Autoestrada A8 em viaduto sobre um vale arborizado, com trânsito nos dois sentidos e turbinas eólicas nas colinas ao fundo

Fotografia: Alexkom000 — Wikimedia Commons (CC BY 4.0). A8 em Torres Vedras; não é a estação das Caldas da Rainha

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Camiões elétricos ganham a primeira estação pública do país na A8

Uma estação de carregamento ultrarrápido com uma zona reservada a camiões elétricos está a funcionar na saída 19 da A8, junto às Caldas da Rainha. A Zunder, operadora espanhola que a construiu, e a associação de utilizadores UVE apresentam-na como a primeira estação de acesso público em Portugal pensada para ligeiros e pesados.

São 12 pontos de carregamento, com conectores CCS e potência até 400 kW, divididos entre uma zona para automóveis e outra adaptada às dimensões de camiões e autocarros. A cobertura sobre os lugares tem painéis fotovoltaicos, o pagamento pode ser feito com cartão bancário e a área está sob videovigilância.

Dez milhões por ano e um apoio de Bruxelas

A inauguração, a 11 de setembro, juntou a secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias, e o presidente da Câmara das Caldas da Rainha, Vítor Marques. A Scania levou dois pesados — um de mercadorias e um de passageiros — para carregar na estação.

Segundo números apresentados pela empresa, a Zunder investiu entre seis e sete milhões de euros nas primeiras sete estações em Portugal e prevê mais de dez milhões por ano durante quatro anos, com oito projetos já identificados para 2027.

Parte da expansão europeia tem dinheiro comunitário: 10,54 milhões de euros do programa AFIF, gerido pela CINEA, para 400 pontos de carregamento. Em dezembro, a empresa anunciou 44 novos pontos em Portugal ao longo de 2026, cinco deles para camiões.

A estação soma 4,8 MW instalados — mais do que o AFIR vai exigir na rede principal em 2030 — num país onde os pesados de mercadorias elétricos representam 0,5% das vendas novas.

A obrigação europeia por trás dos 400 kW

O Regulamento (UE) 2023/1804, conhecido como AFIR, obriga os Estados-membros a garantir, até 31 de dezembro de 2030, plataformas de carregamento na rede principal da RTE-T com uma distância máxima de 60 km entre si. Cada plataforma tem de somar pelo menos 3 600 kW e incluir dois pontos de 350 kW ou mais. A A8 faz parte dessa rede.

Com 12 pontos de 400 kW, a estação das Caldas da Rainha chega a 4,8 MW de potência máxima teórica, acima do mínimo exigido para 2030. O AFIR conta precisamente essa potência teórica, e não a que a rede elétrica contratada permite em simultâneo, como esclarece a Comissão Europeia.

Parque de carregamento ultrarrápido com cobertura de painéis solares sobre várias colunas de carregamento de 400 kW e camiões parados ao fundo

Parque de carregamento ultrarrápido da EnBW, em Hengersberg, na Alemanha, com cobertura fotovoltaica sobre colunas de 400 kW. É outro operador e fica a mais de dois mil quilómetros da estação das Caldas da Rainha — imagem ilustrativa do conceito.

Crédito: Fotografia: APneunzehn74 — Wikimedia Commons (CC0)

Os camiões que ainda faltam

A frota continua a ser o elo fraco. No primeiro semestre de 2026, apenas 0,5% dos pesados de mercadorias novos com mais de 12 toneladas vendidos em Portugal eram elétricos, contra 2,3% na média europeia, segundo dados das associações ZERO e UVE divulgados em agosto. Nos Países Baixos a quota chegou a 9,5%.

O atraso vem de trás: em 2024, data dos últimos dados do IMT citados pelas mesmas associações, 0,1% dos veículos pesados de mercadorias em Portugal eram elétricos. Nos autocarros, onde houve apoio do PRR, os elétricos representaram 55,4% das vendas novas no primeiro semestre de 2026.

Não é a primeira vez que o país instala potência para pesados. Em maio de 2025, a Galp montou um carregador de 400 kW na base operacional da TJA, em Estarreja, para uma rota elétrica entre Oliveira de Azeméis e Mangualde. Aquela instalação era privada; a das Caldas da Rainha está aberta a qualquer utilizador.

O que fica por esclarecer

A contagem de lugares admite mais do que uma leitura: a UVE registou dez lugares de carregamento na inauguração, enquanto a Zunder fala de 12 pontos. A empresa não indicou quantos dos 44 pontos previstos para este ano já estão instalados, nem datas para os oito projetos de 2027.

Os pontos usam CCS, a norma de corrente contínua que serve automóveis e camiões com este tipo de ficha, a até 400 kW. Nos seus carregadores ultrarrápidos em Portugal, a Zunder indica um preço de 0,59 €/kWh quando a sessão é iniciada pela aplicação.

Fica uma estação preparada para camiões que ainda são raros, num dos principais corredores logísticos do país. O próximo teste à aposta da Zunder é simples: contar quantos camiões elétricos param ali. Os oito projetos previstos para 2027 dirão se a aposta se mantém.

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