A Motorola Solutions adquiriu a DeepNeuronic, uma startup portuguesa de inteligência artificial criada na Covilhã. A informação foi publicada pela Universidade da Beira Interior (UBI) a 10 de setembro e confirmada pelo ECO no dia anterior; o valor da operação não foi divulgado.
Equipa da DeepNeuronic. Imagem de arquivo disponibilizada pela UBI; não é uma fotografia da operação de aquisição.
Da incubadora da UBI para a plataforma Avigilon
A DeepNeuronic estava incubada na UBImedical desde 2021. A UBI diz que a tecnologia criada na Covilhã será integrada na Avigilon, a plataforma de segurança por vídeo da Motorola Solutions, ficando acessível a clientes em mais de 100 países.
A solução foi concebida para utilizar câmaras comuns e transformar o vídeo captado em análise em tempo real, contexto e dados operacionais. A empresa descreve aplicações em transportes, comércio e indústria, onde os sistemas podem sinalizar eventos e apoiar decisões enquanto uma operação está a decorrer.
Segundo a UBI, a tecnologia já foi implementada em aeroportos, pontes, estradas, postos de abastecimento, fábricas e áreas comerciais em Portugal e no Brasil. Esta descrição identifica ambientes de utilização, mas não permite concluir que todos os projetos usam os mesmos modelos, câmaras ou regras de tratamento de dados.
A equipa fica na Covilhã
Os 17 trabalhadores da DeepNeuronic transitam para a Motorola Solutions e, de acordo com a UBI e o ECO, mantêm-se na Covilhã e na UBImedical, com parte da equipa em trabalho remoto. A aquisição preserva, assim, a base local de desenvolvimento enquanto liga a empresa a uma rede multinacional.
Os fundadores são Vasco Lopes e Bruno Degardin, ambos com percurso académico na UBI em Engenharia Informática. A empresa foi fundada em 2021 e, desde então, angariou mais de 2,5 milhões de euros em financiamento privado e da União Europeia, segundo as duas fontes portuguesas consultadas.
O que está confirmado e o que fica por detalhar
A informação divulgada permite confirmar a aquisição, a integração da tecnologia na plataforma Avigilon e a continuidade da equipa na Covilhã. Não foram tornados públicos o valor da operação nem alguns pormenores sobre contratos, fluxos de dados, condições de integração ou alterações aos produtos existentes, que ficam para ser esclarecidos à medida que a nova fase avançar.
Nas fontes consultadas, a DeepNeuronic é descrita como uma plataforma de análise de vídeo. A informação pública sobre o DeepRetail apresenta-o como uma aplicação que trabalha sem identificar pessoas; os detalhes técnicos de cada solução e implementação dependem, naturalmente, do projeto em causa.
Como acontece com qualquer tecnologia que analisa vídeo, cada implementação é acompanhada pelos requisitos aplicáveis de privacidade, segurança, controlo de acesso e transparência. Esses pormenores serão definidos no contexto de cada projeto e poderão ser atualizados pela empresa durante a integração na Motorola Solutions. A aquisição, a integração na Avigilon e a permanência da equipa na Covilhã são os elementos confirmados nesta fase.
Uma aquisição com impacto local
O interesse desta operação está menos num valor financeiro, que permanece desconhecido, e mais na escala que a tecnologia poderá alcançar. Uma empresa nascida de um projeto universitário e mantida na Covilhã passa a fazer parte de uma plataforma de segurança utilizada internacionalmente, sem que as fontes indiquem o desaparecimento da equipa ou da operação local.
Para Portugal, fica uma história de retenção de talento e transferência de tecnologia: a DeepNeuronic leva conhecimento desenvolvido no interior do país para uma multinacional, mas continua a ter a Covilhã como ponto de trabalho. Os próximos dados relevantes serão os termos da integração e a confirmação de como a Motorola Solutions irá apresentar os produtos e as garantias de privacidade aos clientes.
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