Ilustração conceptual de um servidor multimédia a migrar a sua base de dados entre duas estruturas
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Jellyfin 12.0 chega com uma migração que exige atenção

O Jellyfin 12.0 chegou a 7 de Setembro como a nova versão estável do servidor multimédia open source. À primeira vista, o salto parece apenas mais uma mudança de versão. Para quem administra um servidor com filmes, séries, música, livros e plugins, não é bem assim: a migração mexe na estrutura da base de dados e reescreve dados no primeiro arranque.

Servidor multimédia com uma base de dados antiga a migrar para uma estrutura nova

Ilustração original de uma migração de base de dados num servidor multimédia. Não é uma captura de ecrã do Jellyfin.

O próprio projecto recomenda parar o Jellyfin e fazer uma cópia manual completa dos directórios de dados e configuração antes de actualizar. A razão é simples: depois da conversão, o backup é a forma de regressar à versão anterior caso alguma coisa corra mal.

Há ainda uma condição de origem. A actualização directa só é suportada a partir do Jellyfin 10.10.7 ou de qualquer versão 10.11.x. Instalações mais antigas têm primeiro de passar pelo 10.10.7.

A biblioteca tem de ser analisada de novo

O passo mais importante depois da instalação é também o mais fácil de esquecer: o Jellyfin exige uma análise total da biblioteca. A alteração está relacionada com a forma como as versões alternativas dos conteúdos são guardadas.

As versões agrupadas automaticamente — por exemplo, uma cópia 1080p e outra 4K do mesmo filme — podem parecer desaparecidas até essa análise terminar. A primeira passagem pode demorar significativamente mais do que uma análise normal, porque o servidor volta a comparar os itens da biblioteca com os ficheiros existentes no disco e corrige registos antigos.

Diagrama conceptual de uma biblioteca de media a ser reindexada, com filmes, livros e comics ligados a uma base de dados

Ilustração original do processo de reindexação de filmes, episódios, livros e comics.

Isto não significa que cada biblioteca vá demorar o mesmo tempo. A duração depende da quantidade de conteúdos, da velocidade do armazenamento e do estado dos dados anteriores. A informação confirmada pelo projecto é a obrigação de fazer a análise e o aviso de que a primeira execução será mais longa; não existe um tempo universal de migração.

Plugins de terceiros ficam em pausa

Outra consequência prática afecta os plugins. Os plugins de terceiros compilados para a série 10.11 não carregam no Jellyfin 12.0 até os seus autores disponibilizarem versões adaptadas. O projecto recomenda removê-los antes da migração e voltar a adicioná-los depois, de forma controlada. Os plugins oficiais já foram actualizados para a nova versão, segundo o anúncio.

Os clientes muito antigos também podem deixar de comunicar correctamente com o servidor. O Jellyfin removeu o suporte para os endereços legados `/emby/` e `/mediabrowser/` e desactivou o método de autenticação depreciado associado a esses caminhos. O risco concentra-se nos clientes que não recebem actualizações há vários anos.

Para quem mantém scripts, verificações de monitorização ou tags de contentores baseadas no número da versão, há uma alteração adicional: o servidor passa a reportar `12.0.0`. O projecto abandonou o prefixo `10.` porque as mudanças da base de dados e da compatibilidade já tinham dimensão de uma versão principal.

O que chega em troca

O Jellyfin 12.0 não é apenas uma migração difícil. A equipa diz ter continuado o trabalho iniciado na versão 10.11 para reorganizar a base de dados e melhorar operações que podem ficar lentas em bibliotecas grandes.

Playlists e colecções passam a guardar cada item numa linha própria, em vez de manterem uma lista inteira dentro de cada registo. Isso permite contar itens, abrir uma página ou adicionar e remover conteúdos sem carregar e reescrever a lista completa. O projecto aponta ainda melhorias no Continue Watching, no Next Up, nas recomendações e nas contagens de conteúdos vistos.

As versões alternativas passam também a funcionar para episódios. Uma série pode agrupar, por exemplo, uma emissão normal e uma versão alargada do mesmo episódio, ou cópias com resoluções diferentes, mantendo o progresso associado à versão que estava a ser vista.

Livros e comics deixam de depender tanto de plugins

Uma das áreas que recebe maior atenção é a dos livros e comics. O servidor passa a ler directamente metadados de ficheiros OPF e ComicInfo, gerar posters para EPUB e formatos de comics suportados e extrair contagens de páginas de comics e PDFs.

O antigo plugin Bookshelf foi descontinuado como peça única. Parte das funções passou para o próprio servidor e os fornecedores de metadados foram separados entre GoogleBooks, ComicVine e um novo plugin OpenLibrary. A interface de leitura também foi redesenhada, com navegação em ecrã inteiro e indicadores de progresso para formatos compatíveis.

A decisão depende do servidor que tens

A mensagem do Jellyfin é dupla. Há motivos para actualizar: a versão é estável, inclui correcções de segurança e melhora áreas importantes do servidor. Mas o processo não deve ser tratado como uma actualização rotineira sem preparação.

Antes de avançar, o administrador tem de confirmar a versão de origem, fazer o backup, verificar os nomes de utilizador e inventariar os plugins. Depois da instalação, deve reservar tempo para a análise completa da biblioteca e testar os clientes que ainda usam o servidor.

O Jellyfin 12.0 traz uma base mais moderna e um suporte mais completo para diferentes tipos de media. Em troca, obriga a reconhecer que um servidor multimédia é também uma aplicação com base de dados, migrações e dependências — e que a passagem para uma versão principal merece o mesmo cuidado que qualquer outra actualização de infraestrutura.

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