A Casa Branca nomeou o astrónomo de Harvard Avi Loeb — conhecido por defender que o objeto interestelar Oumuamua pode ser uma vela solar alienígena — para liderar um novo conselho científico dedicado a investigar OVNIs, agora oficialmente designados como Fenómenos Anómalos Não Identificados (UAP). A equipa já pediu ao Pentágono acesso a mais de 50 vídeos, imagens e documentos de ocorrências militares.
De Harvard para a Casa Branca: quem é Avi Loeb?
Avi Loeb não é um astrónomo qualquer. Foi diretor do departamento de astronomia de Harvard durante quase uma década (2011-2020), publicou centenas de artigos científicos sobre buracos negros e a formação das primeiras galáxias, e dirige o Institute for Theory and Computation no Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian. Mas nos últimos anos, tornou-se mundialmente conhecido por algo bem mais polémico: acreditar que podemos ter sido visitados por civilizações extraterrestres.
Avi Loeb no seu escritório em Harvard. Ao fundo, o cartaz do Galileo Project, o seu ambicioso projeto de busca de artefactos de civilizações extraterrestres.
A sua teoria mais célebre surgiu em 2017, quando o objeto interestelar Oumuamua passou pelo Sistema Solar. Enquanto a maioria dos astrónomos o classificou como um cometa ou fragmento de gelo, Loeb sugeriu que poderia ser uma vela de luz — uma fina estrutura metálica projetada por uma civilização alienígena. Em 2023, a sua equipa usou ímanes para recuperar centenas de pequenas esferas metálicas do fundo do Oceano Pacífico, perto do local de queda de um meteorito de 2014. Loeb sugeriu que as esférulas poderiam ser de origem extraterrestre — outros cientistas contra-atacaram, dizendo que eram cinzas de carvão ou rocha vulcânica.
O conselho que vai investigar os UAPs
O UAP Science Advisory Council foi criado no âmbito da ordem executiva de Donald Trump para desclassificar informação do governo dos EUA sobre OVNIs. Nos últimos dois meses, o Pentágono já divulgou três lotes de ficheiros — de relatórios do FBI das décadas de 1950 a vídeos militares recentes que mostram esferas a pairar ou a deslocar-se a alta velocidade. O novo conselho reporta ao UAP Governance Board, supervisionado pelo Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional, que se reuniu pela primeira vez em junho.
Loeb garantiu que a sua abordagem será pragmática: parte do princípio de que os objetos são de origem humana e analisa-os primeiro sob o prisma da segurança nacional. "A minha impressão é que o governo está perplexo por não conseguir determinar a natureza de alguns destes objetos", disse Loeb à Associated Press. "Numa altura em que a ciência não é tão celebrada, esta é uma oportunidade de fazer o bem para todos os envolvidos."
A A-Team de Loeb: almirante, bilionário e ativistas
A equipa escolhida por Loeb inclui mais de uma dúzia de especialistas — cientistas, ativistas de OVNIs e um bilionário. Os nomes mais sonantes são Timothy Gallaudet, um contra-almirante reformado da Marinha dos EUA que já afirmou que os UAPs são controlados por "inteligência não humana" e que os EUA "recuperaram aeronaves acidentadas"; e Ben Lamm, o bilionário fundador da Colossal Biosciences, a empresa que está a tentar ressuscitar espécies extintas como o dodó, o tigre-da-tasmânia e o lobo-terrível.
O grupo já teve a primeira reunião, a portas fechadas, e enviou o pedido de mais de 50 registos ao Pentágono. Loeb prometeu comunicar os resultados ao público e criar uma plataforma online para partilhar as descobertas.
A polémica: "não vamos chegar a lado nenhum com ele"
A nomeação de Loeb não foi consensual. Steve Desch, astrofísico da Universidade do Estado do Arizona e crítico de longa data, disse ao Guardian: "Não sei o que vai sair daqui, mas não vamos chegar mais perto de responder a estas questões com ele no comando." Desch acusa Loeb de usar métodos flawed para chegar a conclusões rebuscadas sobre vida extraterrestre, ignorando a ciência estabelecida.
Sean Kirkpatrick, físico que investigou UAPs no Gabinete de Resolução de Anomalias de Todos os Domínios do Pentágono, foi ainda mais duro: Loeb "não é bem visto" na comunidade científica e não tem experiência em segurança nacional. Kirkpatrick disse que a composição da equipa sugere que a Casa Branca está mais interessada em teorias marginais do que em ciência rigorosa.
O novo conselho UAP da Casa Branca promete trazer transparência a um tema que há décadas alimenta mistério e especulação.
80% dos americanos acham que o governo esconde informações
A pressão do público é real. Uma sondagem CBS News/YouGov publicada em junho revelou que 80% dos inquiridos acreditam que o governo sabe mais do que revela sobre a existência de vida extraterrestre, 63% acreditam que há vida noutros planetas, e mais de um em cada cinco está convencido de que alienígenas já visitaram a Terra. O novo conselho de Loeb nasce neste caldo de expectativas — e ceticismo.
Loeb, que entretanto se demitiu da direção do departamento de astronomia de Harvard para se dedicar ao Galileo Project (um projeto financiado privadamente para procurar artefactos de civilizações alienígenas), diz que não se deixa abalar pelas críticas. "Mantenhamos os olhos nos objetos, não nas redes sociais", respondeu quando confrontado com os detractores.
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