem o exceder recebe um erro 429.

Há uma data a reter. As chamadas feitas pelo modelo dentro do DeepSeek Harness, do Claude Code ou do Codex são, nas palavras da documentação, gratuitas «para já».

A cobrança por pedido começa às 00:00 de 1 de Novembro de 2026, hora de Pequim. A partir daí, um agente que pesquise muito passa a ter um custo por consulta, separado do custo em fichas do modelo.

PesquisaPOST https://api.deepseek.com/v1/tools/search
LeituraPOST https://api.deepseek.com/v1/tools/fetch
Preço0,75 dólares por 1 000 pedidos bem sucedidos, em cada API
Resultados por pesquisa1 a 50 (10 por omissão)
Limite5 pedidos por segundo por conta, em cada API
Cobrança por pedidoa partir das 00:00 de 1 de Novembro de 2026 (hora de Pequim)
Âmbitosó de leitura, sem escrita nem alterações

No mesmo dia, o modelo também mudou

O mesmo registo de alterações traz a actualização do V4.1 Flash para o instantâneo 1017, sem mexer na forma de chamada nem no preço — o nome a usar continua a ser deepseek-flash, e o site e a aplicação da empresa passaram para a mesma versão. O modelo mais caro, o V4 Pro, mantém-se na tabela.

Comparando com os números que a DeepSeek publicou em Setembro, para o V4.1 Flash anterior, o salto é grande nos testes de agente: no HLE, de 36,8 para 42,6; no Terminal-Bench 4.0, de 31,2 para 42,3; no DeepSWE v1.1, de 74,2 para 77,0. A empresa diz ainda que reduziu o tempo de execução e o comprimento das respostas.

O que estes números não dizem

São resultados da própria empresa, medidos com as suas condições e publicados sem avaliação independente conhecida.

O valor do HLE vale só para o subconjunto de texto puro do teste, como a nota de rodapé admite. O Terminal-Bench 4.0 foi medido com o framework Claude Code e o DeepSWE com o Mini-SWE-V2, o que torna a comparação com outros modelos frágil.

Fica também por saber o que o motor filtra na prática. A documentação não identifica o modelo que classifica os resultados, e o Fetch pode recusar uma página com um erro 403 por «política de segurança», sem dizer qual regra foi accionada.

Para quem põe agentes a ler a web, isso significa que a fronteira do que eles podem consultar deixa de estar só nas mãos de quem os opera.

O efeito prático aparece depressa: quem já usa modelos servidos por API para investigar ou monitorizar passa a ter, a partir de 1 de Novembro, uma factura por consulta — e uma lista de fontes que não escolheu.

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