Primeiro-ministro Luís Montenegro na cimeira da NATO em Ancara, Turquia, onde anunciou o aumento do investimento português em Defesa para 3,1% do PIB
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Portugal sobe meta da Defesa para 3,1% do PIB e entra em três megaprojetos europeus de armamento

A cimeira da NATO em Ancara, que terminou esta quarta-feira, foi tudo menos uma reunião de rotina. Com Donald Trump a chegar "muito desapontado" com os aliados europeus e a exigir mais investimento, Portugal chegou com a lição estudada e saiu com três anúncios de peso: um salto no orçamento de Defesa para 3,1% do PIB, a entrada em três dos cinco megaprojetos europeus de armamento, e a assinatura de um pacto de segurança marítima com 11 países.

Portugal atira Defesa para 3,1% do PIB

O primeiro-ministro Luís Montenegro anunciou em Ancara que Portugal deverá atingir 3,1% do Produto Interno Bruto em investimentos relacionados com Defesa e segurança até ao final de 2026. O valor desdobra-se em duas componentes: 2,1% em despesas estritamente militares (Forças Armadas, equipamento, treino) e cerca de 1% em infraestruturas de utilização dual, como energia, comunicações e mobilidade.

"Temos desenhado já para este ano de 2026 o reforço precisamente desse investimento", afirmou Montenegro, explicando que na componente dual entram "investimentos em infraestruturas de energia, de comunicações, de várias áreas setoriais do Governo". O anúncio enquadra-se na meta aprovada na Cimeira de Haia (2025) de 5% do PIB até 2035 (3,5% militares + 1,5% dual-use).

Portugal chegou a Ancara com o estatuto de "bom aluno" da NATO: o país atingiu pela primeira vez os 2,01% do PIB em despesas militares em 2025, um aumento de 38% face ao ano anterior. Montenegro revelou que o secretário-geral da Aliança, Mark Rutte, dirigiu a Portugal um comentário "muito positivo, diria mesmo elogioso" sobre a fiabilidade do compromisso português.

NATO investe $40 mil milhões em guerra de drones

Em paralelo, Mark Rutte anunciou o lançamento da "Drone Edge Initiative", um programa de $40 mil milhões em cinco anos para capacidades de defesa contra drones. "Juntos, estamos a construir uma aliança preparada para o uso de drones. Estamos a aproveitar as mais recentes tecnologias inovadoras, a investir nas nossas indústrias de defesa transatlânticas e a aprender lições do mundo real a partir do campo de batalha na Ucrânia", disse Rutte.

A iniciativa inclui a criação de um "marketplace" de soluções anti-drone da NATO, contratos de centenas de milhões de euros para aquisição de drones de vigilância, e o compromisso de formar cinco vezes mais operadores de drones nas forças armadas aliadas até ao final de 2027. Finlândia, França e Suécia juntaram-se ao projeto NATO Flight Training Europe, que conta agora com 20 países e 16 centros de formação.

Portugal entra em três megaprojetos europeus de defesa

A Comissão Europeia propôs no final da semana passada os primeiros cinco Projetos Europeus de Defesa de Interesse Comum (EDPCI), com um orçamento combinado de cerca de €190 mil milhões até 2036. Portugal está envolvido em três dos cinco projetos:

Os cinco projetos envolvem em média 18 Estados-membros cada, com a Ucrânia a participar em quatro. O comissário europeu da Defesa e Espaço, Andrius Kubilius, sublinhou que as EDPCI contribuirão para "o desenvolvimento de um Escudo Aéreo, Marítimo e Espacial Europeu" e para "o reforço das capacidades de drones e contra-drones".

Pacto de segurança marítima no Atlântico

Portugal foi também um dos 12 países signatários de um compromisso conjunto para reforçar a segurança marítima da NATO no Atlântico Norte, Mar Báltico e Oceano Ártico. Além de Portugal, assinaram o pacto Canadá, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Islândia, Países Baixos, Noruega, Espanha, Suécia e Reino Unido.

"Os nossos países dispõem já de capacidades e plataformas marítimas modernas e têm planos para reforçar significativamente essas capacidades ao longo da próxima década", lê-se na nota conjunta, que promete "maior responsabilidade marítima na dissuasão e defesa" perante "a ameaça de longo prazo representada pela Rússia".

Os signatários comprometem-se ainda a reforçar o comando e controlo marítimos, dar prioridade a investimentos que aumentem a consciência situacional, e intensificar a inovação para desenvolver capacidades marítimas relevantes. O compromisso é visto como uma resposta coordenada à redução da presença militar dos EUA na Europa.

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