Linha temporal ilustrada com seis marcos datados, de 1974 a 2026, sobre o segmento terrestre português das constelações de satélites, com o marco final destacado a vermelho

Ilustração: Portugal Binário — esquema do segmento terrestre português, não é fotografia (dados: Eutelsat, MEO, Airbus, ECO, PTRR).

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MEO integra satélite LEO da Eutelsat na oferta a clientes críticos

A MEO anunciou esta quarta-feira um acordo com a Eutelsat para integrar em Portugal os serviços de conectividade da constelação OneWeb, em órbita terrestre baixa (LEO). A oferta junta satélite, fibra e 5G e destina-se a empresas, administrações públicas, municípios e operadores de infraestruturas críticas.

O serviço é apresentado como camada de reserva: entra quando a rede terrestre falha ou não chega. O comunicado conjunto, divulgado em Paris, não indica preço, capacidade contratada, prazos de entrada em serviço nem clientes identificados.

«A resiliência de uma rede começa pela sua capacidade de não depender de uma única tecnologia», afirmou Ana Figueiredo, presidente executiva da MEO. A oferta, disse, destina-se a organizações «que não podem parar».

«Este acordo é um passo importante na expansão dos serviços LEO da Eutelsat em Portugal. Estamos a ampliar o acesso à OneWeb através de uma parceria europeia de confiança, apoiando a necessidade de a Europa ter maior soberania sobre a conectividade crítica.»

— Jean-François Fallacher, presidente executivo da Eutelsat
A parte nova é comercial, não técnica: a MEO já aloja as estações terrenas da Eutelsat em Portugal e já vende conectividade por satélite a empresas. O anúncio acrescenta a constelação europeia à oferta — sem preço nem prazos.

O chão já era português

A Eutelsat descreve o acordo como uma extensão de uma «parceria de infraestrutura de longa data». A MEO aloja as suas estações terrenas «há vários anos», primeiro para a frota geoestacionária e agora para a OneWeb, em «ambos os locais».

Esses dois locais são os teleportos de Alfouvar, em Sintra, e da ilha de Santa Maria, nos Açores — os dois teleportos de uso aberto e comercial do país, segundo o ECO. A MEO e a Thales gerem ambos; em Alfouvar funciona o Centro Operacional de Satélites do Continente.

Várias antenas parabólicas brancas de grande diâmetro num campo verde, uma delas maior sobre uma base cónica, com colinas ao fundo

Antenas do teleporto de Fuchsstadt, na Alemanha: uma ilustração do tipo de instalação que liga uma constelação às redes terrestres. Não é uma fotografia das estações de Alfouvar ou de Santa Maria. Fotografia: Rainer Lippert — Wikimedia Commons (domínio público).

Satélites geoestacionários da Eutelsat31
Satélites OneWeb em órbitamais de 600
OneWeb encomendados à Airbus em 10 Set 2026229
Teleportos de uso aberto em Portugal2 (Alfouvar, Sintra; Santa Maria, Açores)
Alfouvar em serviço desde1974

A própria página de produto da MEO já descreve serviços de conectividade empresarial por satélite com constelações LEO e GEO, com instalação e pré-configuração no teleporto de Alfouvar. Em Março de 2025, a operadora testou chamadas e SMS por satélite directo para o telemóvel, com a Lynk, em São Miguel.

Dois dias antes, os mesmos teleportos

A 21 de Setembro, o Governo apoiou a candidatura da MEO e da Thales a fornecer gateways — as ligações entre o satélite e as redes terrestres — ao consórcio da IRIS², a constelação europeia que quer reduzir a dependência de sistemas de fora da Europa. Alfouvar seria o teleporto principal e Santa Maria o secundário.

Segundo o gabinete do ministro da Educação, Ciência e Inovação, o apoio estava a ser formalizado em documentação, a parte técnica já tinha sido submetida pela Agência Espacial Portuguesa e a segunda parte tinha de ser entregue até ao fim de Setembro. Não foram indicados valores.

O Estado já comprou satélite — a outro operador

O PTRR, o programa de 22,6 mil milhões de euros criado depois das tempestades de Janeiro e Fevereiro e apresentado a 28 de Abril, inclui uma medida chamada «Freguesias ligadas»: cada uma das 3 258 juntas de freguesia recebe um telefone SIRESP, um telefone-satélite e uma ligação de dados Starlink.

As medidas para freguesias e municípios têm 46 e 50 milhões de euros e há mais 29 milhões para o SIRESP, num total de cerca de 209 milhões para comunicações, segundo o Expresso. O mesmo programa prevê planos de continuidade obrigatórios para as operadoras e corredores de redundância para as redes de fibra.

Os municípios e as freguesias que a MEO nomeia como destinatários são, em parte, os mesmos que o Estado está a equipar com terminais de uma constelação americana, com dinheiro público e entrega prevista para este ano, segundo o Público.

O anúncio chega nove dias depois de a MEO ter tido uma falha de internet fixa e móvel durante a madrugada de 14 de Setembro, com um pico de 2 712 relatos no Downdetector e alterações anómalas de encaminhamento observadas pela RIPE NCC. A causa nunca foi confirmada.

Para já, o que fica claro é isto: a MEO passa a ter a constelação europeia na sua oferta, apoiada em infraestrutura que já operava em Portugal. Quanto custa, quantos clientes abrange e a partir de quando, o comunicado não diz.

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