Comboio Alfa Pendular junto à estação de Porto-Campanhã — a alta velocidade vai reduzir a viagem Lisboa-Porto para 1h15
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Alta Velocidade Porto-Lisboa recebe duas propostas de 1,6 mil milhões para troço Oiã-Coimbra — consórcio LusoLav contra espanhola Sacyr

A Infraestruturas de Portugal (IP) recebeu duas propostas no concurso público internacional para o segundo troço da linha de Alta Velocidade (AV) Porto-Lisboa, entre Oiã e Coimbra, com um preço-base de 1,6 mil milhões de euros. O concurso, relançado em dezembro de 2025 depois de uma primeira tentativa falhada, terminou no passado dia 7 de julho, com a abertura das propostas a 8 de julho.

De um lado, o consórcio LusoLav, constituído pelas construtoras portuguesas Mota-Engil, Teixeira Duarte, Alves Ribeiro, Casais, Conduril e Gabriel Couto — o mesmo que venceu o primeiro troço Porto-Oiã em 2024. Do outro, um consórcio liderado pela espanhola Sacyr, que integra ainda as empresas nacionais DST e Alberto Couto Alves. A decisão final cabe agora ao júri do concurso, que vai analisar e avaliar as propostas apresentadas.

«As Linhas de Alta Velocidade são, a par do Novo Aeroporto de Lisboa, as maiores obras que o país levará a cabo neste século. São projetos que implicam um grande consenso.»

— Miguel Pinto Luz, Ministro das Infraestruturas e Habitação

Um projeto de 290 km a 300 km/h

A Linha de Alta Velocidade Porto-Lisboa terá 290 quilómetros de via dupla eletrificada a 25 kV CA, com velocidade de projeto de 300 km/h. A bitola será ibérica (1.668 mm), mas os comboios estarão preparados para circular em bitola europeia (1.435 mm) com a mera substituição dos rodados, garantindo compatibilidade futura com a rede ferroviária europeia.

O tempo de viagem entre Porto e Lisboa passará das atuais 2h49 do Alfa Pendular para 1h15 num serviço direto sem paragens. O projeto está dividido em três fases: a Fase 1 (Porto-Soure, 143 km) deverá estar concluída em 2028, reduzindo a viagem para 1h59; a Fase 2 (até ao Carregado) em 2030, com 1h19; e a Fase 3 (até Lisboa-Oriente) após 2030, com os 1h15 finais.

Duas tentativas para o troço Oiã-Coimbra

Este é o segundo concurso lançado para o troço Oiã-Coimbra. O primeiro, lançado em julho de 2024, foi extinto depois de a única proposta apresentada — da LusoLav — ter sido chumbada pelo júri. O motivo: o consórcio propôs o desvio da estação de Coimbra-B para Taveiro, fora da cidade, o que não correspondia ao projeto definido pela IP.

No relançamento, a IP introduziu ajustamentos técnicos significativos, incluindo uma redução do traçado em cerca de 11 quilómetros — o troço passou a terminar em Coimbra em vez de se prolongar até Soure — mantendo contudo o preço-base de 1,6 mil milhões de euros. O traçado atual inclui aproximadamente 61 km de linha de alta velocidade, com ligações à Linha do Norte nas proximidades de Oiã, Adémia e Taveiro, além da quadruplicação da Linha do Norte no troço Taveiro-Coimbra B.

1,6 mil M€ — preço-base do concurso para o troço Oiã-Coimbra (61 km)
Ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, no lançamento do concurso para aquisição de 12 comboios de alta velocidade pela CP, em Lisboa, maio de 2026

Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas, no lançamento do concurso para a compra dos 12 comboios de alta velocidade — 504 M€, entregas entre 2031 e 2032

Primeiro troço Porto-Oiã já em marcha

O primeiro troço da Fase 1, entre Porto-Campanhã e Oiã (71 km), foi adjudicado a 10 de outubro de 2024 ao consórcio LusoLav, que criou para o efeito a concessionária AVAN Norte. O contrato de concessão foi assinado em julho de 2025, com um prazo de 30 anos para conceção, projeto, construção, financiamento, manutenção e disponibilização da infraestrutura. A construção deve iniciar-se ainda em 2027.

O projeto inclui a construção da oitava ponte sobre o Rio Douro, batizada Ponte de D. António Francisco dos Santos, que ligará a estação de Porto-Campanhã à nova estação de Gaia-Santo Ovídio — uma estação enterrada a 60 metros de profundidade, a única construída de raiz em todo o percurso.

CP já lançou concurso para 12 comboios de alta velocidade

A CP-Comboios de Portugal lançou a 20 de maio de 2026 o concurso para o fornecimento e manutenção de 12 automotoras de alta velocidade, com um preço base de 504 milhões de euros e opção de compra de mais oito. O prazo de entrega de propostas terminou a 2 de julho de 2026.

Cada composição transportará mais de 500 passageiros a uma velocidade de cruzeiro de 300 km/h, estarão equipadas com Wi-Fi, tomadas USB-C, sistemas de infotainment e videovigilância, e terão espaços dedicados a bicicletas e a pessoas com mobilidade reduzida. O primeiro comboio deverá ser entregue no primeiro trimestre de 2031, com a entrega total concluída no terceiro trimestre de 2032 — em linha com a conclusão da infraestrutura ferroviária.

Seis estações para servir o país

6 estações: Porto-Campanhã, Gaia-Santo Ovídio (nova, subterrânea), Aveiro, Coimbra-B, Leiria e Lisboa-Oriente — 290 km de via dupla a 300 km/h

A linha terá seis estações: Porto-Campanhã, Gaia-Santo Ovídio (nova, subterrânea), Aveiro, Coimbra-B, Leiria e Lisboa-Oriente. Todas as estações existentes serão ampliadas e renovadas para receber os serviços de alta velocidade, com exceção de Gaia, que será construída de raiz. A estação de Coimbra-B será a que sofrerá a maior intervenção, com uma renovação intensiva integrada no plano de pormenor da câmara municipal.

Em Aveiro e Coimbra, os comboios de alta velocidade não entram diretamente na linha dedicada — saem da AV para a Linha do Norte através de articulações estratégicas para servirem as estações, regressando depois à linha de alta velocidade. Este modelo permite que as cidades médias sejam servidas sem comprometer os tempos de viagem dos serviços diretos.

O maior investimento ferroviário português do século

O projeto da Alta Velocidade Porto-Lisboa representa o maior investimento ferroviário da história de Portugal, inserido no Plano Nacional de Investimentos 2030 (PNI 2030). O modelo de financiamento assenta em Parcerias Público-Privadas (PPP), com a IP a conceder a exploração da infraestrutura a privados por períodos de 30 anos, mantendo a supervisão pública.

O concurso para a compra dos 12 comboios de alta velocidade sofreu um atraso de um ano devido à crise política que obrigou à realização de eleições em 2025, mas o calendário foi ajustado para que a entrega do material circulante coincida com a conclusão da infraestrutura. A linha terá capacidade para 19 viagens por sentido por dia à partida, podendo ser expandida conforme a procura.

«Queremos uma CP moderna, capacitada para o mercado de concorrência, para prestar um serviço público cada vez mais eficiente, sustentável e de qualidade.»

— Miguel Pinto Luz, no lançamento do concurso para a compra dos comboios AV

Com a conclusão prevista para 2032, a alta velocidade portuguesa promete encurtar distâncias e transformar a mobilidade no país, ligando o Porto a Lisboa em 1h15 e colocando Coimbra, Aveiro e Leiria a menos de uma hora de ambas as capitais.

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