A Apple disponibilizou hoje o iOS 27, o iPadOS 27, o macOS 27 «Golden Gate», o watchOS 27 e o visionOS 27. Em Portugal, quem tem um iPhone compatível encontra a atualização nas definições do sistema. O que não vem incluído é a Siri AI: a Apple decidiu não lançar a assistente reconstruída com inteligência artificial na União Europeia no iPhone, no iPad e no Apple Watch.
A justificação não é técnica nem linguística. Segundo a Apple, o Regulamento dos Mercados Digitais (DMA, na sigla inglesa) obrigá-la-ia a dar a qualquer assistente virtual acesso direto aos dados privados dos utilizadores e à capacidade de controlar outras aplicações instaladas.
«Estamos profundamente desiludidos por os utilizadores da UE não terem a Siri AI no iPhone ou no iPad quando divulgarmos os novos lançamentos de software este ano», afirmou Craig Federighi, vice-presidente sénior de Engenharia de Software, na nota publicada em junho.
A empresa diz ter proposto um intermediário chamado «Trusted System Agent» e um plano para lançar a assistente na Europa com uma introdução gradual ao longo de 18 meses. Garante que a Comissão Europeia recusou todas as suas propostas e que, por isso, não tem «um prazo» para a disponibilidade da Siri AI no iOS e iPadOS na União Europeia.
Do lado de Bruxelas, a leitura é diferente. No briefing de 11 de setembro, o porta-voz Thomas Regnier descreveu as conversas com a Apple como construtivas e sublinhou que o DMA não exige que a empresa enfraqueça a privacidade ou a segurança.
A Apple pode lançar a Siri AI, desde que garanta interoperabilidade com assistentes rivais, mediante o consentimento dos utilizadores. Segundo a Comissão, o ponto em disputa não é se a assistente pode existir na Europa, mas em que condições os outros assistentes conseguem competir com ela em igualdade de circunstâncias.
O que chegou hoje e a que iPhones
O iOS 27 e o iPadOS 27 estão disponíveis para iPhone 11 e posteriores e também para o iPad Pro de 12,9 polegadas (4.ª geração) e posteriores, o iPad Pro de 11 polegadas (2.ª geração) e posteriores, o iPad Air (4.ª geração) e posteriores, o iPad (9.ª geração) e posteriores e o iPad mini (6.ª geração) e posteriores, segundo o documento de segurança da Apple.
No mesmo dia chegaram o macOS 27 «Golden Gate», o watchOS 27 e o visionOS 27. Antes de mais, é uma atualização de segurança: o documento oficial da Apple para o iOS 27 e o iPadOS 27 lista 126 vulnerabilidades identificadas por CVE e corrigidas nesta versão. Entre as alterações visíveis, a Apple destaca melhorias de desempenho, agrupamento de separadores por tópicos no Safari, novas funções de acessibilidade e controlos parentais revistos.
O que fica de fora na União Europeia
- A Siri AI, com conversas naturais, contexto pessoal entre aplicações e ações dentro de outras apps.
- A aplicação dedicada para rever conversas com a assistente.
- A Inteligência Visual alargada, as ferramentas de escrita integradas e o modo Siri na Câmara, no iPhone.
- A Siri AI no Apple Watch, porque a versão para o relógio depende de um iPhone que tenha a assistente.
- A possibilidade de programadores na União Europeia testarem as novas funcionalidades nos seus próprios programas para iOS, iPadOS e watchOS.
Na União Europeia, a Siri AI fica acessível apenas no macOS 27 e no visionOS 27 — e, mesmo aí, apenas em inglês, com a Apple a avisar que podem aplicar-se limites de utilização.
Apple Intelligence em português não é a mesma coisa que Siri AI
Vale a pena separar as duas camadas, porque a confusão é frequente. A Apple Intelligence — ferramentas de escrita, de imagem e de resumo integradas nas aplicações — chegou ao português de Portugal em novembro de 2025 e continua disponível nos modelos compatíveis.
A Siri AI é a camada seguinte: a assistente com conversas naturais e capacidade de agir em várias aplicações ao mesmo tempo. E o português já não é a barreira principal: a própria página portuguesa da Apple marca várias novidades do iOS 27 como «disponível em inglês», mas a exclusão europeia da Siri AI no iPhone é uma decisão separada da disponibilidade por língua.
Famílias, desempenho e o que muda no Mac
Entre as novidades que chegam a Portugal estão os controlos parentais revistos. No Assistente de Configuração, os pais escolhem as aplicações do sistema que a criança pode usar, de um conjunto essencial a uma seleção personalizada. A Segurança na comunicação passa também a intervir perante imagens ou vídeos com violência ou sangue, e não apenas perante nudez.
Os Limites de tempo permitido podem ser definidos por categorias, como entretenimento, jogos e redes sociais, com horários próprios para o dia e a semana. A Apple afirma ainda ganhos de desempenho, como abrir aplicações até 30% mais depressa e transferências por AirDrop até 80% mais rápidas — números da própria empresa, que só medições independentes podem confirmar.
Um MacBook Pro de 16 polegadas. A fotografia foi tirada em dezembro de 2025 e o sistema no ecrã não é o macOS 27: ilustra o tipo de máquina que recebe a atualização. Crédito: AzureSaturn, Wikimedia Commons (CC0).
No Mac, a novidade chega com uma condição: o macOS 27 «Golden Gate» fica reservado a computadores com Apple silicon. Nenhum Mac com processador Intel é compatível com esta geração, o que deixa de fora modelos que ainda recebiam atualizações até agora.
O que continua em aberto
Não há data para a Siri AI chegar ao iPhone europeu. A Comissão Europeia não bloqueou o lançamento — insiste que a decisão de o fazer é da Apple — e a Apple diz que espera vir a disponibilizá-la e que continuará a dialogar com os reguladores.
Para quem usa um iPhone em Portugal, o resultado prático é este: o iOS 27 está disponível, a Apple Intelligence fala português de Portugal e a Siri AI continua à espera de um acordo em Bruxelas.
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