Foguetão Miura 1 da PLD Space a descolar à noite num lançamento de teste
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ESA assina contratos de 543,6 milhões para três lançadores europeus — um deles espanhol

A Europa acaba de colocar 543,6 milhões de euros numa nova geração de lançadores privados. A Agência Espacial Europeia assinou os primeiros contratos do European Launcher Challenge com a alemã Isar Aerospace, a também alemã Rocket Factory Augsburg (RFA) e a espanhola PLD Space.

O valor não funciona como um cheque sem condições. A ESA vai libertar o financiamento à medida que cada empresa cumprir marcos técnicos definidos no contrato, numa tentativa de aumentar a oferta europeia de serviços de lançamento e tornar o acesso ao espaço menos dependente de poucos fornecedores.

Foguetão Miura 1 da PLD Space a descolar à noite

O Miura 1 da PLD Space descola de El Arenosillo, em Espanha, num voo suborbital de 2023; a imagem não representa um lançamento orbital do Miura 5.

Três empresas, três apostas

A maior fatia, 197,8 milhões de euros, vai para a Isar Aerospace. O Spectrum é um lançador de dois estágios com 28 metros de altura e dez motores na configuração actual. A empresa aponta para cargas de até 1.000 quilogramas em órbita baixa, mas o primeiro voo, realizado em 2025 a partir de Andøya, durou cerca de 30 segundos e não colocou uma carga em órbita.

Foguetão a subir sobre uma paisagem nevada junto a montanhas

O primeiro voo do Spectrum, da Isar Aerospace, a partir de Andøya em 2025; o teste durou cerca de 30 segundos e terminou sem chegar à órbita.

A RFA recebe 186,9 milhões de euros, sobretudo financiados pela Alemanha com uma contribuição do Reino Unido. O RFA One foi desenhado para transportar até 500 quilogramas para uma órbita sincronizada com o Sol a 500 quilómetros de altitude. A capacidade é um objectivo de projecto, não um serviço já demonstrado: a empresa ainda tem de completar o seu lançamento orbital.

A PLD Space fica com 158,9 milhões de euros, principalmente espanhóis e com participação alemã. O Miura 1 já serviu como demonstrador suborbital em 2023; o passo seguinte é o Miura 5, previsto para descolar do Espaçoporto Europeu, na Guiana Francesa, com uma capacidade anunciada de até 540 quilogramas para uma órbita sincronizada com o Sol.

Renderização conceptual do lançador RFA One a atravessar nuvens

Renderização conceptual do RFA One, da Rocket Factory Augsburg; o programa ainda tem de demonstrar um lançamento orbital.

O programa compra demonstrações, não sucesso garantido

A condição central do European Launcher Challenge é que os fornecedores alcancem um lançamento orbital antes de 2028. É um critério do programa, não uma garantia de que os três veículos o cumprirão. Os contratos associam, por isso, o dinheiro a provas técnicas concretas em vez de tratarem a promessa de um lançador como capacidade operacional.

A primeira ronda também não está necessariamente fechada. A ESA indica que o processo de atribuição à MaiaSpace estava perto da conclusão e que seria actualizado nas semanas seguintes. O desenho final do programa poderá, assim, incluir mais um fornecedor europeu.

O contrato e o financiamento já estão assegurados, mas os três lançadores ainda não chegaram à órbita. O financiamento depende de marcos técnicos, e o próximo passo é demonstrar um serviço orbital que funcione de forma repetível.

A decisão da ESA é, portanto, uma aposta industrial com uma meta clara: construir alternativas europeias antes de precisar delas. Os 543,6 milhões aceleram veículos, infra-estruturas e testes, mas a autonomia de lançamento só será real quando estes protótipos conseguirem entregar cargas em órbita com regularidade.

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