Quando se fala em tecnologia em Portugal, pensa-se logo em Lisboa, Porto ou nos parques tecnológicos. Mas a verdadeira revolução digital está a acontecer no campo, e os números falam por si. O programa Portugal Digital, com fundos comunitários no valor de 15 mil milhões de euros, tem apoiado a transição tecnológica no sector agrícola, e os resultados começam a aparecer de forma consistente.
Os drones equipados com câmaras multiespectrais estão a permitir aos agricultores monitorizar a saúde das culturas em tempo real. Em vez de percorrerem dezenas de hectares a pé, os produtores recebem no tablet ou no telemóvel relatórios detalhados sobre o estado de cada parcela, com informação sobre a humidade do solo, a presença de pragas e as necessidades nutricionais das plantas, tudo com uma precisão milimétrica.
Os drones multiespectrais estão a transformar a agricultura portuguesa.
Sensores no terreno e poupança real
Paralelamente, os sensores de humidade do solo, temperatura e nutrientes estão a espalhar-se pelos campos portugueses. Ligados à internet das coisas (IoT), estes dispositivos permitem uma gestão mais eficiente da água, recurso cada vez mais escasso no sul do país. A rega deixa de ser feita por calendário e passa a ser feita por necessidade real, com poupanças que chegam aos 30 por cento no consumo de água.
Poupança média: 30% água, 25% fertilizantes, +15% produtividade.
Os dados do Ministério da Agricultura indicam que as explorações que adoptaram estas tecnologias registaram uma poupança média de 30 por cento no consumo de água e de 25 por cento nos fertilizantes, com aumentos de produtividade na ordem dos 15 por cento. Números que, numa altura de seca prolongada e de custos elevados nos inputs agrícolas, fazem toda a diferença entre a viabilidade e o prejuízo.
O investimento inicial ainda é um obstáculo para muitos pequenos agricultores, mas o programa Portugal Digital tem comparticipado a aquisição de equipamentos e a formação especializada. Quem já deu o salto garante que o retorno aparece em duas ou três campanhas, e que a tecnologia não substitui o conhecimento do agricultor — potencia-o. Uma aposta que está a dar frutos, literalmente.
Os dados do Ministério da Agricultura indicam que as 1.200 explorações apoiadas pelo Portugal Digital pouparam em média 30% de água e 25% de fertilizantes, com aumento de produtividade de 15%. Cada drone DJI Agras T50 cobre 50 hectares por hora com sensores multiespectrais de 5 bandas. O investimento médio de 12.000 euros por exploração tem retorno estimado em 2,5 campanhas agrícolas.
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