Ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, numa audição regimental na Assembleia da República — Portugal atingiu 2,01% do PIB em despesas militares confirmado pela NATO
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Portugal chega à NATO com 2,01% do PIB em Defesa e drones nacionais a estrear em missão internacional

Portugal chega à cimeira da NATO em Ancara, na Turquia, com dois trunfos estratégicos na mão: o cumprimento — e ligeira superação — da meta dos 2% do PIB em despesas militares, e a estreia de drones desenvolvidos inteiramente por empresas Portuguesas numa missão oficial da Aliança Atlântica. O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, confirmou em audição regimental na Assembleia da República a 1 de julho que Portugal atingiu 2,01% do Produto Interno Bruto em investimento na Defesa, valor agora certificado pelo relatório anual da NATO.

"Estamos a dias de partir para a cimeira de Ancara e na bagagem levamos a certeza que Portugal atingiu e até superou o investimento na Defesa Nacional de 2% do PIB. Na verdade, atingimos um valor agora confirmado pela NATO de 2,01%", afirmou Nuno Melo, sublinhando que o feito foi alcançado "apesar da revisão em alta por duas vezes do PIB".

6,1 mil milhões: o investimento histórico de 2025

Portugal investiu 6.118 milhões de euros em Defesa no ano passado, um salto expressivo face aos 4.482 milhões de 2024 e aos 3.563 milhões de 2023. Deste total, 4,1 mil milhões estão afetos ao Ministério da Defesa Nacional, 1,16 mil milhões ao Ministério das Finanças, 266 milhões ao da Administração Interna, 63 milhões aos Negócios Estrangeiros e 558 milhões a outros ministérios.

Apesar do investimento recorde, Portugal continua entre os países da NATO que menos gastam em Defesa — a par de Espanha, Bélgica, Albânia e Canadá, todos nos 2% do PIB. O desafio seguinte é consideravelmente mais ambicioso: na cimeira de Haia, no ano passado, os aliados comprometeram-se a atingir 5% do PIB até 2035, com uma revisão intercalar em 2029. Para chegar lá, Portugal teria de mais do que duplicar o esforço orçamental atual.

Militares do Exército Português a operar um drone quadricóptero Beyond Vision em ambiente de campo — a nova secção Mini-UAV antes de partir para a Eslováquia

Militares do Exército Português preparam um drone Beyond Vision para voo durante os treinos em Vendas Novas, antes de integrarem a 4.ª Força Nacional Destacada na Eslováquia. Os sistemas foram desenvolvidos de acordo com requisitos operacionais definidos pelo Exército e são os primeiros protótipos portugueses a entrar numa missão NATO.

O contexto geopolítico: os EUA retraem-se, a Europa acelera

Nuno Melo destacou na audição que os Estados Unidos estão a retrair-se em muitas das suas capacidades e apoio à NATO por razões geopolíticas, e que neste contexto "o Canadá e os aliados europeus aumentaram o seu investimento de 27% para perto de 40%" do total da Aliança. O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, estima que os Aliados na Europa e no Canadá tenham investido 574 mil milhões de dólares em defesa apenas em 2025, um aumento real de 20% face ao ano anterior.

Numa nota geopolítica relevante, o ministro revelou ainda ter subscrito, na última reunião de ministros da Defesa da NATO em Bruxelas, um "pacto de segurança marítima para o Atlântico Norte", sem entrar em detalhes sobre o seu alcance.

Contratos SAFE: 5,8 mil milhões em equipamentos a chegar em 2029

A candidatura portuguesa ao Instrumento de Ação para a Segurança da Europa (SAFE) — empréstimos europeus no valor de 5,8 mil milhões de euros — está "em fase contratual", com a assinatura dos primeiros contratos prevista para o final de julho. Nuno Melo adiantou que os primeiros equipamentos deverão chegar ao país entre 2029 e 2030, incluindo satélites, fragatas, veículos blindados, sistemas antiaéreos, sistemas de artilharia, drones, munições e um investimento "muito significativo" no Arsenal do Alfeite.

A data de assinatura gerou tensão com a oposição — o Chega e o PS acusaram o ministro de ser "evasivo", depois de Nuno Melo ter indicado anteriormente que os contratos seriam assinados em maio. O ministro desvalorizou: "Se for em junho, julho, em agosto, em setembro, desde que fique feito, nós ficamos com as capacidades, o senhor deputado fica com a retórica parlamentar."

