Cerimónia de assinatura do contrato entre Alstom e CP para fornecimento de 153 comboios Adessia Stream, com ministro Miguel Pinto Luz, presidente da CP Pedro Moreira e diretor da Alstom David Torres
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Alstom constrói fábrica de comboios em Matosinhos — 153 unidades, mil milhões de euros e 300 empregos na maior encomenda ferroviária de sempre em Portugal

Portugal nunca investiu tanto em comboios. Num contrato que ultrapassa os mil milhões de euros, a Alstom vai fornecer 153 novas automotoras à CP, construir uma fábrica de raiz em Matosinhos com 20.000 m² e criar 300 postos de trabalho diretos — e 81 dos comboios vão ser fabricados em território nacional.

O contrato, assinado a 10 de março de 2026 em Aveiro, entre a Alstom, a CP (Comboios de Portugal) e a construtora portuguesa DST, representa a maior aquisição de comboios na história de Portugal. O valor base de 746 milhões de euros foi entretanto atualizado para 1.064.022.425 euros com a inclusão de mais 36 unidades, num processo que começou com 117 comboios em outubro de 2025 e foi sendo expandido à medida que a CP acelerou os seus planos de modernização.

81 comboios fabricados em Portugal, 72 em Barcelona

A distribuição da produção está definida ao detalhe no aditamento ao contrato. A nova fábrica da Alstom em Guifões, Matosinhos, com mais de 20.000 metros quadrados, vai especializar-se nas unidades de tipo urbano e será responsável pela montagem (fitting) de:

Já a fábrica da Alstom em Barcelona especializar-se-á nas unidades de tipo regional e parte das urbanas, montando 17 unidades para Cascais e 55 unidades regionais. Os "flat-packs" e caixas de todas as unidades — a estrutura básica da carruagem — são fabricados em Barcelona, com a montagem final, ensaios e comissionamento a ocorrer em ambas as unidades fabris.

Fábrica de 28,6 milhões em Matosinhos

A construção da nova unidade fabril em Matosinhos, entregue à construtora portuguesa DST, tem um custo estimado de 28,6 milhões de euros e um prazo de execução de dois anos, segundo revelou o Expresso a 30 de junho de 2026. A instalação estará equipada com tecnologias de produção de última geração e criará cerca de 300 empregos diretos, incluindo funções de engenharia, técnicas e profissões especializadas. O presidente da DST, José Teixeira, revelou que a obra envolverá 500 trabalhadores durante a construção.

O contrato prevê ainda que 15% dos postos de trabalho sejam destinados a jovens desempregados, desempregados de longa duração e pessoas com deficiência ou condições de saúde, num compromisso de inclusão social que o Governo fez questão de salientar na cerimónia de assinatura.

Comboios para 450 passageiros com Wi-Fi, acessibilidade total e eco design

Os novos comboios Adessia Stream, de três carruagens, têm capacidade para até 450 passageiros cada e foram concebidos especificamente para o mercado português, tendo em conta as características da rede ferroviária nacional.

Entre as características de destaque: acesso sem degraus e piso nivelado em toda a composição, Wi-Fi a bordo, espaços dedicados para cadeiras de rodas e bicicletas, eficiência energética otimizada e uma taxa de reciclabilidade final superior a 95%, seguindo princípios de eco design que consideram todo o ciclo de vida do material.

A acessibilidade foi uma prioridade ao longo de todo o processo de conceção, com envolvimento de organizações como a Accessible Portugal para garantir a plena adaptação às necessidades locais. Os comboios operarão a velocidades entre 120 e 200 km/h, adequados tanto para serviços suburbanos como regionais.

1,8 mil milhões em 195 comboios — o maior investimento de sempre

O contrato com a Alstom é apenas a peça central de um programa mais vasto. O Governo está a realizar o maior investimento de sempre na compra de comboios: 195 unidades num total de 1,8 mil milhões de euros, que inclui:

O concurso para os comboios de alta velocidade, com preço base de 504 milhões de euros para 12 unidades (com opção de mais 8), fechou a 2 de julho de 2026. A expectativa é que as propostas da Alstom (com o Avelia) e da Siemens (com o Velaro Novo) estejam entre as candidatas.

Os primeiros comboios Alstom Adessia Stream estão previstos para entrar ao serviço em 2029. A última entrega está agendada para 2031, 17 meses antes do prazo original graças à renegociação que acelerou o plano de entregas. A fábrica de Matosinhos, entretanto, ficará como legado industrial permanente — uma capacidade de fabrico de material circulante que Portugal não tinha desde 2004, quando a Bombardier entregou os últimos Eurotrams para o Metro do Porto.

Este projeto está alinhado com a visão da CP de oferecer, aos passageiros, serviços ferroviários mais fiáveis e acessíveis, ao mesmo tempo que prepara a rede para a procura futura. Esta parceria também terá impacto a longo prazo, reforçando as capacidades locais, criando novas oportunidades de emprego e contribuindo para o desenvolvimento sustentável do setor ferroviário português.

— David Torres, Diretor-Geral da Alstom Portugal

30 anos de Alstom em Portugal

A Alstom está presente em Portugal há mais de 30 anos. Atualmente, dois em cada três comboios que operam no país são fabricados pela Alstom ou incorporam tecnologia sua — incluindo comboios de alta velocidade, regionais, metropolitanos e suburbanos. Mais de 1.500 km da rede ferroviária portuguesa e mais de 500 unidades onboard são geridos pelo sistema de proteção automática ATP Convel, desenvolvido especificamente para Portugal.

Com esta nova encomenda, a Alstom não só reforça a sua posição dominante no mercado português como dá um passo estratégico ao criar capacidade industrial no país — algo que pode abrir portas a futuras exportações a partir de Matosinhos para outros mercados europeus. O próprio primeiro-ministro, Luís Montenegro, esteve presente na cerimónia de lançamento da obra a 30 de junho, sublinhando que o investimento é "estrutural e estratégico" para o país.

Feito por humanos — Portugal Binário

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