Um conjunto de cinco forças está a reposicionar o mercado global de tecnologia de defesa, com a Europa a ganhar terreno face aos Estados Unidos. A conclusão é de uma análise aprofundada da Defense One, que cruza dados da McKinsey, do Pew Research Center e da Comissão Europeia.
A primeira força é a regulação europeia. Leis como o Digital Networks Act e o Data Act estão a entrar em vigor e obrigam as empresas tecnológicas dos EUA a criar versões «soberanas» dos seus produtos para o mercado europeu. Os gigantes americanos da cloud — que recebem 80% de todo o gasto europeu em serviços de cloud — terão de armazenar e processar dados em centros localizados na Europa, o que reduz as suas margens e abre espaço a concorrentes locais.
Os gastos europeus em defesa-tech multiplicaram-se por 13 entre 2022 e 2025.
A segunda é a Ucrânia como pioneira em inovação militar. O país tem desenvolvido e produzido em massa drones-interceptores, enquanto os EUA ainda lutam para implementar sistemas equivalentes a um custo muito superior. A NATO e os aliados europeus estão a observar atentamente e a adaptar as suas próprias estratégias de aquisição de armamento.
A terceira força é o aumento maciço do investimento europeu em defesa-tech. Entre 2022 e 2025, os gastos europeus neste segmento multiplicaram-se por 13, enquanto os EUA apenas duplicaram os seus. O investimento em startups europeias de defesa entre 2021 e 2024 foi cinco vezes superior ao do triénio anterior, segundo Jonathan Dimson, senior partner da McKinsey.
A quarta tendência é a perda de confiança dos europeus na tecnologia dos EUA. Um estudo do Pew Research Center, de setembro de 2025, revela que 63% dos europeus preferem tecnologias de segurança fabricadas na Europa, mesmo que sejam mais caras. A perceção de que a administração Trump representa um risco de segurança acelerou esta mudança.
Por fim, a dinâmica dos ciclos tecnológicos está a favorecer startups mais ágeis em detrimento dos gigantes estabelecidos. A Alemanha, por exemplo, revelou um míssil hipersónico numa fração do tempo e do custo que as empresas americanas precisaram para apresentar o seu.
O que significa para Portugal
Portugal, como membro da UE e da NATO, é diretamente impactado por esta reconfiguração. O país depende em grande parte de tecnologia de defesa externa, mas o aumento de 13 vezes no investimento europeu abre oportunidades para startups nacionais, especialmente nas áreas de drones, cibersegurança e software open-source. A conclusão da Defense One é clara: os grandes fornecedores americanos manterão a liderança durante anos, mas já estão a tornar-se mais europeus.
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