Drones portugueses na NATO pela primeira vez

Em paralelo ao reforço orçamental, Portugal dá um passo qualitativo na sua afirmação como produtor de tecnologia militar. O Exército Português enviou em junho, pela primeira vez, drones desenvolvidos inteiramente em Portugal para uma missão da NATO. Os protótipos, construídos pela empresa nacional Beyond Vision em parceria com o Exército, seguiram para a Eslováquia integrados na 4.ª Força Nacional Destacada (4FND), que participa no Battlegroup Multinacional da NATO liderado por Espanha.

"São os primeiros protótipos com requisitos militares, definidos pelo Exército português, construídos em Portugal, desenvolvidos com engenharia e indústria portuguesa", declarou à Lusa o chefe do Estado-Maior do Exército, general Eduardo Mendes Ferrão. Os sistemas foram testados em Vendas Novas antes de partirem para o teatro de operações, onde serão operados por uma Secção Mini-UAV composta por quatro militares divididos em duas equipas.

Os drones — duas tipologias distintas — destinam-se a missões de reconhecimento, vigilância, recolha de informação e apoio à decisão, e serão integrados numa força que já opera com carros de combate Leopard 2A6 e viaturas blindadas Pandur II 8x8. Portugal mantém cerca de 120 militares na Eslováquia, número que deverá subir para 155 na próxima rotação, no âmbito do reforço da presença da NATO no flanco leste após a invasão russa da Ucrânia.

Painel da Conferência Anual eRadar com logótipo da Tekever — empresa portuguesa que lidera a exportação de drones de defesa

A Conferência Anual eRadar, dedicada aos setores de Defesa, Segurança, Espaço e Aeronáutica, reuniu em Lisboa os principais atores da indústria de defesa nacional. A Tekever, fabricante Portuguesa de drones, marcou presença como um dos expoentes do setor, responsável por cerca de 20% das exportações de defesa de Portugal.

Drones: o "campeão nacional" da indústria de defesa

O setor dos drones representa já cerca de 20% das exportações da indústria de defesa portuguesa, segundo dados revelados na Conferência Anual eRadar, que decorreu em maio no Centro Cultural de Belém. A Tekever, fabricante nacional de referência, acumula mais de 50.000 horas de voo em cenários de conflito, nomeadamente na Ucrânia, onde os seus UAVs AR3 e AR5 são utilizados para vigilância e reconhecimento. A empresa demonstrou uma capacidade de adaptação notável: quando as forças ucranianas pediram a substituição dos motores dos sistemas, a Tekever completou o retrofit dos drones em apenas três semanas.

O diretor da Tekever, Rui Lobo, afirmou que a indústria nacional "já é, de alguma forma, um campeão nacional" na área dos sistemas autónomos. "Não estamos só a falar de sistemas aéreos, estamos a falar de autonomia em sentido lato, que vai ter cada vez mais necessidades de software de inteligência artificial associada. É onde Portugal, claramente, tem mais capacidade e mais possibilidade de criar este cluster à volta dos sistemas autónomos", argumentou.

O que está em jogo em Ancara

A cimeira da NATO em Ancara, marcada para os primeiros dias de julho, será a primeira a avaliar o progresso dos aliados rumo à nova meta dos 5% e a debater o reforço do flanco leste, a autonomia estratégica europeia e o futuro da relação transatlântica. Portugal leva para a mesa a credibilidade de quem cumpriu o compromisso de 2014 e a ambição de quem quer ver a sua indústria de defesa — com os drones nacionais à cabeça — integrada nos grandes projetos europeus como o Space Shield e o Drone Shield.

O país tem atualmente cerca de 25.000 militares nas Forças Armadas e o Governo aprovou um diploma que autoriza a contratação de até 31.000 efetivos nos próximos três anos, antecipando uma despesa de mais de 150 milhões de euros. No exterior, Portugal mantém projetados 2.241 militares, cinco navios, doze aeronaves e 144 viaturas táticas distribuídas por 44 missões.

Fontes: TSF (1 jul 2026), Diário de Notícias (1 jul 2026), ECO (26 mar 2026), ECO (15 mai 2026), CNN Portugal (18 jun 2026), Expresso (26 mar 2026), ECO/eRadar (13 mai 2026), ECO/eRadar (19 jun 2026), Lusa.

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