Porta de carregamento de veículo elétrico com cabo ligado e anel LED azul indicating carregamento ativo — mobilidade elétrica e inteligente.
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Carros a falar com semáforos, postes de luz a carregar baterias e IA a prever falhas — o consórcio Route 25 que o PRR financiou com 35 milhões

Portugal tem 58 novas soluções de mobilidade inteligente prontas a sair dos laboratórios para as ruas. Carros que comunicam com semáforos para abrir caminho a ambulâncias, postes de iluminação pública que carregam veículos elétricos, inteligência artificial que prevê quando uma bateria vai falhar e uma rede privada 5G 'made in Portugal' são alguns dos resultados do consórcio Route 25, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Os resultados foram apresentados no 3.º Encontro das Agendas Mobilizadoras do PRR, organizado pelo IAPMEI no Europarque, em Santa Maria da Feira, a 25 de junho. O Route 25 é uma das 51 agendas mobilizadoras apoiadas pelo PRR — um programa que canalizou 3,2 mil milhões de euros para a economia portuguesa, repartidos por consórcios que juntam empresas, academia e entidades públicas.

35 milhões para 58 projetos

Coordenado pela Capgemini, o Route 25 recebeu 34,95 milhões de euros de financiamento não reembolsável do PRR, segundo o Portal da Transparência. O consórcio reúne 29 parceiros — entre empresas, institutos de investigação e municípios — e os 47 projetos inicialmente previstos evoluíram para 58 Projetos-Plano (PPS), superando as expectativas.

A execução técnica está praticamente concluída e prevemos entregar integralmente o projeto dentro dos prazos estipulados.

— Elisa Bacelo, gestora do Consórcio Route 25, Capgemini

Postes que carregam carros

A CEMUS (Compact Electrical Mobility Urban Solution), desenvolvida pela SmartLampPost (SMRTLMPST, LDA), permite converter postes de iluminação pública para alojar múltiplos serviços: carregamento de veículos elétricos, conectividade, segurança, monitorização ambiental, iluminação inteligente e serviços digitais. A tecnologia foi validada em ambiente real no Fundão, na Praça Amália Rodrigues, e encontra-se em fase final de ligação à rede elétrica de distribuição.

O modelo de exploração dirige-se a municípios e operadores de infraestruturas urbanas. A Capgemini confirma o interesse de mercado junto de câmaras municipais, operadores de postos de carregamento (OPC), operadores de redes de telecomunicações e fundos de investimento especializados em infraestruturas. Os mercados europeus identificados como prioritários para internacionalização são a Bélgica, França e Reino Unido.

Semáforos que falam com carros

A solução Traffic Light Infrastructure and Vehicle Interaction integra tecnologia V2X (Vehicle-to-Everything) em infraestruturas semafóricas já existentes, permitindo a comunicação em tempo real entre veículos e sistemas de controlo de tráfego. O veículo tem de estar equipado com um dispositivo próprio, e o acesso ao sistema é controlado.

No caso de uma viatura de emergência, pode ser enviado um pedido de prioridade para que os semáforos abram caminho (luz verde) de forma rápida e segura. A solução foi testada em cenário urbano real no Porto, com a colaboração da Porto Digital, da Soltráfego e do Regimento de Sapadores Bombeiros do Porto. «Os testes permitiram comprovar o correto funcionamento da comunicação V2X, a transmissão de pedidos de prioridade e a adaptação dos sistemas semafóricos em tempo real», segundo o consórcio.

IA a prever a vida das baterias

Desenvolvido pela Stratio (que recebeu 2,07 milhões de euros do PRR para este projeto), o modelo preditivo Predictive Maintenance Model: EV Battery Pack Degradation and Fault Prediction utiliza inteligência artificial para monitorizar o estado das baterias de veículos elétricos, prever a sua degradação e antecipar potenciais falhas. A solução já permitiu detetar problemas resolvidos no âmbito das garantias, «que de outra forma seriam milhares de euros em substituição de packs de baterias», segundo Elisa Bacelo.

A ferramenta estima que a degradação normal das baterias de um autocarro elétrico ronde os 2,5% a 3% ao ano, ajudando operadores de frotas a tomar decisões baseadas em dados objetivos. O potencial de aplicação é elevado junto de operadores de transporte público e entidades responsáveis pela gestão de grandes frotas de veículos elétricos.

Rede privada 5G 'made in Portugal'

Foi desenvolvida uma infraestrutura avançada de rede privada 5G orientada para cenários de mobilidade conectada. A «5G Box» disponibiliza capacidades avançadas de comunicação, processamento local suportado por IA e gestão dinâmica dos recursos da rede. A Capgemini Portugal, o Instituto de Telecomunicações (6,89 milhões de euros de financiamento), a Vodafone Portugal e o VORTEX-CoLab (3,52 milhões de euros) estiveram ao leme desta iniciativa.

As aplicações vão da proteção civil — suportando operações de emergência com partilha de informação crítica em tempo real — à monitorização remota de infraestruturas críticas (energia, água, transportes), passando pela indústria avançada, onde potencia a comunicação entre máquinas em ambientes automatizados. O objetivo é evoluir a «5G Box» para uma solução pré-comercial replicável e participar em ecossistemas europeus de experimentação 5G e 6G.

Tráfego inteligente com IA

Uma plataforma de gestão de tráfego assistida por IA integra dados do Waze, sensores inteligentes e radares contadores para monitorizar, prever e otimizar a circulação rodoviária em tempo real. A solução distingue-se de tecnologias como Waze e Google Maps pela capacidade de comunicar com a infraestrutura — como os painéis de mensagem variável nas estradas —, permitindo sugerir rotas alternativas em situações de congestionamento.

O que vem a seguir

Com a componente técnica praticamente concluída, a segunda metade de 2026 será dedicada à demonstração e divulgação pública dos resultados. «Sistemas de gestão inteligente de tráfego, plataformas digitais de mobilidade integrada e ferramentas de manutenção preventiva das vias deverão ser os primeiros a surgir nas nossas cidades já no curto prazo», afirma Elisa Bacelo. A introdução de veículos com elevados graus de autonomia seguirá um ritmo progressivo, ditado pela validação de segurança e pela regulamentação nacional.

O Route 25 assenta em três pilares: a eletrificação dos veículos, a Mobilidade Cooperativa, Conectada e Automatizada (CCAM) e os modelos de Mobilidade como Serviço (MaaS). O consórcio já realizou demonstrações de larga escala nos municípios de Aveiro, Ílhavo, Porto e Fundão, com resultados que comprovam a viabilidade tecnológica das soluções. O contributo do Route 25, segundo a gestora, é «acelerar esta transição, demonstrando a viabilidade tecnológica das soluções, reduzindo o risco associado à sua adoção e criando as bases para que a mobilidade autónoma, conectada e inteligente se torne gradualmente uma realidade no quotidiano em Portugal».

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