Uma equipa liderada pela Universidade Brown conseguiu produzir películas ultrafinas de um material que conserva propriedades elétricas e magnéticas importantes para a investigação de novos componentes eletrónicos. O resultado, obtido em laboratório, poderá ajudar a desenvolver dispositivos de menor consumo, mas não é ainda um chip de inteligência artificial pronto a utilizar.
O material estudado é a ferrite de bismuto, pertencente a uma família chamada multiferroica. Nestes materiais, propriedades elétricas e magnéticas podem estar ligadas, uma característica com interesse para guardar e ler informação com pequenos impulsos elétricos.
O problema é que, quando as películas são reduzidas à espessura necessária para componentes muito pequenos, podem perder essas propriedades. Os investigadores procuraram ultrapassar essa limitação fazendo crescer a película sobre uma base cristalina que a comprime e acrescentando uma camada metálica que ajuda a controlar os campos elétricos internos.
No artigo publicado na revista Nature Materials, a equipa descreve a preservação da ordem elétrica e magnética em películas ultrafinas e identifica sinais de uma forma de magnetismo chamada altermagnetismo. O trabalho combinou cálculos e várias técnicas de observação para estudar a estrutura e o comportamento do material.
A Universidade Brown aponta o resultado como um possível passo para memórias ou componentes lógicos mais eficientes. Para chegar a aplicações práticas será ainda necessário integrar o material em dispositivos e avaliar o seu desempenho; o estudo não apresenta uma comparação de consumo de um chip comercial.
💬 Comentários
Nenhum comentário ainda. Sê o primeiro a comentar!