Render do supercomputador LUMI-AI previsto para a Finlândia; imagem promocional da Bull, não uma fotografia da máquina instalada
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A Europa vai gastar 387,8 milhões de euros num novo supercomputador de IA

A Europa escolheu a Bull para entregar o LUMI-AI, um novo supercomputador dedicado a inteligência artificial com um preço anunciado de 387,8 milhões de euros. O sistema será instalado no centro de dados do CSC, em Kajaani, na Finlândia, onde deverá reforçar a infraestrutura europeia de computação avançada.

Render promocional do supercomputador LUMI-AI

Render promocional do LUMI-AI. A imagem mostra o sistema previsto, não uma fotografia de uma instalação já concluída. Crédito: Bull.

O LUMI-AI deverá multiplicar por dez a capacidade de computação para IA e quase duplicar a capacidade HPC do LUMI actual, segundo a Bull.

Mais capacidade para treinar e executar modelos

O LUMI-AI foi escolhido pela EuroHPC Joint Undertaking e pelo consórcio LUMI AI Factory. A Bull descreve-o como a espinha dorsal computacional da AI Factory, destinada a apoiar investigação, empresas e desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial em vários países europeus.

A diferença entre esta máquina e um centro de dados comum está na escala e na forma como os recursos são ligados. Um supercomputador combina milhares de componentes de cálculo, redes de baixa latência e armazenamento para repartir tarefas enormes por muitos nós ao mesmo tempo. No caso do LUMI-AI, essa arquitectura será orientada para treino, afinação e execução de modelos de IA, além de workloads científicos tradicionais.

A máquina fica na Finlândia, mas a capacidade é europeia

Alojá-lo em Kajaani permite aproveitar uma infraestrutura HPC já existente, mas o objectivo não é servir apenas a Finlândia. O programa EuroHPC foi criado para coordenar capacidade de computação europeia e abrir acesso a investigadores, empresas e startups através de concursos e serviços partilhados.

Para Portugal, a questão relevante não é a localização física da máquina, mas o acesso. Equipas portuguesas poderão beneficiar se os programas europeus de acesso e as AI Factories disponibilizarem tempo de cálculo, dados e apoio técnico para projectos nacionais. O anúncio da Bull, por si só, não confirma ainda calendários de acesso específicos para utilizadores portugueses.

Um investimento grande, antes de ser uma máquina pronta

Os 387,8 milhões de euros correspondem ao contrato de fornecimento anunciado; não significam que o LUMI-AI já esteja operacional. Ainda será necessário entregar, instalar e testar o sistema no centro de dados finlandês. A capacidade anunciada é uma meta de projecto e deve ser distinguida do desempenho medido depois da entrada em funcionamento.

A decisão mostra, contudo, a dimensão da corrida europeia à computação. A inteligência artificial pode ser treinada na cloud comercial, mas uma estratégia tecnológica própria exige também máquinas públicas, energia, redes e acesso a capacidade de cálculo. O LUMI-AI é uma dessas peças — cara, física e essencialmente europeia.

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