Ilustração de homenagem a Patrick Stewart como Jean-Luc Picard, de uniforme vermelho e preto na ponte da Enterprise, diante das estrelas

Ilustração de homenagem criada com IA para o Portugal Binário; não é uma fotografia nem uma imagem da série.

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Patrick Stewart, o capitão que nos ensinou a acreditar no futuro

Patrick Stewart morreu na quarta-feira, 28 de outubro, aos 86 anos. O ator britânico levou gerações de espectadores até às estrelas como Jean-Luc Picard, o capitão da nave Enterprise, e deu rosto a outro líder inesquecível: o Professor Charles Xavier, dos X-Men.

A morte, em Los Angeles, foi confirmada pela porta-voz Kelly Bush Novak à agência Associated Press. A notícia deixa uma ausência para quem cresceu com as suas personagens, mas também uma obra à qual será sempre possível regressar.

Um capitão para o futuro

Em Star Trek: The Next Generation, transmitida entre 1987 e 1994, Stewart comandou a Enterprise como Jean-Luc Picard. Era um capitão capaz de firmeza, mas também de escutar, ponderar e procurar uma solução antes de recorrer à força. Na ponte da nave, a sua presença ajudou a dar forma a uma visão do futuro em que a curiosidade e a responsabilidade viajavam juntas.

Essa autoridade tinha uma dimensão moral. Em The Measure of a Man, Picard defende o direito de Data, um androide, a decidir sobre a própria existência quando querem desmontá-lo para o estudar. O conflito resolve-se numa audiência: a grande pergunta é se alguém pode ser tratado como propriedade só por ser diferente.

Era uma forma de aventura que também pedia ao espectador para pensar. A exploração começava no espaço e regressava a questões muito próximas: dignidade, liberdade, preconceito e o uso responsável do poder. Stewart dava peso a essas palavras sem precisar de transformar cada intervenção num grito.

Patrick Stewart sorri durante um painel na San Diego Comic-Con, em 2019

Patrick Stewart na San Diego Comic-Con, em 2019. Gage Skidmore · CC BY-SA 3.0

A série durou sete temporadas e levou Picard ao cinema em quatro filmes. Décadas depois, Stewart regressou à personagem em Star Trek: Picard. O ator contou ao site oficial da saga que inicialmente não pretendia voltar, mas que a possibilidade de encontrar uma personagem e um mundo transformados acabou por o convencer.

No cinema, essa viagem passou por Star Trek: Generations (1994), First Contact (1996), Insurrection (1998) e Nemesis (2002). A passagem de uma série de televisão para a sala de cinema prolongou a convivência com uma tripulação que muitos espectadores já conheciam como um grupo de velhos amigos.

Nesse regresso havia uma ligação a outro dos seus papéis: Stewart explicou que Logan, um filme diferente dos anteriores X-Men, ajudara a moldar o que desejava para a nova série. Picard também tinha envelhecido; havia novas histórias para contar.

Da Enterprise aos X-Men

Como Charles Xavier, o Professor X, Stewart foi o fundador da escola que acolhia jovens mutantes no cinema dos X-Men. A personagem defendia a convivência entre humanos e mutantes, mesmo perante o medo e o preconceito. Em Logan, de 2017, voltou a interpretar Xavier num capítulo mais íntimo e marcado pela fragilidade.

Antes de entrar na ponte da Enterprise, Stewart já tinha passado por outro universo de ficção científica: interpretou Gurney Halleck em Dune, o filme de David Lynch de 1984. A sua carreira não cabia, porém, num só género. O teatro, incluindo muitos anos na Royal Shakespeare Company, foi uma parte fundamental do seu percurso.

Patrick Stewart de fato escuro e gravata, segurando um prémio Peabody diante de um fundo vermelho

Stewart com um prémio Peabody, em 2011. Anders Krusberg / Peabody Awards · CC BY 2.0

Histórias que nos levam mais longe

A influência de Star Trek estendeu-se para lá dos ecrãs. Num conjunto de testemunhos publicado pela NASA, cientistas e engenheiros explicaram como a saga alimentou o seu interesse pelo espaço e pela exploração. A astrofísica Aki Roberge recordou ver The Next Generation na universidade e identificou Picard como o seu capitão, falando também da visão otimista da humanidade que encontrou na série.

Não é preciso confundir uma nave imaginária com uma missão real para reconhecer o poder destas histórias. Elas podem abrir perguntas, despertar curiosidade e fazer-nos imaginar quem queremos ser quando encontramos o desconhecido.

Patrick Stewart fala num púlpito numa cerimónia dos Peabody Awards, com a sua imagem projectada num grande ecrã

Stewart numa cerimónia dos Peabody Awards, em 2012. Anders Krusberg / Peabody Awards · CC BY 2.0

Patrick Stewart deu humanidade a figuras que habitavam mundos extraordinários. Para quem o acompanhou, ficam a voz, a presença e tantas viagens que ainda podem recomeçar ao carregar no botão de reprodução.

Obrigado, Patrick Stewart, por tantas viagens — e por nos ajudares a acreditar que o futuro podia ser mais curioso, mais justo e mais humano. Fica a despedida de Star Trek, a saudação vulcana que hoje dirigimos ao nosso capitão: Live long and prosper. Vida longa e próspera.

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