O iPhone 18 Pro de 256 GB chega à loja portuguesa da Apple a 18 de setembro por 1 499 €. Há um ano, o iPhone 17 Pro com os mesmos 256 GB custava 1 349 €. São mais 150 euros, e a diferença não vem do processador nem do ecrã: vem da memória.
A memória passou de cerca de 10% do custo de materiais de um iPhone Pro, há um ano, para 34% no terceiro trimestre de 2026. A TrendForce estima que a produção do modelo de 256 GB fique quase 40% mais cara e prevê que a memória passe dos 40% em 2027.
Durante anos, os dois maiores componentes foram o processador e o ecrã. A memória ficava em segundo plano — e é isso que mudou, à medida que as linhas de produção foram desviadas para a memória de alta largura de banda que alimenta os centros de dados de inteligência artificial.
A subida em números
Os preços de contrato estão em máximos históricos. A TrendForce aponta uma subida de 13% a 18% na DRAM e de 10% a 15% na NAND no terceiro trimestre de 2026, depois de trimestres mais violentos: no segundo, a memória móvel LPDDR4X subiu 70% a 75% e a LPDDR5X, 78% a 83%.
A própria consultora admite que os clientes de consumo — computadores pessoais e telemóveis — estão a chegar ao limite do que conseguem pagar. A subida mais moderada do terceiro trimestre não é alívio: é resistência de quem compra.
No topo paga-se, na base corta-se
No topo da tabela, o aumento aparece no preço. A Apple pode absorver parte da diferença reduzindo a margem e, segundo a TrendForce, poderá subir também o preço dos modelos antigos para compensar. Para os fabricantes Android, a pressão sobre as margens é ainda maior.
Na base, o efeito é mais duro. A Omdia projecta uma queda de mais de 22% nas vendas de telemóveis com preço inferior a 400 dólares este ano, num mercado global que recua 12%. Nesse segmento, a memória pode representar até 64% do custo total do aparelho.
A memória ganhou peso no custo de materiais e o preço em Portugal acompanhou: mais 150 € no mesmo degrau da gama. Fontes: TrendForce (10 ago. 2026); loja portuguesa da Apple, consultada a 17 set. 2026; preço de 2025 via Pplware. Gráfico: Portugal Binário.
Crédito: Portugal Binário (gráfico próprio)
Com a memória a valer mais de metade do custo, sobram poucas saídas: cortar especificações, adiar lançamentos ou abandonar modelos. A Fairphone diz que a memória chega a representar 60% do custo de materiais num telefone de 400 dólares.
Menos memória no mesmo lugar
Na configuração, o movimento é visível: a capacidade média de memória por telemóvel continua a subir (8,5 GB em 2026, mais 10% do que no ano anterior), mas os modelos de 4 GB regressam às gamas de entrada e as intermédias fixam-se entre os 6 e os 8 GB.
Há também pressão do lado do software: as marcas estão a pedir aos programadores de aplicações que consumam menos memória e a empurrar funções para a nuvem. É a resposta possível quando o componente mais caro do aparelho é também o mais difícil de reduzir sem se notar.
Não é só nos telemóveis
O mesmo aperto chegou aos computadores. A TrendForce espera que os preços de retalho dos portáteis subam de forma generalizada à medida que os componentes mais caros chegam às lojas, com a oferta de DRAM para PC reduzida pela migração de capacidade para servidores.
A procura antecipou-se: com receio de novos aumentos, muitos consumidores compraram mais cedo. A produção mundial de telemóveis caiu 8% no segundo trimestre, para 275 milhões de unidades, mas a previsão para 2026 foi revista em alta, de 1,05 para 1,07 mil milhões.
O que isto significa para quem compra
Em Portugal, a conta está no gráfico: mais 150 euros pelo mesmo degrau da gama.
Do outro lado, as regras europeias de conceção ecológica para telemóveis, aplicáveis desde 20 de junho de 2025, exigem reparabilidade, combatem a obsolescência precoce e obrigam a manter informação de manutenção durante pelo menos sete anos após o fim da colocação no mercado.
O que falta saber
Estes números são estimativas de mercado, não resultados: a parte já observada é o preço em Portugal. Para 2027, o cenário é de aperto — o responsável máximo da SK hynix disse em julho, citado pela Reuters, que 2027 será o pior ano da escassez actual, que pode durar até 2030.
Por agora, o dado mais concreto é este: o mesmo degrau da gama Pro custa hoje mais 150 euros em Portugal do que há um ano. E o maior responsável por essa diferença não é o processador — é a memória.
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