Economia russa sob pressão - os gastos militares já consomem metade do orçamento do Estado russo
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Gastos militares já consomem metade do orçamento da Rússia: economia paralisa, inflação dispara e Putin foi avisado de que a guerra é financeiramente insustentável

A economia russa está a dar sinais de exaustão. Os gastos militares, alimentados pela guerra na Ucrânia, já consomem quase metade do orçamento total do Estado russo, segundo Janis Kluge, investigador do Instituto Alemão para Assuntos Internacionais e de Segurança, citado pelo ECO. E o agravamento não pára: nos primeiros três meses de 2026, a despesa militar aumentou 30% face ao mesmo período de 2025, atingindo o equivalente a 12% do PIB, de acordo com dados do SIPRI (Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo).

O orçamento que engoliu o país

O SIPRI estima que a despesa militar russa tenha atingido cerca de 16 triliões de rublos em 2025, o equivalente a 7,5% do PIB. O orçamento federal para 2026 foi construído para a guerra, não para a paz: segundo o ECO, a despesa militar representa já quase 50% de todo o orçamento do Estado. Para contexto, os EUA gastam cerca de 12-13% do orçamento federal em defesa, a Alemanha cerca de 11%, e a média da NATO é de cerca de 10%. A Rússia quadruplicou este rácio.

Este esforço financeiro extraordinário está a canibalizar o resto da economia. O Público noticiou a 1 de junho que altos funcionários das Finanças e do banco central avisaram Vladimir Putin de que os gastos com a guerra na Ucrânia estão numa trajetória insustentável. As fábricas ligadas à produção de armamento operam perto do limite de capacidade, enquanto a mão-de-obra é desviada para a frente de combate com salários e incentivos cada vez mais altos.

Crescimento a zero e inflação teimosa

O impacto na economia real é já visível. Em maio, o Financial Times noticiou que as previsões oficiais de crescimento para 2026 foram revistas em baixa, de 1,3% para apenas 0,4%. A inflação mantém-se nos 5,6%, acima do objetivo do banco central, que na semana passada reduziu a taxa de juro de referência apenas 25 pontos base, para 14,25% — contrariando as expectativas do Kremlin, que queria um corte mais expressivo para estimular a economia.

A governadora do Banco da Rússia, Elvira Nabiullina, tem insistido na necessidade de uma política monetária prudente e apontou diretamente o aumento da despesa pública como um dos fatores que alimentam as pressões inflacionistas. É um conflito de interesses clássico: o Kremlin quer gastar mais na guerra, o banco central quer controlar a inflação.

O petróleo já não tapa os buracos

As receitas petrolíferas, principal suporte das finanças russas, estão sob pressão. Os preços do petróleo bruto russo voltaram ao nível de fevereiro, e a recuperação pode ser limitada pelo acordo entre os EUA e o Irão que garante a estabilidade da navegação no Estreito de Ormuz. Além disso, a valorização do rublo — apoiada pela política monetária restritiva — limita as receitas fiscais obtidas através das exportações de petróleo denominadas em dólares.

A infraestrutura petrolífera russa continua a ser alvo de ataques ucranianos com drones, incluindo refinarias perto de São Petersburgo e Moscovo, o que afeta diretamente as capacidades económicas do país. E na Crimeia, a Rússia anunciou cortes de energia temporários devido a danos na infraestrutura energética provocados por ataques ucranianos.

Os números contam uma história clara: a Rússia de Putin está a transformar-se numa economia de guerra total, onde metade do orçamento do Estado serve para alimentar o conflito. O crescimento está a parar, a inflação não cede, e até os próprios funcionários do regime avisam que o modelo é insustentável. A questão já não é se a economia russa vai estagnar — é quanto tempo Putin pode ignorar os próprios conselheiros antes de ter de escolher entre a guerra e a sobrevivência financeira do país.

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