Sala de centro de dados com racks de servidores e equipamento de conversão eléctrica; imagem promocional associada ao anúncio Infineon-Skeleton
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A corrida à IA chegou à tomada: Infineon e Skeleton juntam-se para reforçar a energia dos centros de dados

A Infineon Technologies e a Skeleton Technologies assinaram um memorando de entendimento para explorar uma nova arquitectura eléctrica para centros de dados de inteligência artificial. O foco está nos pontos menos visíveis da corrida à IA: a conversão, a distribuição e a resposta rápida aos picos de potência entre a rede eléctrica e os servidores.

Sala de centro de dados com racks de servidores e equipamento de conversão eléctrica

Imagem promocional da Infineon para ilustrar transformadores de estado sólido e sistemas de potência junto de infra-estruturas de IA. Não é uma fotografia de uma instalação conjunta da Infineon e da Skeleton. Crédito: Infineon Technologies.

O anúncio é um MoU para explorar e desenvolver arquitecturas. Não confirma um produto comercial, um cliente, uma capacidade em megawatts ou uma data de entrada em serviço.

O novo gargalo está entre a rede e os racks

Treinar e executar modelos de IA concentra muita potência em pouco espaço. Isso aumenta a exigência sobre cada etapa do percurso eléctrico: a energia chega em corrente alternada, é convertida para níveis adequados, distribuída pelo edifício e finalmente entregue aos aceleradores e restantes componentes dos servidores. Quanto mais densa é a carga, menor é a margem para perdas, variações e interrupções.

É neste percurso, descrito pela Infineon como a cadeia “da rede ao núcleo” do centro de dados, que as duas empresas querem trabalhar. A parceria foi anunciada em Munique a 2 de Setembro de 2026 e, segundo o comunicado, cobre tanto a conversão de energia como o armazenamento de resposta rápida.

Um transformador que também controla a conversão

Um transformador de estado sólido — SST, na sigla inglesa — substitui parte da função de um transformador convencional por electrónica de potência. A arquitectura que a Infineon e a Skeleton dizem querer explorar converte corrente alternada de média tensão em corrente contínua de alta tensão, com controlo electrónico mais fino sobre o fluxo de energia.

Isso não significa que todos os transformadores actuais vão desaparecer nem que a eficiência final está garantida. A vantagem potencial é a possibilidade de integrar conversão, protecção, monitorização e distribuição numa arquitectura mais compacta e controlável. O desempenho real dependerá do desenho completo, do arrefecimento, da carga e dos ensaios do sistema.

Supercondensadores para aparar picos

A Skeleton contribui com sistemas de conversão e tecnologia de supercondensadores. Ao contrário de uma bateria pensada sobretudo para armazenar energia durante mais tempo, um supercondensador pode absorver e devolver potência muito rapidamente. Numa aplicação de centro de dados, isso pode ajudar a “aparar” picos de curta duração antes que estes cheguem à rede ou activar uma reserva instantânea durante uma perturbação.

O comunicado também refere sistemas de peak shaving baseados em nitreto de gálio, combinando os supercondensadores da Skeleton com semicondutores CoolGaN da Infineon. A palavra importante é “explorar”: não há, neste anúncio, resultados de uma instalação em operação que provem uma redução específica de consumo, perdas ou custos.

Cada empresa leva uma peça diferente

A Infineon coloca na parceria os seus semicondutores de potência de carboneto de silício CoolSiC, destinados a aplicações de alta tensão, e os componentes CoolGaN para conversão rápida. A Skeleton acrescenta os sistemas de conversão e o armazenamento electrostático de alta potência. A tese comercial é que a combinação possa aumentar a eficiência, a densidade de potência e a resiliência de toda a cadeia eléctrica.

É uma abordagem diferente de simplesmente instalar mais geradores ou baterias. O problema atacado é a qualidade e a flexibilidade da energia entregue aos servidores: converter com menos perdas, responder rapidamente a transientes e reduzir a necessidade de dimensionar cada elemento para o pico máximo permanente.

O que ainda não foi anunciado

O memorando não identifica um centro de dados-piloto, um operador, uma potência nominal, uma eficiência medida, um custo ou um prazo para um primeiro sistema. Também não apresenta uma certificação independente nem uma comparação com uma arquitectura convencional em condições reais. A colaboração está, por isso, na fase de desenvolvimento e posicionamento tecnológico — não na de implantação comprovada.

Para Portugal, a notícia é relevante como sinal de uma pressão que atravessa o sector europeu: a expansão da IA exige mais capacidade de computação, mas também mais subestações, conversores, reservas e ligações à rede. Não foi anunciado neste memorando qualquer projecto português. A eventual utilidade para centros de dados nacionais dependeria de futuros produtos, parceiros e licenciamento, além de testes que ainda não existem publicamente.

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