Técnica de I&D a trabalhar num laboratório de investigação — o capital humano qualificado é um dos pilares da inovação avaliada pelo European Innovation Scoreboard.
📡 Actualidade

Portugal sobe para 93,2% da média da UE no European Innovation Scoreboard 2026 — apoio público à I&D lidera na Europa, mas empresas continuam a investir pouco

Portugal mantém-se como "Inovador Moderado" no European Innovation Scoreboard (EIS) 2026, mas continua a convergir com a média europeia: o desempenho nacional subiu para 93,2% da média da UE, face aos 90,7% de 2025 — um ganho de 1,4 pontos percentuais num ano. O país ocupa o 15.º lugar entre os 27 Estados-Membros e o 19.º quando incluídos os países vizinhos analisados pelo relatório.

O melhor indicador: apoio público à I&D

O relatório anual da Comissão Europeia, publicado a 9 de julho de 2026, revela que Portugal lidera a União Europeia no apoio direto e indireto à I&D empresarial, com um resultado equivalente a 185,9% da média europeia — o melhor indicador nacional de todo o scoreboard. O capital de risco também recuperou em 2026, com uma subida de 14,7 pontos que permitiu ao país passar do 18.º para o 14.º lugar.

A digitalização é outra área de destaque: Portugal ocupa o 8.º lugar da UE no desempenho digital, embora a Comissão Europeia note que as empresas têm sido mais lentas a adotar tecnologias avançadas como computação em nuvem e inteligência artificial.

As copublicações científicas internacionais e a capacidade de atrair estudantes de doutoramento estrangeiros continuam a ser pontos fortes, reforçando a colaboração entre centros de investigação nacionais e internacionais. As copublicações público-privadas cresceram 17,6 pontos e atingiram 161,2% da média da UE.

O calcanhar de Aquiles: investimento empresarial e patentes

Apesar do forte apoio público, o investimento das empresas em inovação continua a ser a maior debilidade estrutural. Portugal ocupa apenas o 21.º lugar no investimento empresarial e a despesa em inovação por trabalhador corresponde a apenas 36,1% da média da UE — o segundo pior posicionamento nacional no conjunto dos indicadores.

Os ativos intelectuais também recuaram. Portugal desceu para o 20.º lugar após uma queda anual de 4,5 pontos. As solicitações internacionais de patente apresentadas através do sistema PCT caíram 4 pontos e os pedidos de registo de desenhos industriais diminuíram 9,9 pontos. Apenas o registo de marcas comerciais avançou, com uma subida de 2,9 pontos. O relatório associa esta evolução a uma capacidade ainda limitada para converter conhecimento científico e investimento em ativos tecnológicos protegidos.

A atividade inovadora das PME apresenta um quadro misto: as que introduzem inovações de produto cresceram 10,8 pontos (114,7% da média europeia), mas as que inovam em processos empresariais caíram 20,4 pontos, refletindo um desequilíbrio crescente entre produto e processo.

Vendas de inovação: o contra-ataque português

No lado positivo, Portugal é o 4.º país da UE nas vendas de produtos e serviços novos para o mercado ou para a própria empresa, com 133% da média europeia. Este indicador subiu 15,7 pontos num ano e 54,1 pontos desde 2019, sinal de que as empresas portuguesas estão cada vez mais a conseguir colocar inovação no mercado com sucesso comercial.

Em contraste, o emprego em empresas inovadoras continua a diminuir, permanecendo 48 pontos abaixo do nível de 2019 — os resultados comerciais positivos ainda não se traduzem em criação de emprego equivalente.

Exportações: o fosso que persiste

No comércio externo tecnológico, o retrato é de assimetria. As exportações de produtos de média e alta tecnologia representam apenas 62,7% da referência comunitária. Já as exportações de serviços intensivos em conhecimento ficam-se pelos 42,7% — o pior resultado português em todo o scoreboard.

Em sentido contrário, as importações de alta tecnologia provenientes de fora da UE alcançam 124,6% da média, embora a tendência desde 2019 indique uma redução gradual da dependência de inputs tecnológicos estrangeiros.

Progresso consolidado, desafios estruturais

Desde 2019, o índice português aumentou 13 pontos percentuais, acima dos 11,6 pontos registados pela média da UE. Um terço desse progresso ocorreu no último ano, com um avanço de 1,4 pontos. Portugal também supera a média do seu grupo de "Inovadores Moderados", fixada em 86,4%.

O perfil das empresas portuguesas oferece, ainda assim, uma base promissora: a percentagem de empresas que desenvolvem internamente produtos com novidade de mercado é mais do dobro da média europeia (11% contra 5,1%). A proporção de empresas sem qualquer disposição para inovar é inferior à média da UE (24,9% contra 31%).

"O principal desafio de Portugal é transformar a forte predisposição para inovar em mais patentes, maior produtividade, emprego qualificado e presença nos mercados internacionais", conclui a análise da Zabala Innovation. A ANI — Agência Nacional de Inovação sublinha que os "resultados refletem o fortalecimento do ecossistema nacional de investigação e inovação, sustentado pelo investimento em I&D, pela crescente colaboração entre ciência e empresas e pelo reforço das políticas públicas de apoio à inovação".

Experiência laboratorial com tubos de ensaio — a investigação e experimentação são a base da I&D empresarial que o European Innovation Scoreboard avalia em Portugal.

💬 Comentários

Nenhum comentário ainda. Sê o primeiro a comentar!