A Agência Espacial Europeia (ESA) sofreu um ciberataque em dezembro de 2025, com criminosos a alegarem ter roubado mais de 200 GB de dados, incluindo código-fonte, credenciais e documentos confidenciais. O material foi colocado à venda no BreachForums, um conhecido fórum de cibercrime, poucos dias após o Natal.
A ESA confirmou o incidente, mas assegurou que o impacto se limitou a servidores externos usados para colaboração científica não classificada. O atacante, que alega ter mantido acesso aos sistemas durante cerca de uma semana a partir de 18 de dezembro, terá recolhido informação de servidores que alojam projetos de investigação e cooperação internacional.
O ataque não é um caso isolado. A ESA já tinha sido alvo de ciberataques anteriores, e a crescente sofisticação das ameaças a instituições espaciais europeias tem levado a agência a reforçar as suas equipas de segurança informática.
O que está em causa para Portugal
Portugal é membro da ESA desde 2000, e acaba de aumentar a sua contribuição financeira em 51% para o período 2026-2030, num total de 204,8 milhões de euros — o maior investimento de sempre do país na agência espacial. Atualmente, 84 empresas portuguesas operam no setor espacial, e a missão Space Rider tem aterragem prevista ao largo de Santa Maria, nos Açores.
O ciberataque expõe fragilidades de segurança numa instituição para a qual Portugal está a canalizar verbas recorde. Dados partilhados por investigadores e empresas portuguesas que colaboram com a ESA podem ter sido comprometidos, e o incidente levanta questões sobre a resiliência cibernética de infraestruturas científicas europeias.
Resposta da ESA
A agência emitiu um comunicado oficial a confirmar que um número muito reduzido de servidores externos tinha sido alvo de acesso não autorizado. As autoridades competentes foram notificadas e está em curso uma investigação forense para determinar a extensão exata do roubo de dados.
Não há, para já, evidências de que informação militar ou de missões ativas da ESA tenha sido comprometida. Contudo, a venda pública de dados de uma agência espacial europeia num fórum de cibercrime é um sinal de alerta para toda a comunidade científica europeia.
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