Alfândega do Porto — palco do C-Days 2026, a conferência anual de cibersegurança organizada pelo CNCS.
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C-Days 2026: CNCS revela que C-Network já apoiou 2.143 entidades — e o novo regime de cibersegurança veio para ficar

A Alfândega do Porto voltou a ser palco do C-Days, a conferência anual do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), que este ano celebrou a sua 12.ª edição entre 16 e 18 de Junho. Três grandes temas dominaram a agenda: o balanço da rede C-Network, a entrada em vigor do novo Regime Jurídico de Cibersegurança, e o arranque da Estratégia Nacional de Cloud Soberana.

C-Network: 2.143 entidades apoiadas, 107% da meta

Francisco Peixoto, do CNCS, subiu ao palco de uma das sessões paralelas para apresentar os resultados da C-Network — a rede nacional de centros de competência em cibersegurança criada para servir de 'braço armado' do CNCS por todo o país. O balanço é impressionante: 2.143 entidades apoiadas (107% da meta inicial de 2.002), 3.319 actividades realizadas, e uma cobertura que vai das PME (74%) à Administração Pública (26%).

A C-Network assenta em sete centros de competência instalados de norte a sul do país. A zona Norte foi a que mais entidades apoiou — 696 —, seguida de Lisboa e Vale do Tejo (624) e do Algarve (202). As principais áreas de actuação foram a capacitação organizacional (72,61%), a capacitação humana (21,54%) e a cooperação e partilha de informação (5,82%).

Entre as ferramentas desenvolvidas, destaca-se o AssetRiskManager, uma plataforma de identificação de activos e gestão de riscos de cibersegurança, desenhada especificamente para facilitar a conformidade com o novo Regime Jurídico de Segurança no Ciberespaço. “O objectivo do C-Network é apoiar a transformação digital das organizações, sob o ponto de vista de cibersegurança, ao nível da capacitação, dos processos, na obtenção de financiamento e na operação diária, sem se substituir à indústria”, explicou Francisco Peixoto.

Sessão do C-Days 2026 na Alfândega do Porto — plateia e oradores durante um dos painéis.

O C-Days 2026 decorreu na Alfândega do Porto, de 16 a 18 de Junho, com dezenas de sessões sobre cibersegurança, cloud soberana e regulação.

Novo Regime Jurídico de Cibersegurança: “O pontapé de saída”

Lino Santos, Coordenador do CNCS, abriu a conferência com uma mensagem clara: “A cibersegurança não é uma coisa de dias, mas uma responsabilidade de todos os dias. O C-Days é um ponto de chegada para o futuro que precisamos de construir.” O responsável referiu-se ao novo Regime Jurídico de Cibersegurança — que transpõe a directiva europeia NIS2 e entrou em vigor a 3 de Abril de 2026 — como “o pontapé de saída para muitos desafios, mas também muitas oportunidades para as organizações.”

Este ano é certamente um marco para a cibersegurança nacional, na construção de mais resiliência para as infraestruturas nacionais. O CNCS tem sempre como objectivo proteger as pessoas e as organizações.

— Lino Santos, Coordenador do CNCS, na abertura do C-Days 2026

Rodrigo Passos, Vereador da Câmara Municipal do Porto, reforçou a importância do tema: “A cibersegurança está presente na vida concreta das pessoas, quando um cidadão acede a um serviço digital, quando um centro de saúde precisa de aceder aos dados dos utentes. Falar de cibersegurança é falar de confiança, e a confiança é uma das principais infraestruturas das sociedades modernas.”

Cloud Soberana: “O primeiro passo, e o mais difícil vem agora”

O primeiro dia do C-Days incluiu um debate sobre a Estratégia Nacional de Cloud Soberana, publicada no final de Maio de 2026. Ricardo Simões Santos (ARTE), Rui Ribeiro (Universidade Lusófona) e Luís Duarte (PortugalDC) discutiram os desafios de implementação.

Rui Ribeiro descreveu a estratégia como “um passo fundamental, mas é um pequeno primeiro passo e o mais difícil vem agora”. O desafio, explicou, “é estruturar quem controla, quem fiscaliza, quem audita, quem faz a monitorização dos sistemas”. Pegando na mesma metáfora, Luís Duarte acrescentou: “A fotografia que está na caixa é muito bonita, mas temos pouco tempo para a montar. Temos de ter cautela, mas temos de ser ágeis.”

O mercado de data centers em Portugal deverá atrair €13 mil milhões de investimento até 2030, segundo um estudo da PortugalDC citado no debate — valor que, segundo Luís Duarte, já está desactualizado e será certamente superior. “Não será necessário o Estado construir um mega data center; existem players perfeitamente capazes de responder aos requisitos que podem vir a ser colocados”, afirmou.

Ricardo Simões Santos, da ARTE, situou a estratégia num contexto mais amplo: “Este plano de cloud soberana está integrado na estratégia digital nacional.” Comparando com “os vizinhos europeus”, Portugal está na linha da frente no que diz respeito a este tipo de estratégia, havendo alinhamento entre o que o país está a fazer e o que outros estados europeus já apresentaram.

O que esperar do futuro

O CNCS deixou claro que o compromisso de continuidade está garantido. A rede C-Network deverá alargar-se a mais territórios, os apoios serão uniformizados (cada centro criou os seus próprios processos), e o objectivo é que cada centro seja o primeiro ponto de contacto técnico, sem necessidade de escalar para o CNCS. “Existe um compromisso de continuidade do governo e do CNCS e estamos a trabalhar para isso”, garantiu Francisco Peixoto.

O C-Days 2026 confirmou, assim, que a cibersegurança deixou de ser uma preocupação de nicho para se tornar uma prioridade nacional transversal. Com a transposição da NIS2, a aposta na cloud soberana e a expansão da C-Network, Portugal está a construir — lentamente, mas de forma consistente — o seu ecossistema de resiliência digital. E, como lembrou Lino Santos, “não é uma coisa de dias.”

Feito por humanos — Portugal Binário

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